Haddad chama rótulo de PCC como terrorista de “questão menor” e prioriza estratégia de combate
Candidato ao governo paulista afirmou no Roda Viva que a denominação jurídica é secundária diante da necessidade de enfrentar a estrutura e as conexões internacionais do crime organizado.

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que considera uma “questão menor” a discussão sobre chamar o Primeiro Comando da Capital (PCC) de organização terrorista. A declaração foi dada na noite de segunda-feira (31), quando o ex-ministro tratava das conexões da facção para além das fronteiras paulistas e do debate internacional sobre crime organizado.
Haddad argumentou que o ponto central para a administração pública deve ser a capacidade de combater a organização criminosa, independentemente da classificação adotada. A fala ganhou repercussão porque o enquadramento de facções como organizações terroristas produz discussões jurídicas, diplomáticas e operacionais distintas das regras tradicionais de enfrentamento ao crime organizado.
Debate envolve efeitos jurídicos e cooperação internacional
A discussão sobre a classificação de grupos criminosos brasileiros como terroristas envolve questões que vão além da terminologia. Dependendo do ordenamento jurídico e da medida adotada, a designação pode afetar sanções financeiras, cooperação entre autoridades, bloqueio de ativos e mecanismos de investigação. No Brasil, crime organizado e terrorismo são disciplinados por legislações próprias, com conceitos e requisitos diferentes.
Na entrevista, Haddad procurou deslocar o foco para a efetividade da política de segurança. Ele mencionou que o PCC mantém conexões fora de São Paulo e no exterior, cenário que exige integração entre forças estaduais, órgãos federais e autoridades estrangeiras.
Segurança ocupa espaço central na disputa paulista
A segurança pública vem ganhando peso na campanha para o Palácio dos Bandeirantes. São Paulo abriga a maior população do país e enfrenta, além dos crimes patrimoniais e violentos, o desafio de organizações criminosas com capacidade financeira e logística interestadual.
Para o eleitor, a controvérsia coloca duas perguntas distintas. A primeira é qual enquadramento jurídico oferece instrumentos adequados contra facções. A segunda é quais políticas concretas cada candidato propõe para inteligência, investigação financeira, sistema prisional e cooperação policial. A declaração de Haddad deverá ser explorada por adversários, enquanto sua campanha tende a insistir que o resultado operacional do combate é mais relevante que o nome dado à organização.
A fala foi registrada pela Folha de S.Paulo a partir da entrevista do Roda Viva. A íntegra do programa é a referência primária para o contexto da declaração.