Governo reduz previsão de superávit comercial para US$ 84,4 bilhões
Revisão do Ministério do Desenvolvimento reflete a queda do petróleo, mas projeção ainda supera em 24% o saldo de 2025.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reduziu nesta terça-feira, 6, a previsão para o superávit da balança comercial brasileira em 2026. A estimativa passou de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, principalmente por causa da acomodação do preço do petróleo.
A Agência Brasil informou a revisão a partir dos dados oficiais do ministério. A Folha de S.Paulo, em reportagem específica publicada no mesmo dia com informações da Reuters, confirmou o novo valor e detalhou o desempenho de setembro, usado como uma das referências para avaliar o restante do ano.
Mesmo com o corte de US$ 5,6 bilhões na projeção, o saldo estimado permanece 24% acima dos US$ 68,1 bilhões registrados em 2025. Se confirmado, será o segundo maior superávit da série histórica, atrás apenas do resultado de 2023.
Petróleo altera projeção comercial
O ministério relacionou a mudança ao comportamento do petróleo. O barril chegou a US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, e depois recuou. A desaceleração foi incorporada ao modelo usado para estimar exportações e importações brasileiras.
A nova conta reduziu em US$ 11,9 bilhões a previsão para as exportações e em US$ 6,3 bilhões a projeção para as importações. A diferença entre esses dois ajustes explica a queda do superávit esperado. Ainda assim, as vendas externas devem crescer 9,8% sobre 2025, enquanto as compras do exterior podem avançar 6,4%.
O efeito do petróleo aparece dos dois lados da balança. O Brasil exporta óleo bruto e, ao mesmo tempo, importa derivados. Uma cotação mais baixa diminui o valor das mercadorias embarcadas, mas também reduz parte do custo das compras feitas pelo país.
Setembro trouxe um resultado forte: superávit de US$ 7,741 bilhões, alta de 146% em relação ao mesmo mês de 2025. O número ficou acima dos US$ 7,191 bilhões esperados por analistas ouvidos pela Reuters. As exportações somaram US$ 34,418 bilhões, e as importações chegaram a US$ 26,678 bilhões.
Saldo segue entre recordes
Petróleo bruto, soja, café não torrado e farelo de soja contribuíram para a expansão das exportações no mês. Em sentido contrário, carne bovina, minério de ferro e milho registraram queda nas vendas externas. A composição mostra que um saldo elevado não significa avanço uniforme de todos os produtos.
Esta foi a segunda revisão da estimativa em 2026. A projeção inicial apontava superávit de US$ 72,1 bilhões e foi elevada para US$ 90 bilhões em julho, antes de ser ajustada para US$ 84,4 bilhões. A sequência revela quanto o cálculo depende de preços internacionais e do ritmo de comércio nos últimos meses do ano.
Para alcançar a nova previsão, o país precisará acumular aproximadamente US$ 22 bilhões de saldo positivo entre outubro e dezembro. O valor é próximo dos US$ 21,8 bilhões obtidos no último trimestre de 2025, o que mantém a meta dentro de uma faixa compatível com o desempenho recente.
O resultado final ainda pode mudar com a cotação do petróleo, o volume exportado e a demanda dos principais parceiros comerciais. A revisão não altera o fato de que 2026 caminha para um superávit expressivo, mas reduz a margem em relação à estimativa divulgada no meio do ano.
Em resumo
O governo reduziu a estimativa de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões.
A principal razão foi a queda do preço do petróleo após o pico registrado em abril, o que diminuiu o valor projetado das exportações.
O saldo estimado para 2026 ainda é 24% superior aos US$ 68,1 bilhões obtidos em 2025.
O Brasil registrou superávit de US$ 7,741 bilhões, 146% acima do mesmo mês de 2025.
O país precisa acumular cerca de US$ 22 bilhões de superávit entre outubro e dezembro.