Gilmar cobra pente-fino em precatórios após caso Master
Ministro defende correição extraordinária nos tribunais federais e revisão de créditos judiciais sob suspeita.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, defendeu na noite de domingo (27) uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais para localizar precatórios com possíveis irregularidades. O pedido inclui atenção especial ao TRF-1 e aos créditos ligados ao setor sucroalcooleiro e à revisão da tabela do SUS.
O g1 registrou que a proposta foi divulgada pelo ministro nas redes sociais após novos elementos das investigações do Banco Master. Metrópoles e CNN Brasil confirmaram a cobrança e detalharam que Gilmar também pediu apuração criminal sobre eventual participação de magistrados e advogados.
A manifestação não equivale à abertura automática de uma investigação nacional nem ao cancelamento de novos títulos. A Corregedoria Nacional de Justiça terá de avaliar o alcance, os critérios e os procedimentos de eventual inspeção, enquanto os casos criminais continuam sob responsabilidade dos órgãos competentes.
Gilmar relacionou o alerta a um modelo no qual créditos contra a União seriam comprados com grande desconto, contabilizados por valores superiores e usados como lastro para captação no mercado. As suspeitas precisam ser individualizadas: a existência de um precatório ou sua cessão a um fundo não demonstra, por si só, fraude.
Correição mira tribunais federais
O ministro quer que a inspeção alcance todos os TRFs, sobretudo o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A prioridade, segundo o pronunciamento reproduzido pelos veículos, seria rastrear títulos expedidos antes do trânsito em julgado, com valores inflados ou em desacordo com precedentes dos tribunais superiores.
O Conselho Nacional de Justiça já cancelou 16 precatórios expedidos pelo TRF-1 em favor de usinas e determinou a devolução de R$ 4,7 bilhões ao Tesouro Nacional. Gilmar citou essa medida como exemplo de reação institucional, mas afirmou que a verificação não deve ficar restrita a um tribunal.
Parte da controvérsia envolve indenizações cobradas por usinas devido à política de preços do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool nas décadas de 1980 e 1990. O ponto jurídico central é a necessidade de perícia individual para comprovar o prejuízo de cada empresa, em vez de cálculos gerais aplicados a processos diferentes.
Outra frente mencionada são ações sobre a tabela do SUS. Segundo o ministro, houve situações em que créditos ainda discutidos judicialmente foram convertidos em precatórios e depois cedidos a fundos de investimento. O Superior Tribunal de Justiça afetou essa controvérsia para julgamento repetitivo no Tema 1.444.
Créditos expõem risco bilionário
A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 estima impacto potencial superior a R$ 100 bilhões nas ações do setor sucroalcooleiro. Em processo levado por Gilmar ao plenário do STF, a União apontou risco fiscal de R$ 103,4 bilhões, cifra que ajuda a explicar a pressão por uma regra uniforme.
O caso Master ampliou a atenção sobre a comercialização desses direitos. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro passaram a integrar apurações sobre relações entre o banco, escritórios e integrantes do Judiciário. Pessoas citadas mantêm o direito de defesa, e as responsabilidades dependem de prova e decisão das autoridades.
Gilmar também cobrou fiscalização do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários sobre o uso de créditos judiciais em balanços, fundos e captações. MPF, Ordem dos Advogados do Brasil e Conselho da Justiça Federal foram chamados a agir dentro das respectivas competências.
O passo decisivo agora será transformar a cobrança pública em procedimento formal, com objeto delimitado, acesso aos processos e possibilidade de contraditório. Uma correição pode identificar padrões e corrigir falhas administrativas, mas não substitui inquérito criminal, perícia contábil ou julgamento de cada precatório.
Em resumo
Ele defendeu uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais para rastrear precatórios com possíveis irregularidades.
Parte expressiva dos créditos sob apuração está concentrada em processos da 1ª Região, e o CNJ já cancelou títulos expedidos pelo tribunal.
Segundo o pronunciamento reproduzido pelas fontes, o CNJ cancelou 16 precatórios e determinou a devolução de R$ 4,7 bilhões ao Tesouro.
As investigações examinam a compra, a contabilização e o uso de créditos judiciais pelo banco, além de possíveis relações com escritórios e agentes públicos.
Não há confirmação de abertura automática. A Corregedoria Nacional de Justiça ainda precisa formalizar e delimitar eventual inspeção.