Ibaneis Rocha tratou da compra do Banco Master pelo BRB
Ao Correio, ex-governador afirma que foi convencido a fechar o negócio por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco distrital

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha tratou da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nas conversas que fazem parte da investigação da Operação Compliance Zero, Ibaneis envia a Vorcaro uma liminar impetrada na Justiça para viabilizar o negócio, além de um decreto sobre a negociação.
Contexto
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Nos diálogos, por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas, Ibaneis combina encontros presenciais com o dono do Master. O conteúdo das mensagens foi publicado pelo jornalista Mino Pedrosa, do site Fatos Online, e confirmada ao Correio por fontes na Polícia Federal. O negócio entre BRB e Master foi aprovado pelo então governador e pela Câmara Legislativa, mas não se concretizou porque o Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central.
Vorcaro — preso no 19º Batalhão da Polícia Militar, em São Sebastião — já tinha confirmado, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que teve encontros com Ibaneis. A maioria das reuniões ocorreu na residência do executivo, no Lago Sul.
Desdobramentos
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa — também preso — é acusado de ter negociado a compra de títulos podres do Master pelo banco distrital em troca de propina milionária, que seria recebida principalmente por meio de imóveis de luxo em São Paulo.
Procurado pelo Correio , Ibaneis confirmou a existência das mensagens, mas disse que o contato foi institucional e jurídico. Ele alegou que foi convencido por Paulo Henrique Costa a concretizar a venda. "A mensagem é um print de uma conversa que tive com outra pessoa e demonstra uma atuação institucional no campo político e jurídico em uma época que estávamos todos convencidos pelo Paulo Henrique que seria um excelente negócio para o BRB e para Brasília", argumentou. Procurada, a defesa de Paulo Henrique Costa disse que se manifestará oportunamente.
De acordo com fontes no Supremo, ouvidas pelo Correio sob a condição de anonimato, a Polícia Federal não enviou ao gabinete do ministro André Mendonça trechos relevantes da investigação da Operação Compliance Zero, inclusive as mensagens trocadas entre Ibaneis e Vorcaro. Além disso, também não foram remetidos à Corte diálogos que envolvem magistrados do STF, como trechos em que é citado o ministro Nunes Marques. Ele teria sido beneficiado com hospedagem em hotéis, entradas em camarotes de shows internacionais e aluguel de uma casa de luxo.
Em outras mensagens, existe a citação a eventual mesada de R$ 500 mil a Kevin Marques, filho do ministro do STF. Nunes Marques negou que o filho tenha prestado serviço ao banco de Vorcaro. Ele também refutou ter qualquer relação pessoal com o empresário, mas se declarou impedido de julgar uma petição no tribunal que avalia se a Corte abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, que aparece em supostas mensagens trocadas com o Vorcaro — além disso, a esposa dele, Viviane Barci, firmou contrato milionário com o Master. No caso de Moraes, as mensagens foram encaminhadas pela PF e provocaram uma crise sem precedentes na Corte.
Também não foram enviados a Mendonça, de acordo com essas fontes, trechos de diálogos revelados pela investigação que citam o ministro Dias Toffoli. Ele era relator do processo do Master, mas deixou o caso em meio a citação relacionada ao contrato de uma empresa da família dele com o banco. Toffoli saiu da relatoria após uma reunião administrativa que decidiu não avançar com diligências mirando o magistrado.
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Repórter de política, setorista do Supremo Tribunal Federal (STF). Vencedor do Prêmio CNT de Jornalismo, possuí passagens pelo SBT, Record/R7 e está entre os jornalistas mais influentes do Twitter no Brasil.
Jornalista, 29 anos, formada na Universidade de Brasília (UnB), repórter da coluna Brasília-DF e das editorias de política, economia e Brasil
Em resumo
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha tratou da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nas conversas que fazem parte da investigação da Operação Compliance Zero, Ibaneis envia a Vorcaro uma liminar impetr
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Nos diálogos, por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas, Ibaneis combina encontros presenciais com o dono do Master. O conteúdo das mensagens foi publicado pelo jornalista Mino Pedrosa, do site Fatos Online, e confirmada ao Correio por fontes na Polícia Federal. O negócio entre BRB e Master foi aprovado pelo ent&at
Vorcaro — preso no 19º Batalhão da Polícia Militar, em São Sebastião — já tinha confirmado, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que teve encontros com Ibaneis. A maioria das reuniões ocorreu na residência do executivo, no Lago Sul.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa — também preso — é acusado de ter negociado a compra de títulos podres do Master pelo banco distrital em troca de propina milionária, que seria recebida principalmente por meio de imóveis de luxo em São Paulo.