Governo manda bloquear 13,2 mil sites ilegais de apostas
Ação federal alcançou média de 1.103 endereços por dia e também pediu a retirada de milhares de páginas e grupos nas redes sociais.

O governo federal encaminhou 13.241 sites ilegais de apostas para bloqueio entre 25 de setembro e esta terça-feira, 6. A operação alcançou uma média de 1.103 endereços por dia e ocorreu durante a retirada das plataformas de apostas autorizadas do ar.
A CNN Brasil divulgou os números obtidos com órgãos federais, e o Poder360 confirmou em reportagem específica o bloqueio das casas autorizadas e a retenção temporária de cerca de R$ 1,3 bilhão em saldos de apostadores. A ação contra páginas clandestinas foi conduzida pelo Ciberlab, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com participação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
O bloqueio busca impedir que operadores sem autorização aproveitem o período de suspensão do mercado regular para atrair usuários. Os endereços foram enviados às empresas responsáveis pela conectividade, que executam a interrupção do acesso conforme as ordens recebidas.
A fiscalização também identificou publicidade e canais de atendimento mantidos fora dos sites. O governo pediu a remoção de 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores em plataformas como Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord.
Bloqueio alcança redes sociais
Os espaços digitais apontados pela força-tarefa reuniam aproximadamente 17,2 milhões de usuários, membros ou seguidores. O total não equivale ao número de apostadores, porque uma mesma pessoa pode participar de vários grupos, mas indica o alcance potencial da divulgação clandestina.
A ofensiva ocorreu no primeiro dia sem plataformas autorizadas em funcionamento, efeito de uma medida provisória que determinou a interrupção temporária do setor. O objetivo foi fechar, ao mesmo tempo, a porta de entrada de páginas irregulares e os canais usados para redirecionar o público.
Além do volume de sites, os órgãos analisam movimentações consideradas atípicas. Quarenta e oito contas com saldos elevados passaram a ser investigadas por possível relação com lavagem de dinheiro ou outras atividades criminosas. A apuração não significa que todos os titulares tenham cometido ilícitos.
Os dados mostram forte concentração dos valores parados nas plataformas. Segundo o levantamento, 1% dos apostadores detinha 80% do saldo e 3,4% concentrava 90%. Na outra ponta, 86,2 milhões de contas tinham entre um centavo e 99 centavos, somando R$ 15,5 milhões.
Devolução segue calendário bancário
O prazo para saques voluntários terminou às 23h59 de segunda-feira, 5. As empresas ficaram responsáveis por organizar os valores restantes por CPF e pela conta bancária de origem, antes de transferir os recursos às instituições financeiras.
O cronograma prevê o envio das informações e do dinheiro aos bancos até quarta-feira, 7. As instituições deverão devolver os saldos entre 9 e 14 de outubro, sempre para contas vinculadas aos respectivos titulares, o que reduz o risco de repasses a terceiros.
Valores que não puderem ser restituídos dentro desse período serão direcionados à Caixa Econômica Federal depois de 14 de outubro. A etapa bancária não encerra a fiscalização sobre sites clandestinos, que continuará enquanto houver tentativas de captar usuários fora do ambiente autorizado.
A operação combina três frentes: derrubar endereços ilegais, remover sua divulgação nas redes e devolver o dinheiro que permaneceu nas plataformas regulares. O resultado será medido tanto pelo cumprimento do calendário financeiro quanto pela capacidade de impedir que novas páginas substituam rapidamente as bloqueadas.
Em resumo
O governo encaminhou 13.241 endereços entre 25 de setembro e 6 de outubro.
A média foi de 1.103 sites ilegais encaminhados por dia.
Sim. Foram feitos 3.552 pedidos de remoção de páginas, perfis, canais, grupos e servidores.
As devoluções estão previstas entre 9 e 14 de outubro de 2026.
Os recursos remanescentes serão transferidos à Caixa Econômica Federal depois de 14 de outubro.