Segurança Pública · 2026-08-29 · Redação Notícia ES

Golpe com áudios de voz invade celulares na Serra e usa contatos das vítimas para pedir Pix

Duas amigas relataram que criminosos usaram mensagens de voz atribuídas a pessoas conhecidas, links e instruções no celular para assumir contas e pedir dinheiro; Polícia Civil investiga o caso.

Golpe com áudios de voz invade celulares na Serra e usa contatos das vítimas para pedir Pix
Golpe com áudios de voz invade celulares na Serra e usa contatos das vítimas para pedir Pix

Um golpe digital registrado na Serra acendeu um alerta sobre uma combinação cada vez mais perigosa: confiança pessoal, mensagens de voz e controle indevido de contas de celular. Duas amigas relataram que receberam áudios que pareciam ter sido enviados por pessoas conhecidas e, depois de seguir instruções ou acessar links, tiveram contas e contatos usados por criminosos para pedir dinheiro emprestado. A Polícia Civil confirmou o registro das ocorrências e informou que os casos foram encaminhados ao 13º Distrito Policial da Serra.

O episódio foi revelado pela Folha Vitória e envolve Cibele Goes Freitas e Cleide dos Santos Will Correa. Segundo os relatos, a abordagem começou com uma situação cotidiana e aparentemente inofensiva, relacionada à venda de eletrodomésticos. A familiaridade da voz e o contexto apresentado ajudaram a reduzir a desconfiança inicial.

Como a fraude avançou

De acordo com as vítimas, os golpistas orientaram etapas no celular e enviaram links ou solicitações que simulavam interações legítimas. Em um dos casos, a vítima relatou que, após clicar no conteúdo recebido, a tela do aparelho ficou temporariamente sem resposta normal. Pouco depois, contatos passaram a receber pedidos de dinheiro em nome das vítimas.

Ao menos três transferências foram relatadas por pessoas que acreditaram estar ajudando alguém conhecido: R$ 1.500, R$ 595 e R$ 400. Cibele e Cleide disseram não ter perdido dinheiro diretamente, mas pessoas de suas redes de contato sofreram prejuízos após confiar nas mensagens enviadas pelos fraudadores.

A Polícia Civil informou à reportagem que os boletins foram registrados na Delegacia Regional da Serra e encaminhados ao 13º Distrito Policial. A corporação não detalhou a linha de investigação para evitar prejuízo às apurações.

Não há confirmação de clonagem por inteligência artificial

Um ponto importante exige cautela. O fato de as vítimas afirmarem que os áudios tinham vozes familiares não permite concluir, por si só, que houve clonagem de voz por inteligência artificial. Até agora, não foi divulgado laudo técnico indicando se os criminosos geraram novos áudios com IA, reutilizaram gravações obtidas anteriormente, tiveram acesso a contas de terceiros ou aplicaram outra técnica de engenharia social.

Essa diferença é relevante porque golpes digitais frequentemente combinam vários métodos. A engenharia social explora confiança, urgência e familiaridade para convencer a vítima a realizar uma ação. O ataque técnico pode vir depois, por meio de página falsa, autorização indevida, sessão conectada ou outra forma de tomada de conta.

Banco Central recomenda confirmar pedidos por outro canal

O Banco Central mantém orientação específica para pedidos de dinheiro recebidos por aplicativos de mensagem. A recomendação é não fazer transferências apenas com base em texto, vídeo ou áudio recebido no WhatsApp ou Telegram, mesmo quando a mensagem aparenta vir de uma pessoa conhecida. A orientação é telefonar diretamente ou confirmar por outro canal antes de realizar o pagamento.

O BC alerta que vídeos e áudios podem ser manipulados com ferramentas de inteligência artificial, o que torna a confirmação independente ainda mais importante. A regra prática é simples: um pedido inesperado de Pix deve ser verificado fora da própria conversa que gerou o pedido.

Links e páginas falsas continuam no centro dos golpes

O Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital também alerta para campanhas de fraude que usam WhatsApp, dados verdadeiros das vítimas e páginas de phishing para criar aparência de legitimidade. Embora o caso da Serra ainda esteja sob investigação e não tenha sido tecnicamente classificado pelo governo federal, o padrão de induzir a vítima a clicar em links e seguir instruções é compatível com técnicas amplamente usadas em fraudes digitais.

A recomendação oficial é evitar links recebidos por mensagens quando houver pedido de pagamento, atualização cadastral ou validação de identidade, além de bloquear e denunciar contas suspeitas. Nos casos envolvendo movimentação bancária, a vítima deve procurar imediatamente a instituição financeira e registrar ocorrência policial.

Prejuízo pode se espalhar pela lista de contatos

O caso mostra que a vítima inicial nem sempre é quem perde dinheiro. Depois que uma conta ou identidade digital é comprometida, o criminoso passa a explorar a confiança acumulada daquela pessoa com familiares, amigos e colegas. Cada contato se transforma em um novo alvo potencial.

Esse efeito em cadeia explica por que a resposta rápida é importante. Ao perceber acesso suspeito, a pessoa deve avisar contatos por outro canal, encerrar sessões desconhecidas, trocar senhas, ativar autenticação em duas etapas e comunicar o banco caso haja movimentação financeira associada.

Na Serra, a investigação deverá esclarecer como os criminosos obtiveram os áudios, qual recurso foi usado para acessar os aparelhos ou contas e se as ocorrências estão ligadas a outros casos. Até que haja resultado pericial, qualquer afirmação sobre uso específico de inteligência artificial deve ser tratada como hipótese, não como fato comprovado.

Fontes da apuração

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