Política Nacional · 2026-09-02 · Redação Notícia ES

Governo quer urgência em relatório da União Europeia sobre controles sanitários das carnes brasileiras

Diplomacia brasileira busca acelerar conclusão de missão europeia para dar previsibilidade a frigoríficos e às cotas comerciais de 2027, em meio a exigências sanitárias sobre produção animal.

Governo quer urgência em relatório da União Europeia sobre controles sanitários das carnes brasileiras
Governo quer urgência em relatório da União Europeia sobre controles sanitários das carnes brasileiras

O governo brasileiro pretende pedir à União Europeia maior rapidez na conclusão do relatório de uma missão técnica que avalia os controles sanitários aplicados à produção animal no país. A expectativa é reduzir a incerteza para frigoríficos e exportadores antes da definição de cotas e condições comerciais previstas para 2027, especialmente no contexto das negociações entre Mercosul e União Europeia.

A informação foi divulgada pela CNN Brasil nesta quarta-feira, 2 de setembro. Segundo a reportagem, o relatório europeu pode levar até 60 dias para ser finalizado, prazo considerado longo por setores do governo e da iniciativa privada que precisam planejar contratos e adequações regulatórias para o próximo ano.

Questão sanitária ganhou peso nas negociações

Nos últimos meses, Brasil e União Europeia mantiveram discussões técnicas sobre critérios relacionados ao uso de antimicrobianos na produção animal. Em julho, o Ministério da Agricultura informou oficialmente que as tratativas continuavam em andamento e que o bloco europeu ainda não havia apresentado manifestação conclusiva sobre documentação encaminhada pelo governo brasileiro.

O ministério também afirmou que o Brasil não solicitou flexibilização das regras europeias e que pretende atender integralmente aos requisitos sanitários exigidos pelos mercados compradores. O país exporta produtos de origem animal para mais de 150 destinos e sustenta que seu sistema de inspeção e defesa agropecuária é reconhecido internacionalmente.

Previsibilidade comercial é preocupação central

A urgência pedida pelo governo tem dimensão comercial. O acordo Mercosul-União Europeia prevê cotas preferenciais para produtos agrícolas, incluindo carnes bovina, de aves e suína. A definição operacional dessas cotas e a situação sanitária dos estabelecimentos exportadores influenciam diretamente a capacidade das empresas de planejar produção, embarques e contratos.

Segundo informações oficiais do Siscomex, a União Europeia se comprometeu a liberalizar parcela relevante das linhas tarifárias do setor agrícola. Para a carne bovina, há previsão de cota de 99 mil toneladas com tarifas reduzidas; para carne de aves, a cota prevista é de 180 mil toneladas; e para carne suína, 25 mil toneladas em condições preferenciais.

Histórico recente teve avanços e restrições

A relação sanitária entre Brasil e União Europeia passou por episódios de tensão e reabertura de mercados. Em 2025, o bloco retomou importações de carne de frango e peru após restrições ligadas à influenza aviária. Também houve restabelecimento do chamado pre-listing para estabelecimentos brasileiros de aves e ovos, mecanismo que facilita habilitação de plantas exportadoras.

Em 2026, porém, novas exigências sobre controles de antimicrobianos voltaram a preocupar o setor. Entidades veterinárias e representantes da indústria defenderam que o Brasil mantém programas oficiais de monitoramento de resíduos e contaminantes e pediram uma solução técnica para evitar interrupções comerciais.

Relatório pode orientar próximos passos

O documento da missão europeia deverá apontar se os controles brasileiros são considerados suficientes e se haverá exigências adicionais. Dependendo das conclusões, o governo poderá precisar apresentar ajustes, comprovações ou cronogramas de adequação.

Por isso, a diplomacia brasileira quer receber o resultado com antecedência. O objetivo é evitar que empresas entrem em 2027 sem clareza sobre habilitações, volumes de exportação e exigências sanitárias. A negociação também se conecta à tentativa do governo de aproveitar as oportunidades comerciais do acordo Mercosul-União Europeia sem criar novos gargalos regulatórios.

Fontes