Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Grupos evangélicos do Rio declaram apoio a Lula, mas influência no segmento é restrita

Três organizações evangélicas fluminenses divulgaram manifesto favorável à reeleição do presidente e também apoiaram Benedita da Silva ao Senado; pesquisas ainda mostram vantagem de Flávio Bolsonaro entre evangélicos.

Grupos evangélicos do Rio declaram apoio a Lula, mas influência no segmento é restrita
Grupos evangélicos do Rio declaram apoio a Lula, mas influência no segmento é restrita

Três organizações evangélicas do Rio de Janeiro divulgaram um manifesto de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um movimento que busca ampliar a presença do petista em um segmento onde a direita continua majoritária. O documento foi divulgado na segunda-feira, 31 de agosto, e repercutido nesta terça, 1º de setembro.

Assinaram o manifesto a Associação das Igrejas e Templos Evangélicos de Médio e Pequeno Portes, a Associação de Mulheres Evangélicas com Cristo e Pela Vida e o Movimento Jesus Libertador. As entidades também declararam apoio à candidatura de Benedita da Silva (PT-RJ) ao Senado e ao nome do cantor gospel Kleber Lucas como suplente.

Manifesto cita programas sociais

No texto, os grupos associam políticas públicas do governo a valores cristãos ligados ao cuidado com os pobres e à proteção social. São citados programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular e Pé-de-Meia, além do Sistema Único de Saúde.

As entidades também elogiam medidas de reconhecimento institucional de eventos e datas ligadas ao segmento evangélico. O documento apresenta Lula como defensor da liberdade religiosa, da democracia e de políticas sociais voltadas às famílias de baixa renda.

Peso político é limitado

A Folha de S.Paulo, que revelou o manifesto, ressalta que as organizações têm influência restrita no universo evangélico fluminense. O apoio, portanto, não pode ser interpretado automaticamente como mudança ampla no comportamento eleitoral das igrejas ou dos fiéis.

O segmento evangélico é numeroso, diverso e não possui uma direção política única. Há diferenças entre denominações, lideranças nacionais, igrejas independentes e comunidades locais. Nos últimos ciclos eleitorais, porém, candidatos de direita mantiveram desempenho superior entre evangélicos.

Pesquisas ainda mostram vantagem de Flávio

O levantamento BTG/Nexus divulgado em 31 de agosto mostrou Flávio Bolsonaro com 43% das intenções de voto entre evangélicos, contra 27% de Lula. A diferença caiu em comparação com rodadas anteriores, mas continua expressiva.

Esse cenário ajuda a explicar o esforço do governo e da campanha petista para reconstruir pontes com líderes religiosos e organizações comunitárias. Lula tem buscado enfatizar políticas sociais, liberdade de culto e interlocução institucional com igrejas, enquanto seus adversários tentam associar o governo a pautas rejeitadas por parte do eleitorado conservador.

Disputa pelo voto religioso deve crescer

O peso dos evangélicos torna o segmento estratégico para todas as campanhas presidenciais. Além da votação para o Planalto, lideranças religiosas também exercem influência em disputas proporcionais e majoritárias nos estados.

No Rio de Janeiro, a declaração de apoio a Benedita da Silva acrescenta uma dimensão local ao movimento. A deputada tem longa trajetória política e mantém relação histórica com setores religiosos e movimentos sociais. A presença de Kleber Lucas na chapa também busca aproximar a candidatura de comunidades evangélicas.

Apoio institucional não equivale a voto automático

Especialistas em comportamento eleitoral costumam destacar que declarações de líderes ou organizações religiosas não se convertem integralmente em votos. Fiéis avaliam fatores como economia, segurança, valores morais, identificação partidária e desempenho dos candidatos.

O manifesto, portanto, deve ser entendido como mais um movimento na disputa por um eleitorado relevante, e não como sinal de realinhamento consolidado. As próximas pesquisas poderão mostrar se a aproximação de Lula com grupos evangélicos produz efeito mensurável além de iniciativas pontuais.

Fontes