Golpista faz adolescente simular sequestro e induz família a transferir Pix
Chamada de vídeo manteve jovem sob pressão em Cachoeiro; polícia localizou a vítima e família tenta reverter os valores enviados.

Uma adolescente foi submetida a horas de pressão psicológica por um golpista que simulou o sequestro da irmã e depois induziu a família a acreditar que a própria jovem havia sido levada, em Cachoeiro de Itapemirim, no domingo, 20 de setembro. Segundo a Polícia Civil, a ligação por vídeo terminou com duas transferências via Pix antes que amigos da família localizassem a vítima em uma padaria.
O caso ocorreu no bairro Gilberto Machado. O homem afirmou que a irmã da adolescente estava mantida em um quarto e usou uma voz feminina para tornar a ameaça convincente. Ele ordenou que a jovem saísse de casa sem avisar ninguém, mantivesse a chamada ativa e não buscasse ajuda, sob ameaça de matar a suposta vítima.
Com a adolescente isolada e assustada, o autor passou a orientar mensagens para os familiares. Ela foi levada a dizer que estava em poder de sequestradores, enquanto os criminosos também faziam contato e exigiam dinheiro. O delegado Rômulo Carvalho Neto descreveu o método como pressão psicológica extrema usada para impedir verificações simples e acelerar os pagamentos.
Bateria do celular ajudou a interromper o golpe
A adolescente permaneceu conectada até a bateria do telefone ficar baixa. Para continuar a ligação, entrou em uma padaria e pediu acesso a uma tomada. Amigos dos responsáveis a reconheceram, perceberam que ela estava muito abalada e avisaram a família, que já recebia apoio da polícia.
Uma equipe foi enviada ao estabelecimento, acolheu a vítima e encerrou a situação de risco. Não houve sequestro físico cometido pelo grupo, conforme a reconstrução inicial, mas a jovem foi controlada à distância por ameaças e desinformação. A investigação ainda precisa identificar os responsáveis e verificar de onde partiram as ligações.
Dois pagamentos via Pix foram realizados durante o golpe. De acordo com a entrevista do delegado à TV Tribuna, a família conseguiu reverter um dos valores e tentava recuperar o outro. As quantias não foram divulgadas. A devolução não é automática e depende de comunicação rápida à instituição financeira, análise do caso e disponibilidade do dinheiro na conta de destino.
Compartilhamento de tela ampliou o controle
O criminoso acompanhou a tela do aparelho, recurso que permite observar mensagens, contatos e outras ações realizadas pela vítima. Assim, poderia perceber tentativas de pedir ajuda ou confirmar a história com a irmã. A ferramenta é legítima quando usada com consentimento em suporte técnico, mas se torna perigosa quando alguém exige acesso durante uma ameaça.
Golpes de falso sequestro exploram urgência e medo para reduzir o tempo de reação. A voz de uma pessoa chorando, informações obtidas em redes sociais e ordens para manter a linha aberta criam a impressão de que qualquer verificação colocará alguém em perigo. O objetivo é impedir que a família ligue para a suposta vítima ou acione a polícia antes da transferência.
A Polícia Civil acredita, inicialmente, que o grupo possa atuar fora do Espírito Santo. A hipótese foi apresentada pelo delegado e ainda depende de rastreamento de telefones, contas e transações. Nenhuma prisão havia sido anunciada na divulgação consultada, e atribuir autoria a uma pessoa sem confirmação prejudicaria a apuração.
Resposta rápida aumenta chance de bloqueio
Quem recebe uma cobrança desse tipo deve tentar interromper a chamada quando isso puder ser feito com segurança, contatar diretamente a pessoa mencionada e avisar outro familiar por canal independente. A polícia pode ser acionada pelo 190 em uma situação em andamento. O boletim de ocorrência preserva números, horários, mensagens, comprovantes e contas usadas.
Se houver transferência, a instituição financeira precisa ser avisada imediatamente. O Mecanismo Especial de Devolução do Pix permite análise em situações de fraude, mas não garante reembolso. O cliente deve usar apenas canais oficiais do banco, evitar instalar aplicativos indicados pelo golpista e não fornecer senhas, códigos ou acesso remoto ao aparelho.
A adolescente é vítima e não deve ser responsabilizada por ter obedecido sob ameaça. O acompanhamento familiar e, se necessário, psicológico ajuda a lidar com medo e culpa posteriores. Para a investigação, os próximos passos são rastrear os contatos, identificar beneficiários e reunir dados das instituições financeiras dentro das autorizações legais.
Em resumo
Um homem fez uma chamada de vídeo e disse à adolescente que a irmã dela estava sequestrada.
Sair de casa, permanecer na chamada e transmitir à família a falsa informação de que ela própria estava em poder de sequestradores.
Sim. Duas transferências via Pix foram feitas; uma teria sido revertida e a outra ainda era contestada.
Amigos da família a reconheceram em uma padaria enquanto ela carregava o celular e avisaram os responsáveis.
Não havia prisão anunciada na divulgação inicial; a Polícia Civil buscava identificar os envolvidos.
Interromper o contato quando for seguro, confirmar diretamente a situação da pessoa, chamar a polícia e avisar imediatamente o banco.