Tecnologia · 2026-10-15 · Redação Notícia ES

Governo pede fiscalização de seis jogos com caixas de recompensa

Pedido à ANPD prioriza títulos que oferecem itens aleatórios pagos e não apresentaram verificação de idade nos testes do Ministério da Justiça.

Governo pede fiscalização de seis jogos com caixas de recompensa
Governo pede fiscalização de seis jogos com caixas de recompensa

O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu à Autoridade Nacional de Proteção de Dados que monitore seis jogos eletrônicos com caixas de recompensa e sem verificação de idade identificada nos testes técnicos. O pedido foi divulgado nesta quinta-feira (15).

O g1 noticiou a iniciativa e os títulos incluídos. Em comunicado oficial, o Ministério informou que a Nota Técnica 55 de 2026 tem caráter preliminar, analisou 15 jogos ou franquias e não representa uma conclusão definitiva sobre infração de cada empresa.

As caixas de recompensa, conhecidas como loot boxes, oferecem itens virtuais aleatórios. O jogador paga ou utiliza recursos acumulados sem saber exatamente qual prêmio receberá, dinâmica que levou o governo a comparar o risco do mecanismo a elementos presentes em jogos de aposta.

A lista prioritária reúne NBA 2K26, WWE 2K26, Counter-Strike 2, Call of Duty, Genshin Impact e PUBG Mobile. A seleção não esgota o universo de jogos disponíveis e serve para orientar a fiscalização, que caberá à ANPD dentro de suas competências.

Seis títulos entram no monitoramento

Segundo a nota, os testes não localizaram mecanismos de verificação de idade capazes de impedir o acesso de crianças e adolescentes às caixas de recompensa nesses títulos. A ausência observada foi encaminhada à autoridade responsável pela proteção de dados para acompanhamento.

O governo ressalta que a análise é uma fotografia técnica do funcionamento examinado e pode ser ampliada. A presença de um jogo na relação não substitui processo de fiscalização, defesa das empresas nem decisão administrativa sobre eventual descumprimento.

A pesquisa citada pelo Ministério registra que 70% dos usuários brasileiros de 9 a 17 anos jogaram pela internet em 2025. O alcance entre menores explica a prioridade dada a recursos capazes de estimular gastos repetidos em busca de recompensas aleatórias.

A nota também foi enviada à área de saúde mental do Ministério da Saúde. Estudos reunidos no documento apontam associação entre o uso problemático dessas caixas e comportamentos ligados a apostas, mas o órgão evita transformar essa correlação em diagnóstico clínico individual.

Lei exige bloqueio por idade

O ECA Digital proíbe caixas de recompensa em jogos dirigidos a crianças e adolescentes ou com alta probabilidade de acesso por esse público. O Decreto 12.880 de 2026 detalha alternativas para que as plataformas reduzam a exposição de menores.

Entre as medidas previstas estão verificar a idade e bloquear o recurso para menores, oferecer uma versão apropriada ao público infantil ou manter as caixas desativadas por padrão no Brasil. A escolha técnica precisa produzir proteção efetiva, e não apenas uma declaração genérica nos termos de uso.

A ANPD poderá examinar como os títulos confirmam a idade, tratam dados pessoais e configuram compras internas. O encaminhamento do Ministério não impõe imediatamente multa, bloqueio ou retirada das lojas; essas consequências dependem de apuração e dos procedimentos da autoridade.

Para famílias, a orientação prática é conferir a classificação indicativa, os controles parentais e as compras vinculadas à conta. A fiscalização pública busca criar uma barreira sistêmica, mas a configuração doméstica continua relevante enquanto os mecanismos de idade e acesso são analisados.

Em resumo

Quais jogos foram priorizados?

NBA 2K26, WWE 2K26, Counter-Strike 2, Call of Duty, Genshin Impact e PUBG Mobile.

O que são caixas de recompensa?

São mecanismos que entregam itens virtuais aleatórios após pagamento ou uso de recursos do jogo.

O pedido já concluiu que houve infração?

Não. A análise é preliminar e a apuração caberá à ANPD, com os procedimentos administrativos aplicáveis.

O que a lei exige das plataformas?

Elas devem bloquear o recurso para menores, oferecer versão segura ou deixá-lo desativado por padrão no Brasil.

Por que o governo priorizou o tema?

O mecanismo alcança um público jovem numeroso e pode estimular gastos repetidos em busca de itens aleatórios.

Fontes