Política Nacional · 2026-10-20 · Redação Notícia ES

Governo tenta destravar PEC da Segurança antes do segundo turno

Camilo Santana pediu a Davi Alcolumbre uma negociação com a oposição para recolocar a PEC da Segurança Pública em votação antes do segundo turno das eleições.

Governo tenta destravar PEC da Segurança antes do segundo turno
Governo tenta destravar PEC da Segurança antes do segundo turno

O senador Camilo Santana (PT-CE) pediu nesta terça-feira (20) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que negocie com a oposição uma saída para votar a PEC da Segurança Pública antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). A proposta está fora da pauta desde a semana passada, quando novas emendas impediram um acordo.

A informação foi publicada pelo Poder360. Em confirmação adicional, a Agência Senado registra que Alcolumbre retirou a PEC 18/2025 da votação de 15 de outubro para evitar uma discussão apressada e permitir que os senadores construíssem entendimento sobre cinco emendas apresentadas em Plenário.

Segundo Santana, a conversa com Alcolumbre teve como objetivo impedir que a divergência sobre a maioridade penal bloqueie toda a proposta. O parlamentar, que também atua na coordenação da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que a votação ocorra ainda nesta semana.

Impasse envolve maioridade penal

Duas emendas concentram a disputa. Uma delas, apresentada pelo líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), reduz a idade de responsabilização penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em crimes específicos. A proposta de Santana mantém a regra geral de 18 anos, mas admite 16 anos para crimes hediondos.

O senador governista sustenta que a discussão sobre a idade penal pode tramitar separadamente. Ele citou a negociação feita na Câmara, onde o tema foi retirado do texto da PEC da Segurança antes da aprovação em março. Para o governo, repetir essa solução permitiria deliberar sobre a reorganização do sistema de segurança sem encerrar o debate sobre punição de adolescentes.

A oposição, por sua vez, trata a redução da maioridade como parte relevante da resposta ao crime violento. Esse conflito ganhou peso político na reta final da eleição presidencial. Como uma emenda aprovada pelo Senado obrigaria o texto a voltar à Câmara, qualquer alteração também amplia o tempo de tramitação.

Votação depende de acordo

A PEC 18/2025 amplia a integração entre União, estados e municípios, fortalece a coordenação federal contra o crime organizado e insere o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição. O texto já passou pela Câmara e concluiu sua análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 14 de outubro.

Para aprovar uma emenda constitucional, o Senado precisa reunir pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos. Alcolumbre havia autorizado um calendário especial para acelerar a deliberação, mas cancelou a votação depois de receber críticas ao rito e diante da falta de consenso sobre as emendas.

O apelo do governo não garante que a proposta volte imediatamente ao Plenário. A próxima etapa depende de Alcolumbre avaliar se há acordo suficiente entre as lideranças. Sem entendimento, o presidente do Senado pode manter o adiamento para evitar uma votação com risco de derrota ou de mudança substancial no texto.

Até a noite desta terça-feira, não havia anúncio oficial de nova data. A prioridade declarada por Santana é concluir a análise antes da votação presidencial de domingo, mas o calendário legislativo permanece condicionado à negociação entre governo e oposição.

Em resumo

O que o governo pediu a Davi Alcolumbre?

Camilo Santana pediu que o presidente do Senado negocie com a oposição para votar a PEC da Segurança Pública antes do segundo turno.

Por que a PEC saiu da pauta?

A votação foi adiada em 15 de outubro por falta de acordo sobre novas emendas e por críticas ao calendário especial de tramitação.

Qual é o principal ponto de conflito?

As bancadas divergem sobre emendas que reduzem a maioridade penal em diferentes situações.

O que muda com a PEC 18/2025?

A proposta amplia a integração dos entes federativos na segurança pública e fortalece a coordenação nacional contra o crime organizado.

Quando a proposta pode ser votada?

Ainda não há nova data oficial; a inclusão na pauta depende de um acordo entre governo, oposição e a Presidência do Senado.

Fontes