Justiça · 2026-10-09 · Redação Notícia ES

Gilmar propõe reanálise de pagamentos a hospitais do SUS

Ministro sugere reconhecer repercussão geral em disputa sobre critérios usados pela Justiça para revisar valores pagos a hospitais privados que atendem pelo SUS

Gilmar propõe reanálise de pagamentos a hospitais do SUS
Gilmar propõe reanálise de pagamentos a hospitais do SUS

O ministro Gilmar Mendes propôs nesta sexta-feira (9) que o Supremo Tribunal Federal reconheça repercussão geral em uma disputa sobre a revisão judicial dos pagamentos feitos a hospitais privados que prestam atendimento complementar ao Sistema Único de Saúde. A manifestação foi apresentada no Recurso Extraordinário 1.612.904.

A Revista Oeste noticiou a abertura do julgamento no plenário virtual. O Jurinews e o Diário do Poder também registraram que, nesta etapa, os ministros analisam apenas se o tema tem relevância suficiente para receber uma orientação nacional do STF; o mérito do pedido dos hospitais ainda não está em julgamento.

O recurso foi apresentado pela Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. A instituição pretende utilizar critérios ligados à antiga Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos e ao Índice de Valoração do Ressarcimento, referências aplicadas no cálculo do que planos de saúde devem ressarcir ao sistema público.

Supremo avalia repercussão geral

Se a maioria reconhecer a repercussão geral, a decisão futura do Supremo servirá de parâmetro para processos semelhantes no país. A análise pode delimitar quando o Judiciário tem espaço para alterar os critérios de remuneração definidos pelo Ministério da Saúde e quais entes públicos devem responder por eventuais diferenças.

A controvérsia voltou ao STF depois de uma decisão adotada em 2021. Na ocasião, ao examinar o Tema 1.133, a Corte entendeu que a discussão tinha natureza infraconstitucional. Gilmar Mendes sustentou agora que mudanças normativas, o crescimento das ações e o alcance financeiro da disputa justificam uma nova avaliação constitucional.

O ministro também destacou a necessidade de preservar a organização do orçamento da saúde. Uma ordem judicial que substitua a tabela administrativa em muitos processos pode ampliar despesas sem que a definição das fontes de custeio seja feita de modo uniforme entre União, estados e municípios.

Impacto estimado chega a bilhões

A União estima que a adoção dos critérios pretendidos pelos hospitais pode produzir impacto anual de aproximadamente R$ 24 bilhões. O número integra o debate processual e ainda não representa uma condenação ou um gasto autorizado, porque depende do resultado do julgamento de mérito e da forma como uma eventual tese será redigida.

Dados mencionados na manifestação apontam 343 ações suspensas no país à espera de uma definição sobre a matéria. Desse total, 225 estão na área do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A concentração de processos e as decisões divergentes reforçam o argumento por uma resposta única da Corte.

A discussão envolve o equilíbrio entre dois interesses públicos: a remuneração de estabelecimentos privados que atendem pacientes do SUS e a preservação dos recursos destinados a outras políticas de saúde. A repercussão geral não antecipa qual lado vencerá, mas estabelece que a questão ultrapassa o caso individual analisado.

Depois da fase atual, o processo poderá avançar para o mérito, quando o Supremo deverá decidir se os critérios administrativos podem ser substituídos por ordem judicial e em quais condições. Até lá, os processos relacionados permanecem sujeitos às determinações dos tribunais responsáveis e às suspensões já registradas.

Em resumo

O que Gilmar Mendes propôs?

O ministro propôs reconhecer repercussão geral na disputa sobre a revisão judicial dos pagamentos a hospitais privados que atendem pelo SUS.

Qual processo está em julgamento?

A manifestação foi apresentada no Recurso Extraordinário 1.612.904, levado ao plenário virtual do STF.

O mérito já foi decidido?

Não. Nesta etapa, o Supremo decide apenas se a controvérsia deve receber uma orientação nacional com repercussão geral.

Qual é o impacto financeiro estimado?

A União estima impacto potencial de aproximadamente R$ 24 bilhões por ano, valor ainda sujeito ao julgamento do mérito.

Quantos processos aguardam definição?

Foram mencionadas 343 ações suspensas no país, das quais 225 estão na área do TRF da 1ª Região.

Fontes