Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Haddad apresenta perícia sobre caso de motorista e contesta versão do governo Tarcísio

Laudo contratado pela campanha aponta movimentação de viatura por cerca de 20 minutos perto de hotel na zona sul de São Paulo; SSP afirma que apuração própria não encontrou abordagem irregular.

Haddad apresenta perícia sobre caso de motorista e contesta versão do governo Tarcísio
Haddad apresenta perícia sobre caso de motorista e contesta versão do governo Tarcísio

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou nesta segunda-feira, 31 de agosto, uma perícia contratada por sua campanha para contestar a versão divulgada pelo governo de Tarcísio de Freitas sobre um episódio envolvendo o motorista Alessandro Caseri e policiais militares. O laudo analisou imagens de câmeras próximas a um hotel na zona sul da capital e concluiu que uma viatura permaneceu na região por cerca de 20 minutos, em ponto parcialmente fora do campo de visão das gravações examinadas.

O episódio ocorreu em 11 de agosto, depois de Caseri deixar Haddad em casa. O motorista relatou que teria sido acompanhado de forma ostensiva por policiais e que, ao parar próximo ao Hotel Pullman, na Vila Mariana, teria ocorrido uma interação com agentes. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulgou posteriormente imagens e afirmou não ter identificado abordagem irregular no percurso analisado.

Laudo foi produzido a pedido da campanha

A perícia apresentada por Haddad foi assinada por dois peritos judiciais e teve como base imagens de quatro câmeras de estabelecimentos localizados na área do hotel. Nenhuma das gravações mostra de forma direta a suposta abordagem relatada pelo motorista. O documento sustenta, porém, que a movimentação registrada é compatível com a parada de uma viatura em trecho que não aparece integralmente nas imagens.

Segundo a análise divulgada pela campanha, um agente também teria circulado pela rua durante o intervalo. Haddad afirmou que o material enfraquece a versão de que a viatura apenas passou pelo local sem parar. A conclusão do laudo, entretanto, deve ser lida dentro de seu alcance: ele interpreta imagens disponíveis, mas não registra visualmente o momento exato da abordagem narrada por Caseri.

SSP diz que analisou cerca de 40 câmeras

A Secretaria da Segurança Pública apresentou uma versão diferente. A pasta informou que examinou imagens de aproximadamente 40 câmeras privadas ao longo do percurso indicado pelo motorista e consultou dados de localização das viaturas. Segundo a apuração preliminar, os policiais atuavam em diligência relacionada a suspeitos de furto de veículos e não foram encontrados indícios de procedimento irregular.

Um dos vídeos divulgados pelo governo mostra uma viatura passando ao lado do carro do motorista. A gravação não exibe policiais descendo do veículo ou realizando abordagem formal. A campanha de Haddad respondeu que a ausência do momento em uma câmera específica não elimina a possibilidade de que a interação tenha ocorrido mais adiante, fora do enquadramento.

Ministério Público Eleitoral arquivou representação, mas criticou explicação

O caso também chegou ao Ministério Público Eleitoral. O procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt decidiu arquivar a representação eleitoral apresentada pela campanha petista por entender que não havia elementos suficientes para caracterizar crime ou ilícito eleitoral. A conclusão não confirmou a acusação de abuso de poder político.

Ao mesmo tempo, segundo reportagem do UOL que teve acesso à manifestação, o procurador considerou pouco convincente a hipótese de simples coincidência entre a presença das viaturas e o deslocamento do motorista. Essa observação ajuda a explicar por que o arquivamento eleitoral não encerrou a controvérsia política nem outras apurações sobre a conduta dos agentes.

Polícia Civil ainda apura os fatos

Além da discussão eleitoral, o episódio permanece sujeito a apuração na esfera policial. A distinção é importante porque cada procedimento responde a uma pergunta diferente. O Ministério Público Eleitoral avaliou se havia elementos para uma infração ligada ao processo eleitoral; órgãos de segurança podem analisar eventual desvio funcional ou crime comum.

A SSP afirmou anteriormente que qualquer indício de irregularidade poderia levar ao aprofundamento da investigação. Haddad, por sua vez, declarou que continuará oferecendo assistência jurídica ao motorista e defendendo a análise de todas as imagens disponíveis.

Versões continuam em disputa

Até agora, não há gravação pública que mostre de maneira inequívoca a abordagem descrita pelo motorista. Há, de um lado, o relato de Caseri e a perícia contratada pela campanha, que identifica uma parada da viatura nas proximidades do hotel. De outro, existe a apuração divulgada pela SSP, baseada em conjunto maior de câmeras e dados operacionais, que não encontrou prova de abordagem irregular.

Esse cenário exige cautela. O laudo apresentado pela campanha é uma peça técnica relevante, mas foi encomendado por uma das partes interessadas e pode ser contestado. A apuração administrativa do governo também é produzida por órgãos subordinados ao Executivo estadual, circunstância que reforça a importância de avaliações independentes e do acesso às imagens originais.

Impacto eleitoral amplia repercussão

A disputa ocorre durante a campanha ao Palácio dos Bandeirantes, na qual Haddad enfrenta Tarcísio de Freitas. Por isso, um episódio que poderia permanecer restrito à apuração policial ganhou dimensão eleitoral e passou a integrar a troca de acusações entre governo e oposição.

Para o eleitor, o ponto central permanece factual: o motorista afirma ter sido alvo de conduta ostensiva de policiais; o governo diz que as evidências examinadas não confirmam irregularidade; a perícia da campanha sustenta que uma viatura parou em local não coberto integralmente pelas câmeras; e a representação eleitoral foi arquivada por falta de elementos para caracterizar ilícito eleitoral. A conclusão definitiva depende das apurações ainda em curso e de eventuais novas imagens ou documentos.

Fontes