Gaeco denuncia policiais por propina em cargas
Denúncia atribui a cinco agentes crimes ligados à liberação irregular de cargas de eletrônicos; outros três acusados também respondem.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado denunciou cinco policiais civis e outras três pessoas por um suposto esquema de propina ligado à liberação de cargas de eletrônicos em São Paulo. A acusação foi apresentada à Justiça após a Operação Merx, deflagrada em agosto.
A CNN Brasil informou nesta quarta-feira (7) que os cinco agentes foram denunciados por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O BNews São Paulo confirmou a apresentação da denúncia pelo Gaeco e a relacionou às apurações abertas durante a operação.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, os policiais teriam usado delegacias e sistemas internos para localizar caminhões com mercadorias trazidas do Paraguai sem regularização fiscal. A denúncia sustenta que parte das cargas era liberada depois de pagamentos ilícitos.
Acusação descreve cobranças sistemáticas
Os promotores afirmam que o grupo cobrava como propina o equivalente a 70% do valor estimado dos produtos. Em algumas abordagens, uma quantidade pequena de aparelhos teria sido registrada como apreendida para criar aparência de legalidade, enquanto o restante seria devolvido.
Quatro ocorrências investigadas desde 2024 teriam movimentado aproximadamente R$ 2,3 milhões. O mesmo valor foi indicado pelo Ministério Público como reparação mínima por danos morais coletivos, além do pedido de perda dos cargos públicos dos agentes denunciados.
A operação de agosto cumpriu mandados em São Paulo, Paraná e Goiás. Cinco pessoas foram presas preventivamente, três delegacias passaram por buscas e a Justiça determinou bloqueio de bens estimado em R$ 4 milhões, conforme os relatos publicados sobre a investigação.
Processo ainda depende da Justiça
A denúncia inaugura uma etapa judicial, mas não representa condenação. Caberá à Justiça examinar se a acusação reúne elementos suficientes para o processo, garantir acesso das defesas aos autos e avaliar provas e contestações antes de qualquer decisão definitiva.
Além dos cinco policiais, três homens foram denunciados por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A acusação atribui a integrantes externos a entrega ou intermediação dos pagamentos. A responsabilidade de cada pessoa será analisada separadamente.
Os promotores também pediram que bens apreendidos, bloqueados ou sequestrados sejam destinados ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos ou ao Fundo Integrado de Segurança Pública de São Paulo. Esse pedido depende de decisão judicial e do resultado do processo.
Até a publicação das reportagens consultadas, as defesas de todos os citados não haviam sido localizadas ou não tinham apresentado manifestação conjunta. O espaço para resposta permanece necessário, e os denunciados devem ser tratados como inocentes enquanto não houver condenação definitiva.
Em resumo
Cinco policiais civis e outras três pessoas foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo.
A denúncia menciona corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Segundo a acusação, a cobrança padrão chegava a 70% do valor estimado das cargas.
Os promotores indicaram valor mínimo de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos.
Não. A denúncia é uma acusação formal que ainda será examinada pela Justiça, com direito de defesa aos envolvidos.