Futebol feminino expõe pressão financeira e mental
Relatório global da FIFPRO mostra que 49% das atletas ouvidas cogitam encerrar a carreira antes do planejado.

Quase metade das jogadoras de futebol consultadas em um levantamento internacional considera deixar a carreira antes do planejado. O relatório divulgado nesta segunda-feira (12) associa a decisão principalmente à insegurança financeira e ao desgaste psicológico.
A InfoMoney apresentou os resultados do Global Employment Report 2026, produzido pela FIFPRO a partir das respostas de cerca de 800 atletas. A própria entidade mundial de jogadores confirmou que 49% das participantes cogitam uma saída antecipada do esporte.
Entre as atletas que pensam em parar, 59% apontaram razões financeiras e 46% citaram estresse ou dificuldades de saúde mental. As respostas podiam registrar mais de uma causa, por isso os percentuais descrevem fatores que se sobrepõem, e não grupos isolados.
Pressão ultrapassa os salários
O estudo mostra que 57% das entrevistadas enfrentaram dificuldades relacionadas à saúde mental durante a carreira. Metade desse grupo afirmou não ter recebido apoio do clube, indicador de que a expansão das competições ainda não foi acompanhada por uma rede uniforme de atendimento.
A falta de estabilidade aparece também no vínculo profissional. Apenas 56% disseram possuir contrato de trabalho e 13% relataram acesso a um plano de aposentadoria ou pensão. Em 47% dos casos, as atletas avaliaram que o clube não mantinha profissionais suficientes para atender às necessidades da equipe.
Os salários reforçam a distância entre a visibilidade do futebol feminino e a rotina de muitas jogadoras. A remuneração mensal mediana informada foi de US$ 1.669, enquanto a média chegou a US$ 2.601. A diferença entre os dois valores sinaliza concentração de renda: uma parcela menor, com ganhos mais altos, eleva a média geral.
O avanço em algumas condições, porém, é mensurável. A duração média dos contratos subiu de 12 meses, em 2017, para 19 meses em 2026. A presença de agentes também cresceu, de 14% para 41%, o que indica maior profissionalização na negociação de vínculos e direitos.
Padrões mínimos seguem ausentes
Os ganhos contratuais não anulam lacunas básicas. Um contrato mais longo oferece previsibilidade, mas não resolve sozinho salários insuficientes, ausência de aposentadoria, falta de especialistas no clube ou dificuldade para buscar ajuda psicológica sem receio de perder espaço.
A FIFPRO defende padrões mínimos globais de emprego para reduzir essas diferenças. O debate envolve remuneração, proteção à maternidade, tratamento médico, calendário, estrutura de treinamento e mecanismos seguros para denunciar abusos ou descumprimento de obrigações.
O levantamento não permite concluir que 49% das jogadoras abandonarão o futebol. Ele registra intenção e alerta, no entanto, para um risco concreto de perda de profissionais. Quando uma atleta avalia a saída por não conseguir sustentar a carreira ou cuidar da própria saúde, o problema deixa de ser individual e passa a atingir a sustentabilidade da modalidade.
Em resumo
O levantamento da FIFPRO indica que 49% das atletas consultadas cogitam encerrar a carreira antes do planejado.
Entre as que consideram sair, 59% citaram razões financeiras e 46% apontaram estresse ou dificuldades de saúde mental.
O relatório registra dificuldades desse tipo para 57% das entrevistadas; metade delas disse não ter recebido apoio do clube.
Apenas 56% informaram possuir contrato de trabalho, e 13% disseram contar com plano de aposentadoria ou pensão.
A mediana foi de US$ 1.669 e a média de US$ 2.601, diferença que aponta forte desigualdade entre as atletas.