Política ES · 2026-08-29 · Redação Notícia ES

Horário eleitoral no ES começa com Ferraço vendendo continuidade, Pazolini falando em paz e Helder se apresentando como o nome de Lula

A estreia da propaganda para o Palácio Anchieta já deixou as três apostas à mostra: Ferraço precisa amarrar seu nome a Casagrande, Pazolini tenta exportar Vitória para o Estado e Helder Salomão entra para se apresentar ao eleitor capixaba.

Horário eleitoral no ES começa com Ferraço vendendo continuidade, Pazolini falando em paz e Helder se apresentando como o nome de Lula
Horário eleitoral no ES começa com Ferraço vendendo continuidade, Pazolini falando em paz e Helder se apresentando como o nome de Lula

O horário eleitoral para governador do Espírito Santo começou com as três campanhas principais já desenhadas. Ricardo Ferraço (MDB) usa o maior tempo de televisão para se apresentar como continuidade do governo Renato Casagrande. Lorenzo Pazolini (Republicanos) entra com o lema da paz e a promessa de repetir em escala estadual o que fez como prefeito de Vitória. Helder Salomão (PT) precisa, antes de qualquer outra coisa, se apresentar e colar sua candidatura à figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A leitura foi feita neste sábado (29) pelo comentarista Eduardo Maia, no programa da TV Tribuna/Band Eleições. O Notícia ES cruzou a análise da estreia com o quadro oficial da disputa e com as pesquisas divulgadas nesta semana.

Por que um candidato fala mais que o outro

O tempo de rádio e televisão não é dividido por igualdade entre nomes. Ele segue o tamanho da coligação. Ferraço, candidato à reeleição e atual governador desde abril, quando Casagrande deixou o cargo para disputar o Senado, reúne mais partidos e, por isso, aparece mais. Helder concorre pela Federação Brasil da Esperança. Pazolini disputa pelo Republicanos.

Na fala da TV, o comentarista chegou a associar Pazolini ao PL. O quadro oficial da eleição, no entanto, registra Lorenzo Pazolini no Republicanos. A diferença importa porque o tempo de tela, o palanque e a identidade partidária da campanha não são os mesmos.

Ferraço: o futuro como nome da continuidade

A coligação de Ferraço se chama “Agora é o Futuro”. A mensagem é direta: o futuro começa agora se ele permanecer no Palácio Anchieta. O ponto que mais chamou atenção no primeiro programa, segundo a análise da Band, foi a abertura com Renato Casagrande (PSB).

A campanha precisa resolver um problema concreto. Parte do eleitorado capixaba ainda não associou Ferraço a Casagrande. O atual governador foi vice na gestão anterior e assumiu o cargo em abril. No começo da peça, imagens de obras dos últimos anos passam na tela enquanto a narração reforça que Ferraço também fez parte daquele governo.

A lógica é simples. Enquanto Helder precisa mostrar que é o candidato de Lula, Ferraço precisa mostrar que é o candidato de Casagrande. O ex-governador aparece como o principal cabo eleitoral da reeleição.

Pazolini: paz no nome e Vitória como vitrine

Pazolini estreou com o lema “Paz para o Novo Tempo”. O “paz” funciona como jogo com o próprio sobrenome. A proposta central é levar para o Estado o modelo que ele defende ter aplicado na capital.

Ex-prefeito de Vitória, ele teve um mandato completo e outro interrompido para entrar na disputa estadual. A campanha trata a prefeitura como prova de gestão e tenta transformar reconhecimento municipal em voto para o governo.

Helder: se apresentar e carregar Lula

Helder Salomão, ex-prefeito de Cariacica e deputado federal, entra numa posição diferente. Precisa se apresentar ao eleitor que ainda não o enxerga como opção para o Palácio Anchieta. O primeiro programa mistura trajetória, imagem de família e a presença de Lula.

A estratégia petista, na leitura da TV, é fazer o capixaba entender que Helder é o candidato de Lula no Espírito Santo. Isso traz alcance e também o desgaste da marca nacional. Em pesquisas recentes, o petista aparece em terceiro, bem atrás da dupla da frente.

A disputa que a propaganda encontra

As pesquisas da última semana mostram uma eleição apertada no topo. Na Quaest, Ferraço apareceu com 35% e Pazolini com 28%, com Helder em 10%. Na Paraná Pesquisas, Pazolini teve 39% e Ferraço 38,2%, empate técnico. No Real Time Big Data, Ferraço liderou com 42% contra 33% de Pazolini.

Os números não coincidem no primeiro lugar, mas coincidem no desenho: dois candidatos brigam pela liderança e o PT tenta crescer a partir de um patamar menor. O horário eleitoral começa exatamente quando muita gente ainda não fechou o voto. A campanha vai até 3 de outubro. A eleição é no dia 4.

A estreia tornou o cenário visível. Ferraço precisa transformar a associação com Casagrande em voto próprio. Pazolini precisa convencer o interior de que Vitória é um modelo para o Estado inteiro. Helder precisa ampliar seu reconhecimento entre os eleitores. Os próximos programas vão mostrar se essas apostas se sustentam ou se alguém muda o tom.

Fontes da apuração

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