Horário eleitoral começa no ES e abre nova fase da disputa pelo Palácio Anchieta e Senado
Rádio e televisão passam a exibir a propaganda gratuita nesta sexta-feira; no Espírito Santo, a estreia coloca governo, Senado e Assembleia no centro da grade eleitoral.

A campanha eleitoral de 2026 entrou nesta sexta-feira, 28 de agosto, em uma etapa de maior alcance no Espírito Santo com o início da propaganda gratuita no rádio e na televisão. A partir de agora, candidaturas ao governo, Senado e Assembleia Legislativa passam a disputar atenção em blocos de rede e inserções distribuídas pela programação, dentro de um calendário que seguirá até 1º de outubro no primeiro turno.
O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo confirmou que os programas em rede serão exibidos em dois blocos diários. No rádio, a veiculação ocorre pela manhã e ao meio-dia. Na televisão, os horários previstos são 13h e 20h30. A Justiça Eleitoral também reservou espaço para inserções curtas ao longo da programação, ampliando a presença das campanhas para além dos programas em bloco.
A estreia desta sexta tem peso especial no cenário capixaba. Segundas, quartas e sextas-feiras são destinadas às candidaturas a governador, senador e deputado estadual. Terças, quintas e sábados ficam reservados à disputa presidencial e à Câmara dos Deputados. Com isso, a corrida pelo Palácio Anchieta, pelas duas vagas ao Senado e pelas 30 cadeiras da Assembleia entra diretamente na rotina de quem acompanha rádio e TV.
Tempo de televisão vira ativo estratégico
A propaganda gratuita costuma ser uma das ferramentas mais valiosas para candidaturas que precisam ampliar conhecimento, reduzir rejeição ou apresentar propostas a públicos que não acompanham redes sociais e cobertura política diariamente. No Espírito Santo, esse efeito ganha importância em uma eleição com disputas competitivas tanto para o governo quanto para o Senado.
O TRE-ES informou que a divisão dos tempos e a ordem de exibição foram definidas em reunião com partidos, federações, coligações e emissoras. O procedimento utilizou o Sistema Horário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, alimentado com dados oficiais das candidaturas registradas.
O resultado foi consolidado em um Plano de Mídia. Esse documento organiza a distribuição do tempo entre as legendas, define a ordem dos programas e serve de referência técnica para as emissoras responsáveis pela transmissão.
Na prática, o tempo disponível não é igual para todas as candidaturas. A legislação considera a representação partidária e as regras aplicáveis às coligações e federações. Por isso, candidatos apoiados por alianças maiores tendem a dispor de mais segundos ou minutos para se apresentar, enquanto campanhas com menor representação precisam concentrar mensagens em espaços reduzidos.
Primeiros programas tendem a priorizar apresentação
A coluna Plenário, do Tribuna Online, apontou que as campanhas de Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Helder Salomão preparavam uma estreia centrada principalmente em apresentação pessoal, trajetória política e associação com os grupos que representam. A informação é um retrato da estratégia relatada pelo veículo, e não uma regra imposta pela Justiça Eleitoral.
Esse movimento é comum no início do horário gratuito. Campanhas procuram fixar nome, biografia, número e identidade política antes de avançar para comparações mais duras com adversários. Ao longo das próximas semanas, a tendência é que a propaganda também passe a explorar propostas, entregas administrativas, críticas, alianças e diferenças ideológicas.
No caso do governo estadual, a televisão oferece a Ricardo Ferraço a possibilidade de defender a continuidade da gestão e associar sua candidatura ao ciclo administrativo iniciado com Renato Casagrande. Para Pazolini, o espaço permite ampliar para todo o Estado uma imagem construída durante sua passagem pela Prefeitura de Vitória. Helder Salomão, por sua vez, pode usar a exposição para reforçar sua trajetória parlamentar e a ligação com o presidente Lula.
Essas linhas de campanha são inferidas a partir das estratégias públicas e das informações divulgadas pelos próprios grupos e pela imprensa. O conteúdo efetivamente exibido deve ser avaliado programa a programa.
Senado ganha sete minutos por bloco
A eleição de 2026 renova dois terços do Senado. Por isso, a Justiça Eleitoral destinou sete minutos dos blocos estaduais ao cargo de senador. Nove minutos ficam com as candidaturas ao governo e outros nove com a disputa para deputado estadual ou distrital, conforme a organização divulgada pelo TRE-ES.
A distribuição cria uma vitrine relevante para uma corrida ao Senado que reúne nomes conhecidos da política capixaba e candidatos que ainda buscam ampliar reconhecimento. Como cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado, a propaganda pode influenciar tanto a definição do primeiro voto quanto a escolha da segunda opção.
Campanha também está submetida às regras de IA
O TSE destacou que a propaganda de 2026 ocorre sob regras específicas para o uso de inteligência artificial. A legislação eleitoral e as resoluções da Corte estabelecem deveres de transparência e restrições a conteúdos manipulados capazes de enganar o eleitor, especialmente quando simulam voz, imagem ou fala de pessoas reais.
As campanhas também precisam observar as regras gerais de propaganda, direito de resposta, identificação de material eleitoral e limites para conteúdos ilícitos. A existência de horário gratuito não afasta a responsabilidade das candidaturas pelo que veiculam.
Da rua para a sala de casa
A campanha nas ruas e na internet já estava autorizada desde 16 de agosto. A entrada do rádio e da televisão amplia a escala da disputa porque alcança eleitores fora das bolhas digitais e coloca as mensagens eleitorais em horários previsíveis ao longo de 35 dias.
Para as campanhas capixabas, começa agora uma fase em que segundos de televisão passam a ser tratados como recurso eleitoral escasso. Para o eleitor, a estreia oferece uma oportunidade de comparar biografias, propostas e alianças com mais frequência. A diferença entre propaganda e informação, porém, continua essencial: programa eleitoral é comunicação produzida pelas próprias campanhas e deve ser lido como tal.