Fé e Sociedade · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Haddad reúne evangélicos e ouve líderes de igrejas históricas em SP

Encontro com cerca de 25 pessoas reuniu batistas, metodistas e presbiterianos; organizadora ressaltou diversidade evangélica.

Haddad reúne evangélicos e ouve líderes de igrejas históricas em SP
Fernando Haddad participa de encontro com representantes evangélicos. Crédito: Adriana Ferraz/UOL.

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, realizou no sábado (19) sua primeira agenda de campanha dedicada ao diálogo com representantes evangélicos. O encontro reuniu cerca de 25 pessoas em um hotel no Jardim Paulista, na capital, a quinze dias do primeiro turno. Participaram integrantes de tradições batista, metodista e presbiteriana.

A reunião foi organizada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. Após uma abertura acompanhada pela imprensa, a conversa continuou reservada a pedido do candidato. Haddad afirmou ao final que ouviu compromisso com a democracia e que a agenda não representava uma mudança de estratégia de campanha.

A organizadora Valéria Zacarias do Nascimento Oliveira, apresentada como participante da Igreja Batista, disse que o campo evangélico é diverso e não possui um representante único. A observação é relevante num período em que campanhas tentam transformar identidade religiosa em bloco eleitoral homogêneo.

Disputa por um eleitorado plural

Pesquisa Datafolha citada pelo UOL indicava vantagem de Tarcísio de Freitas entre evangélicos: 59% a 20% sobre Haddad. O recorte ajuda a explicar a aproximação do petista, mas não autoriza projetar a preferência de cada igreja ou fiel. Amostras por religião têm margem de incerteza própria e mudam ao longo da campanha.

No mesmo sábado, Tarcísio participou de eventos em igrejas e de uma programação da Igreja Universal voltada à saúde mental de jovens. Também visitou a Batista Vida Plena e tinha compromisso na Igreja Quadrangular Árvore da Vida. A presença dos dois candidatos mostra que o segmento se tornou espaço central da disputa paulista.

Templos são considerados bens de uso comum para fins eleitorais, o que impõe limites à propaganda. Líderes religiosos podem manifestar opinião como cidadãos, mas campanhas e igrejas precisam observar regras sobre pedidos de voto, tratamento isonômico e uso da estrutura. Cada caso depende dos atos concretos, não apenas da presença de um político.

Fé não elimina divergência política

Batistas, metodistas, presbiterianos, pentecostais e igrejas independentes têm histórias, estruturas e ênfases diferentes. Mesmo dentro de uma denominação, fiéis divergem sobre economia, segurança, costumes e políticas sociais. Reduzir essa variedade a uma liderança nacional apaga a autonomia das comunidades locais.

A Constituição protege a liberdade de crença, de culto e a separação entre Estado e organizações religiosas. Isso permite que cidadãos motivados pela fé participem da política, mas impede que o poder público estabeleça uma religião oficial. Campanhas devem dialogar sem prometer privilégio institucional ou constranger consciências.

O que acompanhar

Nos próximos dias, será importante observar se o encontro produz compromissos públicos sobre liberdade religiosa, assistência social, educação e saúde mental. Também cabe verificar se outras correntes evangélicas terão acesso ao candidato e se propostas serão apresentadas por escrito, permitindo cobrança depois da eleição.

A reunião fechada pode favorecer franqueza, mas reduz a informação disponível ao eleitor. Um resumo dos temas debatidos, sem expor participantes, ajudaria a distinguir escuta programática de gesto eleitoral. Transparência é especialmente necessária quando campanhas reivindicam apoio de coletivos religiosos.

O encontro confirma que a presença evangélica na política seguirá relevante, mas não resolve a disputa. O voto é individual e secreto. Igrejas podem promover debates cívicos, desde que preservem a liberdade dos membros e cumpram a legislação. O desafio é transformar diálogo em propostas verificáveis, sem instrumentalizar púlpitos ou tratar milhões de pessoas como eleitorado uniforme.

Outro cuidado é distinguir apoio pessoal de endosso institucional. A presença de um pastor ou membro em reunião não significa que toda a denominação adotou candidatura. Igrejas históricas frequentemente possuem instâncias locais, regionais e nacionais com competências diferentes. Campanhas devem identificar corretamente quem participou e evitar divulgar símbolo, nome ou fotografia como se houvesse apoio coletivo não autorizado. Fiéis, por sua vez, têm liberdade para discordar de lideranças sem sofrer restrição a culto, sacramentos, funções comunitárias ou assistência espiritual.

Debates religiosos também devem evitar exposição de dados de fiéis ou pressão espiritual vinculada ao voto. O sigilo eleitoral protege a decisão individual, inclusive diante da família e da comunidade. Uma agenda saudável apresenta propostas e permite perguntas, sem prometer bênção, punição ou vantagem material pela escolha política. Denúncias de propaganda irregular podem ser encaminhadas à Justiça Eleitoral com provas.

Em resumo

Quem participou do encontro?

Cerca de 25 representantes, incluindo batistas, metodistas e presbiterianos.

Onde ocorreu?

Em um hotel no Jardim Paulista, em São Paulo.

Foi a primeira agenda de Haddad com evangélicos?

Sim, desde o início da campanha, segundo o UOL.

Evangélicos votam como bloco?

Não. O segmento é diverso em denominações e posições.

Campanha pode ocorrer em templo?

A legislação impõe limites porque templos são bens de uso comum para fins eleitorais.

Qual foi o tema declarado?

Diálogo, democracia e aproximação com comunidades evangélicas.

Fontes

  • UOL — agenda de Haddad com evangélicos
  • Datafolha — pesquisas eleitorais
  • TSE — propaganda eleitoral
  • Constituição Federal — liberdade religiosa