Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Governo e mercado divergem sobre crescimento e margem fiscal no Orçamento de 2027

PLOA prevê crescimento de 2,46% e superávit primário cheio de R$ 18,6 bilhões; analistas apontam que resultado depende de arrecadação e de uma expansão econômica acima da projetada pelo mercado.

Governo e mercado divergem sobre crescimento e margem fiscal no Orçamento de 2027
Governo e mercado divergem sobre crescimento e margem fiscal no Orçamento de 2027

O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 chegou ao Congresso com uma diferença relevante entre as premissas adotadas pelo governo e as expectativas predominantes no mercado financeiro. A proposta federal trabalha com crescimento econômico de 2,46% no próximo ano e prevê superávit primário cheio de R$ 18,6 bilhões, enquanto analistas citados pela CNN Brasil projetam expansão mais próxima de 1,5% e alertam para a estreita margem de segurança das contas públicas.

O PLOA foi apresentado pelo governo em 31 de agosto e detalhado nesta terça-feira, 1º de setembro. O orçamento total previsto para 2027 é de R$ 7,449 trilhões. O limite para despesas primárias foi fixado em R$ 2,576 trilhões, aumento de R$ 183,8 bilhões em relação a 2026.

Superávit depende de arrecadação e atividade econômica

O Ministério do Planejamento calcula um superávit primário cheio de R$ 18,6 bilhões, considerando todas as receitas e despesas primárias sem descontos. Para fins de cumprimento da meta fiscal, o resultado ajustado chega a R$ 83,4 bilhões, acima do centro da meta de 0,5% do PIB, estimado em R$ 73,2 bilhões.

A diferença entre os números decorre das regras do Regime Fiscal Sustentável e dos descontos permitidos pela legislação. Na leitura de analistas, o principal ponto de atenção está na dependência de crescimento e arrecadação para sustentar o resultado.

A CNN Brasil destacou que a projeção oficial de crescimento, de 2,46%, está cerca de um ponto percentual acima de estimativas de mercado citadas pela emissora. Juros ainda elevados e seus efeitos defasados sobre consumo, crédito e investimento estão entre os fatores apontados para uma expansão mais moderada.

Salário mínimo estimado em R$ 1.741

O projeto estima salário mínimo de R$ 1.741 em 2027. O valor resulta da inflação medida pelo INPC, projetada em 4,93% nos 12 meses até novembro, mais aumento real de 2,3%. O número ainda é uma estimativa e pode mudar até a definição final do índice.

O piso influencia diversas despesas obrigatórias, entre elas benefícios previdenciários e assistenciais. Por isso, mudanças na inflação ou no cálculo do mínimo têm efeito direto sobre o Orçamento.

Saúde, educação e investimentos

O PLOA reserva R$ 272,2 bilhões para a Saúde, valor equivalente ao piso constitucional, e R$ 141,2 bilhões para a Educação, acima do mínimo calculado em R$ 138,8 bilhões. Os investimentos somam R$ 133,8 bilhões, também acima do piso previsto no arcabouço fiscal.

O governo projeta redução da participação das despesas obrigatórias no total das despesas primárias, de 92,4% em 2026 para 91,7% em 2027. Apesar da melhora, o grau de rigidez continua elevado e reduz o espaço para remanejamentos durante a execução orçamentária.

Bolsa Família e Correios

A proposta reserva cerca de R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família, abaixo dos R$ 158,6 bilhões previstos no PLOA de 2026. O benefício mínimo por família permanece em R$ 600, acrescido de adicionais conforme a composição familiar.

O texto também prevê aporte de R$ 6 bilhões nos Correios, segundo a CNN Brasil, em meio às dificuldades financeiras registradas pela estatal.

Congresso ainda pode alterar a proposta

O PLOA é o ponto de partida da discussão orçamentária. Deputados e senadores poderão apresentar emendas e modificar a distribuição de recursos antes da votação final.

A diferença entre as premissas do governo e do mercado será acompanhada ao longo da tramitação porque afeta estimativas de receita e a capacidade de alcançar o resultado fiscal. Caso o crescimento fique abaixo do previsto ou a arrecadação decepcione, a equipe econômica poderá precisar rever despesas ou adotar medidas de contenção durante 2027.

Fontes