IA e memes disputam atenção na reta final eleitoral
Campanhas de Lula e Flávio ampliam o uso de montagens, cultura pop e canais do WhatsApp na véspera do segundo turno.

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro intensificaram nesta reta final do segundo turno o uso de memes, montagens com inteligência artificial e referências da cultura pop. O material circula principalmente nas redes sociais e em grandes canais de transmissão do WhatsApp.
O Metrópoles mostrou neste sábado (24) como as duas mobilizações adaptaram candidatos e aliados a cenas de clipes, programas de auditório e reality shows. O UOL confirmou a dimensão dos canais: o “Exército do Lula” tinha pouco mais de 8 milhões de inscritos na manhã de quinta-feira (22), enquanto a “Tropa do Flávio” reunia cerca de 2,1 milhões.
Os números mudam rapidamente. Na tarde de sexta-feira (23), o levantamento do Metrópoles apontava 9,8 milhões no canal coordenado por André Janones e 2,1 milhões naquele associado a Nikolas Ferreira. A diferença mede o tamanho das listas, mas não prova sozinha alcance efetivo, persuasão ou intenção de voto.
Campanhas convertem humor em alcance
O meme reduz uma disputa complexa a uma imagem, uma frase ou uma cena reconhecível. Por isso, chega a públicos que normalmente não assistem a discursos longos ou entrevistas. Na prática, entretenimento e propaganda passam a ocupar o mesmo espaço na tela do celular e podem atravessar grupos políticos já consolidados.
A inteligência artificial acelera o processo. Ferramentas de geração e edição permitem trocar cenários, sincronizar falas, imitar formatos populares e produzir muitas versões de uma peça em poucos minutos. Essa escala favorece a experimentação, mas também dificulta identificar quem criou o conteúdo e quais elementos foram alterados.
Nem toda montagem é uma tentativa de enganar. Paródias evidentes fazem parte do debate público e podem ser reconhecidas como humor. O risco cresce quando rosto, voz ou circunstância são manipulados para atribuir ao candidato uma declaração inexistente, especialmente se a publicação omite que o material foi produzido ou modificado por tecnologia.
Engajamento cobra transparência digital
O uso eleitoral da tecnologia também colocou a Meta sob escrutínio. Testes e reclamações sobre a geração de peças políticas no WhatsApp levantaram dúvidas sobre tratamento desigual, enquanto a empresa alegou falhas técnicas e negou preferência partidária. Sem acesso a dados completos, não é possível transformar suspeita em conclusão sobre favorecimento.
A regra precisa valer para os dois lados. Se uma ferramenta aceita determinada montagem lícita para Flávio, deve aplicar o mesmo critério a Lula; se bloqueia uma categoria de conteúdo por segurança, a restrição precisa ser clara, verificável e equivalente. Plataformas não podem mudar a régua conforme o nome digitado pelo usuário.
Eleitores também precisam separar popularidade digital de verdade factual. Muitos compartilhamentos podem resultar de coordenação, curiosidade ou humor, não de concordância. Antes de repassar uma fala chocante, a verificação deve buscar a gravação original, a data, a circunstância e eventual aviso de conteúdo sintético.
Depois da eleição, canais, campanhas e plataformas deverão explicar como mediram alcance e moderaram materiais criados por IA. Memes continuarão na política, mas sua legitimidade dependerá de autoria identificável, transparência sobre manipulações e aplicação uniforme das regras tecnológicas.
Em resumo
Ferramentas de geração e edição passaram a produzir rapidamente memes, paródias e montagens com candidatos e referências da cultura pop.
Os principais canais citados são o “Exército do Lula”, coordenado por André Janones, e a “Tropa do Flávio”, associada a Nikolas Ferreira.
Levantamentos recentes indicaram mais de 8 milhões no canal pró-Lula e aproximadamente 2,1 milhões no canal pró-Flávio, com números em rápida mudança.
Não. Paródias evidentes podem ser humor; o problema surge quando a manipulação atribui fatos ou falas falsas sem identificação.
É necessário buscar a gravação original, verificar data e circunstância e procurar avisos de que o conteúdo foi gerado ou alterado por IA.