Homem é preso em Guarapari suspeito de abusar da filha, enteada e vizinha quando eram crianças
Suspeito de 47 anos foi preso temporariamente após denúncia apresentada pela própria filha. Polícia Civil apura relatos de três jovens e também investiga ameaças feitas depois da revelação do caso.

Um homem de 47 anos foi preso temporariamente em Guarapari, no Espírito Santo, suspeito de ter cometido abusos sexuais contra a própria filha, uma enteada e uma vizinha quando as três ainda eram crianças. A investigação ganhou força depois que a filha do suspeito procurou a Delegacia Especializada de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso de Guarapari em 15 de agosto e apresentou denúncia formal. A prisão ocorreu no dia 21 de agosto e os detalhes foram divulgados pela Polícia Civil nesta terça-feira, 1º de setembro.
Segundo a apuração policial divulgada à imprensa, as três jovens têm hoje entre 18 e 19 anos e relataram fatos que teriam acontecido aproximadamente dez anos atrás. A Polícia Civil ouviu as vítimas separadamente e informou que os relatos apresentaram pontos convergentes, elemento que passou a integrar a análise do inquérito. O caso ainda está em investigação e o suspeito não pode ser tratado como culpado antes de eventual condenação judicial definitiva.
Denúncia da filha abriu nova fase da investigação
De acordo com a Polícia Civil, a denúncia feita pela filha desencadeou diligências para localizar outras possíveis vítimas e reunir elementos de prova. A partir do primeiro depoimento, os investigadores ouviram a enteada e a vizinha citadas no relato. O delegado responsável informou que os depoimentos continham descrições compatíveis sobre a dinâmica dos abusos, embora os detalhes estejam preservados para proteger as vítimas.
A investigação também apura a conduta do suspeito após tomar conhecimento da denúncia. Segundo a polícia, ele teria enviado mensagens intimidatórias às jovens, inclusive com a imagem de uma carabina de pressão calibre 5,5 milímetros. Para os investigadores, o envio da imagem, dentro do contexto de ameaça, era capaz de causar temor nas vítimas, independentemente de se tratar ou não de uma arma de fogo.
Polícia diz que suspeito planejava deixar o Estado
O homem é natural do Maranhão e vivia em Guarapari havia cerca de duas décadas. Conforme a investigação, depois de descobrir que havia sido denunciado, ele teria demonstrado intenção de retornar ao Estado de origem. A prisão temporária foi cumprida justamente no dia em que ele pediu demissão do emprego, informação que, segundo a polícia, foi confirmada pelo empregador.
Além da prisão, foi cumprido mandado de busca e apreensão. A medida busca preservar elementos que possam esclarecer os fatos, inclusive aparelhos eletrônicos e comunicações relacionadas às suspeitas de ameaça. A prisão temporária tem natureza cautelar e não representa antecipação de pena.
Casos antigos podem ser denunciados
A divulgação do caso reforçou um ponto destacado pela Divisão Especializada de Atendimento à Mulher: vítimas de violência sexual podem procurar as autoridades mesmo quando o fato ocorreu anos antes. Em crimes contra crianças e adolescentes, a apuração pode depender de relatos posteriores, documentos, registros de comunicação, testemunhas e outros elementos capazes de reconstruir a situação.
A rede pública de proteção inclui delegacias especializadas, Ministério Público, Conselho Tutelar e serviços de assistência. Em situações de risco imediato, a orientação é procurar a polícia. O Disque 100 também recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive contra crianças e adolescentes.
O inquérito deverá agora reunir os depoimentos, o material apreendido e os registros das ameaças mencionadas pelas vítimas. Ao final, a Polícia Civil poderá indiciar ou não o investigado, e caberá ao Ministério Público avaliar eventual denúncia à Justiça.