Esporte · 2026-09-27 · Redação Notícia ES

Governo ouvirá clubes sobre impacto do fim das bets

Encontro previsto para a próxima semana deverá medir perdas com patrocínios antes de qualquer resposta financeira aos times.

Governo ouvirá clubes sobre impacto do fim das bets
Governo ouvirá clubes sobre impacto do fim das bets

O governo federal prepara uma reunião com clubes e federações de futebol para medir o impacto da proibição das bets sobre patrocínios e receitas esportivas. O encontro é esperado para a próxima semana, depois que a medida provisória assinada na sexta-feira (25) interrompeu novos depósitos e novas contratações de publicidade do setor.

O plano foi noticiado pelo g1 neste sábado (26), com a informação de que a articulação passa pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro. O anúncio anterior do ministro da Fazenda, Dario Durigan, reproduzido pelo UOL, e o comunicado do Ministério da Justiça confirmam que o governo pretende ouvir os clubes antes de decidir se haverá alguma resposta financeira.

Durigan afirmou que não existe previsão de socorro imediato. Segundo o ministro, a equipe econômica quer dimensionar a dependência dos times em relação às empresas de apostas e conhecer as obrigações previstas nos contratos. A avaliação deverá considerar situações diferentes, porque o peso desses acordos varia entre clubes, competições e propriedades comerciais.

Clubes apresentarão perdas projetadas

A medida provisória proibiu a contratação de nova publicidade, patrocínio ou promoção comercial de apostas de quota fixa. Campanhas já contratadas podem permanecer até 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão ser bloqueados no país, conforme o cronograma divulgado oficialmente.

O prazo curto pressiona clubes que estampam marcas de bets em uniformes, placas de estádio e conteúdos digitais. Além do patrocinador principal, existem contratos ligados a transmissões, ativações com torcedores e acordos comerciais de campeonatos. A reunião deverá esclarecer quais compromissos podem ser encerrados, quais valores deixariam de entrar e quanto tempo cada entidade precisa para buscar substitutos.

O ministro do Esporte sustentou que o futebol brasileiro existia antes da expansão das casas de apostas e que os clubes terão de se adaptar ao novo cenário. A posição veio após uma reação coordenada de equipes das Séries A e B, que haviam alertado para perdas relevantes e defendido fiscalização mais dura contra operadores ilegais em lugar de uma proibição total.

Levantamento citado pelo UOL aponta que patrocínios de empresas de apostas somaram R$ 1,14 bilhão entre clubes da Série A em 2025, equivalentes a 7,9% das receitas totais. O percentual agregado não revela a situação de cada time: para alguns, o contrato está concentrado na camisa principal; para outros, o dinheiro das bets se distribui entre mais propriedades e representa uma parcela diferente do orçamento.

Resposta dependerá do diagnóstico

O governo ainda não detalhou formato, participantes nem data exata do encontro. Também não apresentou uma linha de crédito ou mecanismo de compensação aprovado. Durigan disse que qualquer medida posterior dependerá do diagnóstico feito com clubes e confederações, o que afasta, por enquanto, a expectativa de transferência automática de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as equipes precisam agir antes de uma decisão sobre eventual apoio. Substituir patrocinadores exige negociação comercial, aprovação de peças, alteração de uniformes e revisão de compromissos já vendidos a parceiros e emissoras. A proximidade de partidas do Campeonato Brasileiro amplia a pressão operacional sobre departamentos jurídicos e de marketing.

A proibição foi justificada pelo governo com dados de endividamento e saúde pública. O comunicado oficial informa que novos aportes em contas de apostas ficaram vedados com a publicação da medida e que usuários podem retirar saldos até 5 de outubro. O projeto de lei encaminhado ao Congresso cria crimes relacionados à exploração e à divulgação das apostas, enquanto outra medida amplia a renegociação de dívidas de pessoas físicas.

Na reunião, o ponto decisivo será transformar estimativas gerais em números verificáveis por contrato e por clube. Só depois dessa fotografia o governo poderá avaliar se adota medidas de transição. Até lá, o calendário da proibição continua valendo, e os times terão de combinar a defesa de seus interesses com a busca imediata por novas receitas.

Em resumo

Quando o governo pretende se reunir com os clubes?

A previsão divulgada é de que o encontro ocorra na próxima semana, ainda sem data exata anunciada.

Qual será o objetivo da reunião?

O governo quer medir perdas de patrocínio, ouvir demandas e entender o peso das bets no orçamento de clubes e federações.

Já existe socorro financeiro aprovado?

Não. O ministro da Fazenda afirmou que não há previsão de ajuda imediata e que qualquer medida dependerá do diagnóstico.

Até quando a publicidade já contratada pode circular?

As peças e patrocínios contratados antes da medida podem ser veiculados até 5 de outubro de 2026.

Quando sites e aplicativos de bets serão bloqueados?

O cronograma oficial prevê o bloqueio a partir de zero hora de 6 de outubro de 2026.

Fontes