Fé e Sociedade · 2026-09-21 · Redação Notícia ES

Gêmeas de Alegre celebram 100 anos com missa e reunião de quatro gerações

Lavínia e Levearlinda nasceram em Arraial do Café em 1926; festa de ação de graças reuniu filhos, netos e bisnetos no Sul capixaba.

Gêmeas de Alegre celebram 100 anos com missa e reunião de quatro gerações
As irmãs Lavínia Matias Freitas e Levearlinda Matias Batista no centenário. Crédito: arquivo da família.

As irmãs gêmeas Lavínia Matias Freitas e Levearlinda Matias Batista completaram 100 anos nesta segunda-feira, 21 de setembro, depois de reunirem a família para uma missa de ação de graças e uma festa em Alegre, no Sul do Espírito Santo. Nascidas em 1926 no distrito de Arraial do Café, elas chegaram juntas ao centenário e celebraram a data com quatro gerações.

A comemoração ocorreu no sábado, 19, segundo relato da família publicado por A Gazeta e repercutido pelo portal Espírito Santo Notícias. Na fotografia da celebração, Lavínia usa vestido verde-escuro e Levearlinda aparece de verde-claro. A imagem foi fornecida pelo arquivo familiar e registra as duas lado a lado, de mãos dadas, durante o encontro.

Embora tenham a mesma origem, as irmãs vivem hoje em cidades diferentes. Lavínia mora em Cachoeiro de Itapemirim e teve 14 filhos, 22 netos e 25 bisnetos. Levearlinda reside em Mantena, em Minas Gerais, e é mãe de um filho e avó de dois. Somadas, são 15 filhos, 24 netos e 25 bisnetos, números informados pela família.

Missa marcou gratidão pelo centenário

A escolha de uma missa de ação de graças colocou a fé no centro da comemoração. Na tradição cristã, esse tipo de celebração reúne comunidade e parentes para agradecer pela vida e pela história compartilhada. No caso das irmãs, o rito também ligou a memória do distrito onde nasceram à família espalhada por municípios do Espírito Santo e de Minas Gerais.

O caráter religioso não transforma longevidade em promessa espiritual nem permite atribuir os 100 anos a uma causa única. Envelhecimento resulta de combinação de genética, ambiente, condições de saúde, alimentação, renda, vínculos sociais e acesso a cuidados. A missa expressa o sentido dado pela família à data, enquanto as explicações médicas e demográficas dependem de outros elementos.

A história familiar possui ainda uma repetição curiosa: Lavínia teve filhos gêmeos, e uma de suas filhas, Maria, também se tornou avó de gêmeos. O dado, relatado pelos parentes, acrescenta uma linha de continuidade entre gerações. Não foi divulgado estudo genético sobre a família, e a coincidência não deve ser usada para inferir condição hereditária específica.

Centenários ainda são uma parcela rara

O Censo Demográfico de 2022 identificou cerca de 37,8 mil pessoas com 100 anos ou mais no Brasil, número aproximadamente 67% superior ao registrado em 2010. Mesmo com o crescimento, chegar ao centenário permanece raro diante do conjunto da população. A presença de duas irmãs gêmeas na mesma faixa torna a celebração especialmente incomum.

O envelhecimento brasileiro é mais amplo que o grupo de centenários. A parcela de pessoas com 65 anos ou mais aumentou de 7,4% em 2010 para 10,9% em 2022, segundo o IBGE. A mudança pressiona famílias e poder público a ampliar atenção básica, prevenção de quedas, vacinação, mobilidade, renda, convivência e apoio a cuidadores.

Histórias como a de Lavínia e Levearlinda ajudam a humanizar essas estatísticas, mas não substituem políticas públicas. A longevidade pode coexistir com dependência, solidão e necessidade de assistência. O Estatuto da Pessoa Idosa assegura prioridade e proteção a partir dos 60 anos, e sua aplicação precisa acompanhar a expansão acelerada desse grupo.

Memória familiar atravessa o Caparaó

Arraial do Café integra o município de Alegre, na região do Caparaó. A origem comum e os caminhos posteriores das irmãs refletem movimentos frequentes entre o Sul capixaba e municípios mineiros vizinhos. O centenário reuniu essas trajetórias numa celebração que preservou nomes, fotografias e relações construídas ao longo de um século.

Para os descendentes, a data também funciona como exercício de memória. Registrar relatos de infância, trabalho, casamento, maternidade, práticas religiosas e transformações das cidades pode preservar uma fonte familiar que documentos oficiais nem sempre alcançam. A divulgação pública deve respeitar a vontade e a privacidade das homenageadas, sobretudo em questões de saúde não informadas.

Depois da festa, o marco objetivo permanece: Lavínia e Levearlinda nasceram em 21 de setembro de 1926 e completaram juntas 100 anos. A missa reuniu fé, gratidão e convivência; a fotografia das duas de mãos dadas resume a dimensão social da data. Para a família, mais do que uma estatística de longevidade, o centenário é a continuidade de uma história compartilhada.

Em resumo

Quem são as gêmeas centenárias de Alegre?

Lavínia Matias Freitas e Levearlinda Matias Batista, nascidas em Arraial do Café em 21 de setembro de 1926.

Como elas celebraram os 100 anos?

Com missa de ação de graças e festa em família realizada em Alegre no sábado, 19 de setembro.

Onde as irmãs vivem atualmente?

Lavínia mora em Cachoeiro de Itapemirim e Levearlinda, em Mantena, Minas Gerais.

Quantos descendentes elas têm?

Juntas, têm 15 filhos, 24 netos e 25 bisnetos, segundo a família.

Quantos centenários havia no Brasil no Censo 2022?

Cerca de 37,8 mil pessoas com 100 anos ou mais.

A longevidade foi atribuída à fé?

Não. A missa expressou gratidão da família; longevidade resulta de múltiplos fatores e não teve causa individual divulgada.

Fontes

  • A Gazeta
  • Espírito Santo Notícias
  • IBGE - Censo Demográfico 2022
  • Estatuto da Pessoa Idosa - Planalto