IA amplia janela de análise do risco de crédito
Gestora reuniu uma década de informações em um banco próprio para detectar mudanças de inadimplência e outros sinais fora do padrão em fundos de crédito.

A Valora Investimentos passou a usar inteligência artificial para comparar indicadores atuais de fundos de crédito com séries históricas de até dez anos. O sistema procura desvios de inadimplência e outros comportamentos fora do padrão antes que os casos sejam examinados pela equipe de gestão.
O InfoMoney descreveu a aplicação neste sábado (24), em entrevista com o fundador da gestora, Daniel Pegorini. Conteúdos anteriores da XP confirmam a atuação da empresa em fundos de direitos creditórios e a prática de monitorar continuamente os portfólios, especialmente em períodos de maior risco.
A pauta é de Tecnologia porque o fato principal está no uso de modelos computacionais e de um repositório estruturado de dados para apoiar decisões. A ferramenta não compra ativos sozinha: ela organiza informações, compara períodos e produz alertas que precisam ser interpretados por profissionais.
Histórico amplia leitura dos desvios
Segundo Pegorini, o banco proprietário acompanha mais de 50 indicadores de mais de 150 fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs. Reunidas em um data lake, essas informações permitem analisar um dado recente diante do comportamento do mesmo veículo ao longo de vários ciclos.
Uma alta de inadimplência, por exemplo, pode ter significados diferentes conforme a carteira, a época do ano e o histórico do fundo. O alerta automatizado funciona como ponto de partida: identifica a mudança e leva o caso à equipe, que avalia causas, documentos e possíveis impactos.
A mesma lógica é aplicada às debêntures. A gestora informou que o agente acompanha o comportamento dos títulos nos 180 dias anteriores e sinaliza movimentos que saiam dos parâmetros definidos. Os alertas entram na reunião semanal, onde recebem análise humana.
Esse cuidado é relevante porque operações de crédito estruturado podem permanecer na carteira por quatro ou cinco anos. Depois da seleção e da estruturação, a gestora ainda precisa acompanhar pagamentos, garantias e condições que sustentaram a decisão inicial.
Governança mantém decisão humana
A Valora distribuiu profissionais de ciência de dados e programação entre áreas de renda fixa, crédito estruturado, imobiliário, agronegócio e infraestrutura. A proximidade com cada equipe permite desenvolver ferramentas ajustadas aos diferentes ativos em vez de impor um único modelo para toda a empresa.
Compliance, risco e critérios ambientais, sociais e de governança permanecem sob supervisão centralizada. Essa estrutura busca limitar o acesso inadequado a dados pessoais, revisar o uso das ferramentas e evitar que uma indicação automática seja tratada como decisão definitiva.
A gestora informou ter cerca de R$ 36 bilhões sob administração e duas décadas de atuação. Documento oficial de uma oferta divulgado em 2026 registrava R$ 29,7 bilhões em abril, mostrando que os valores variam conforme a data de referência e não devem ser interpretados como medida permanente.
Para o investidor, a adoção da IA não elimina risco de crédito nem garante rentabilidade. O ganho operacional está em examinar mais dados, reconhecer desvios com rapidez e dar aos analistas uma base histórica maior. A qualidade da decisão final continua dependendo das informações utilizadas, dos controles internos e do julgamento humano.
Em resumo
Ela compara indicadores recentes com séries históricas e sinaliza movimentos fora do padrão para análise da equipe.
A gestora informou monitorar mais de 50 indicadores de mais de 150 FIDCs em seu banco proprietário.
Não. Os alertas são levados aos profissionais, que avaliam causas, riscos e documentos antes de decidir.
As séries de FIDCs podem alcançar dez anos; para debêntures, o agente observa os 180 dias anteriores.
Não. Ela amplia a capacidade de monitoramento, mas não garante rentabilidade nem substitui controles e julgamento humano.