Justiça · 2026-11-08 · Redação Notícia ES

Gás caro dificulta agregação de valor ao minério no Brasil, diz Cedro

Presidente do conselho de administração aponta obstáculos para pelotização, briquetagem e redução direta no país

Gás caro dificulta agregação de valor ao minério no Brasil, diz Cedro
Gás caro dificulta agregação de valor ao minério no Brasil, diz Cedro

A política nacional para minerais críticos e estratégicos abre novas perspectivas para o setor mineral brasileiro, mas desafios estruturais — especialmente o alto custo do gás natural — ainda limitam a capacidade do país de agregar valor à sua produção.

O contexto da decisão judicial

Isso é o que avalia José Carlos Martins, da Cedro Participações , em entrevista ao programa Mapa da Mina.

Martins destacou que o minério de ferro de alta qualidade, conhecido como "minério verde" , foi incluído na nova legislação como mineral crítico. Segundo ele, isso representa um avanço significativo.

"Os minérios de maior qualidade é a melhor ferramenta que a siderurgia dispõe para reduzir suas emissões", afirmou.

Detalhes e consequências do caso

Ele ponderou, no entanto, que não nutre "muitas ilusões" de que a siderurgia deixará de emitir carbono no curto prazo, estimando que uma transformação radical nesse sentido levaria entre 50 e 70 anos.

Ao ser questionado sobre a viabilidade de investimentos em pelotização, briquetagem e redução direta no Brasil, Martins reconheceu o potencial do país, mas foi enfático quanto ao principal entrave.

"Infelizmente, por razões do conhecimento geral, nós nunca conseguimos ter um gás no Brasil a um preço competitivo", disse.

Ele relembrou que, durante sua passagem pela siderurgia, uma pelotizadora foi construída no Oriente Médio — e não no Brasil — porque lá o gás custava 1,50 dólar por milhão de BTU, enquanto no Brasil o preço chegava a 12 dólares.

Atualmente, segundo ele, o mercado internacional pratica entre 4 e 5 dólares por milhão de BTU, enquanto o Brasil segue cobrando 12 dólares, e o Oriente Médio pode oferecer valores abaixo de 1 dólar.

Martins lembrou ainda que o Brasil já operou duas plantas de redução direta — uma na Bahia e outra no Rio Grande do Sul —, ambas posteriormente paralisadas.

Para ele, "algumas metas de agregar valor não podem ser apenas uma ideia, elas têm que estar suportadas" pelas condições necessárias.

No campo das terras raras , Martins apontou que o principal obstáculo não é a falta de reservas — o Brasil está bem dotado nesse aspecto —, mas sim a tecnologia de processamento, dominada atualmente pela China.

"Os Estados Unidos não domina, a Europa não domina, ficaram para trás nesse ponto", afirmou.

Ele explicou que o domínio chinês não foi resultado de uma estratégia deliberada de conquista de mercado, mas de uma escolha do Ocidente, que considerava a atividade altamente poluente e a deixou para a China.

Hoje, segundo Martins, 70% das terras raras do mundo são consumidas na China, e o restante do mundo precisa comprar do país asiático.

Diante desse cenário, Martins defendeu uma abordagem gradual para o Brasil. "A melhor maneira é você começar exportando e, aos poucos, ir trazendo a vantagem para o Brasil", disse.

Em resumo

O que aconteceu?

A política nacional para minerais críticos e estratégicos abre novas perspectivas para o setor mineral brasileiro, mas desafios estruturais — especialmente o alto custo do gás natural — ainda limitam a capacidade do país de agregar valor à sua produção.

Qual é o ponto principal?

Isso é o que avalia José Carlos Martins, da Cedro Participações , em entrevista ao programa Mapa da Mina.

Quais são os dados mais importantes?

Martins destacou que o minério de ferro de alta qualidade, conhecido como "minério verde" , foi incluído na nova legislação como mineral crítico. Segundo ele, isso representa um avanço significativo.

Qual é o contexto?

"Os minérios de maior qualidade é a melhor ferramenta que a siderurgia dispõe para reduzir suas emissões", afirmou.

Quais são os próximos desdobramentos?

Ele ponderou, no entanto, que não nutre "muitas ilusões" de que a siderurgia deixará de emitir carbono no curto prazo, estimando que uma transformação radical nesse sentido levaria entre 50 e 70 anos.

Fontes