Tecnologia · 2026-10-16 · Redação Notícia ES

Governo pede fiscalização de loot boxes em seis jogos

Nota técnica do Ministério da Justiça recomenda que a ANPD priorize seis títulos que mantêm recompensas aleatórias sem verificação efetiva de idade.

Governo pede fiscalização de loot boxes em seis jogos
Governo pede fiscalização de loot boxes em seis jogos

O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu à Agência Nacional de Proteção de Dados que priorize o monitoramento de seis jogos eletrônicos com caixas de recompensa, conhecidas como loot boxes. A recomendação busca verificar se menores de idade estão efetivamente impedidos de acessar mecanismos pagos de premiação aleatória.

A medida foi noticiada pela Veja e confirmada pelo UOL nesta sexta-feira (16), com base na Nota Técnica nº 55/2026 da Secretaria Nacional de Direitos Digitais. O documento avalia os primeiros meses de aplicação do ECA Digital e não declara, nesta fase, que as empresas cometeram infração.

Loot boxes permitem que o jogador compre uma caixa, pacote ou invocação sem saber antecipadamente qual item virtual receberá. O pagamento pode ser feito diretamente ou por moedas adquiridas com dinheiro, aproximando a experiência de sistemas de recompensa variável usados em apostas.

ECA Digital exige bloqueio etário

O artigo 20 da Lei nº 15.211 de 2025 proíbe o recurso em jogos dirigidos a crianças e adolescentes ou com acesso provável por esse público. O Decreto nº 12.880 de 2026 detalhou formas de adequação e atribuiu relevância à verificação efetiva da idade.

As empresas podem bloquear as caixas para menores, oferecer uma versão do jogo sem o mecanismo ou restringir totalmente a função para usuários brasileiros. Avisos, probabilidades divulgadas e classificação indicativa de 18 anos não substituem uma barreira capaz de impedir o acesso de crianças e adolescentes.

A análise técnica examinou 15 jogos e franquias populares no país. O levantamento observou desde a retirada das recompensas aleatórias até a criação de verificações de idade, mas recomendou atenção especial aos títulos em que o mecanismo continuaria disponível sem uma adaptação considerada suficiente.

Seis títulos ganham prioridade

A lista prioritária reúne NBA 2K26, WWE 2K26, Counter-Strike 2, Call of Duty, Genshin Impact e PUBG Mobile. A inclusão aponta a necessidade de fiscalização, mas não equivale a uma decisão final sobre descumprimento da lei por desenvolvedoras, distribuidoras ou plataformas.

Outros jogos adotaram caminhos diferentes. Segundo o material analisado, alguns removeram as caixas de recompensa, enquanto serviços como Roblox, League of Legends e EA Sports FC implementaram mecanismos de verificação etária. A eficácia dessas soluções também pode ser examinada pelo regulador.

A nota reúne estudos que associam a compra de loot boxes a comportamento de jogo problemático, impulsividade, sofrimento psicológico e perdas financeiras. Ao mesmo tempo, reconhece que uma associação estatística não comprova sozinha que o mecanismo cause transtornos clínicos.

O documento cita a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, segundo a qual 70% dos usuários entre 9 e 17 anos jogaram pela internet. Para a equipe técnica, a ampla exposição reforça a necessidade de proteção porque menores podem ter mais dificuldade para avaliar probabilidades e controlar gastos repetidos.

A ANPD deverá decidir como incorporar a recomendação à sua agenda de fiscalização. O objetivo declarado é testar se as barreiras funcionam na prática, dar oportunidade de manifestação às empresas e aplicar as medidas previstas no ECA Digital somente após a análise de cada caso.

Em resumo

O que o governo pediu à ANPD?

O Ministério da Justiça recomendou monitoramento prioritário de jogos com loot boxes sem verificação efetiva de idade.

Quais jogos foram priorizados?

NBA 2K26, WWE 2K26, Counter-Strike 2, Call of Duty, Genshin Impact e PUBG Mobile.

O que são loot boxes?

São recompensas aleatórias compradas antes que o jogador saiba qual item virtual receberá.

A lista já comprova infração?

Não. O levantamento é preliminar e a fiscalização deverá analisar individualmente a conduta de cada fornecedor.

Como as empresas podem se adequar?

Podem bloquear a função para menores, oferecer versão sem caixas ou restringir totalmente o recurso no Brasil.

Fontes