IA ajuda na pesquisa, mas não substitui confiança na compra
Pesquisa mostra que 87% pretendem usar inteligência artificial na Black Friday, porém só 15% deixariam a ferramenta escolher a loja ou o vendedor.

A inteligência artificial deverá ser usada por 87% dos consumidores consultados pelo Reclame AQUI durante a Black Friday de 2026. A adesão se concentra em pesquisa de produtos, comparação de modelos e busca de preços; apenas 15% aceitariam que a ferramenta escolhesse a loja ou o vendedor.
A Veja publicou os resultados nesta terça-feira (29). O levantamento ouviu 2.161 consumidores no site do Reclame AQUI entre 21 e 26 de agosto, com nível de confiança informado de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. Um guia oficial da plataforma também alerta para golpes produzidos com IA e confirma a dificuldade de identificar ofertas falsas.
Entre os entrevistados que pretendem recorrer à tecnologia, 46% afirmam que farão uso pontual e 41% dizem que a utilizarão intensamente. Só 4% seguiriam uma recomendação sem conferir outras informações, sinal de que conveniência e confiança ainda ocupam funções diferentes na decisão.
Comparar especificações técnicas e modelos é a finalidade mais citada, por 71%. Outros 44% querem procurar cupons e preços mais baixos. A ferramenta reduz o tempo gasto para reunir dados, mas o consumidor continua responsável por verificar se a oferta, a loja e as condições de pagamento são legítimas.
Ferramenta ajuda na pesquisa
Assistentes de IA conseguem resumir características, montar tabelas de comparação e sugerir perguntas antes da compra. Essa capacidade é útil quando há muitas versões do mesmo produto, diferenças pequenas de configuração ou promoções distribuídas por vários sites.
O resultado depende, porém, das informações consultadas pelo sistema. Preço desatualizado, anúncio patrocinado, estoque inexistente ou descrição errada podem contaminar a resposta. Uma recomendação apresentada com segurança verbal não equivale a garantia de exatidão comercial.
Preço continua como o fator de escolha mais citado, por 67% dos participantes. Reputação da empresa aparece com 28%, segurança da navegação com 26%, frete com 25%, avaliações de consumidores com 22% e condições de pagamento com 20%.
Roupas e calçados lideram as intenções de compra, com 29%, seguidos por eletrônicos, com 28%, e eletrodomésticos ou eletroportáteis, com 25%. Casa e decoração registram 21%, enquanto viagens são mencionadas por 14% dos entrevistados.
Reputação ainda decide pagamento
Se uma loja recomendada pela IA tiver reputação ruim no Reclame AQUI, 64% dizem que abandonarão a sugestão. Preço baixo demais acende alerta para 43%; direcionamento a site desconhecido preocupa 38%; e exigência exclusiva de Pix ou boleto leva 31% a desconfiar.
O receio aumenta porque fraudadores também usam inteligência artificial para criar anúncios, páginas clonadas e imagens convincentes. Na pesquisa, 88% declararam muito medo desse tipo de golpe, enquanto 63% reconheceram não conseguir identificar quando uma oferta falsa foi produzida com IA.
Esses percentuais não significam que toda recomendação automática seja perigosa. Eles mostram que a tecnologia pode acelerar a busca sem assumir responsabilidade pelo pós-venda, pela entrega ou pelo reembolso. A relação jurídica da compra continua com fornecedor, intermediador e consumidor.
Para reduzir risco, o comprador deve abrir o endereço oficial da empresa por conta própria, conferir histórico de preços, reputação, prazo, política de troca e beneficiário do pagamento. Links fornecidos por um assistente merecem a mesma verificação aplicada a anúncios recebidos por mensagem.
A Black Friday poderá ampliar o uso de IA como uma camada de pesquisa, não como substituta do julgamento. O principal dado do levantamento está nessa fronteira: a maioria aceita ajuda para encontrar opções, mas poucos entregam ao algoritmo a decisão final sobre onde gastar.
Em resumo
O levantamento aponta que 87% pretendem usar a tecnologia durante as compras.
Apenas 15% aceitariam que a ferramenta escolhesse a loja ou o vendedor.
Comparar especificações e modelos foi a finalidade mais citada, por 71% dos entrevistados.
Reputação ruim faria 64% abandonarem uma recomendação apresentada pela IA.
O Reclame AQUI ouviu 2.161 consumidores entre 21 e 26 de agosto.