Ibovespa chega à 6ª baixa seguida, com novo temor sobre fiscal; dólar vai a R$ 5,48
Acompanhe o que movimenta a bolsa, ações, dólar, juros e commodities nos negócios do pregão desta terça-feira (03).

Índices nos EUA terminam mistos com eleições de meio de mandato no radar
Dados e contexto do setor
Novembro começou como terminou outubro, com queda ampla do Ibovespa e preocupações renovadas. O primeiro pregão do mês , que chega após o feriado prolongado de Finados, acabou com baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, um recuo de 2.392,88 pontos .
Claro que uma simples rotação da Terra no próprio eixo não faria o Ibovespa renascer, porque os problemas que afligem os investidores continuam exatamente iguais aos da rotação anterior do nosso magnífico planeta.
Em outras palavras, não é uma folhinha do calendário ficando para trás que faz os problemas desaparecerem (alguém ainda lembra dos calendários em papel?).
Impactos e informações adicionais
O mesmo aconteceu com o real: não iria ser de um dia para o outro que as coisas mudariam com relação à recente pressão sobre a moeda nacional.
Hoje, o dólar comercial ganhou terreno pela terceira vez seguida : mais 0,79%, a R$ 5,487 . As taxas DIs (juros futuros) também subiram por toda a curva .
A bem da verdade, os problemas não só não sumiram de um mês para outro, como até ganharam amplitude. Uma discussão iniciada pelo economista André Lara Resende e ecoada por setores do PT fizeram o mercado temer um cavalo-de-pau radical na economia.
Lara Resende, economista considerado um dos pais do Plano Real, disse e vem dizendo há um bom tempo, que o cerne do problema fiscal brasileiro está no serviço da dívida e propõe a definição de metas fiscais e monetárias; pelo plano, o BC reduziria gradualmente a Selic para 7,5% em 12 meses e que reservas poderiam suavizar depreciação do real.
Só o fato do partido do presidente reeleito ter curtido a ideia já fez o problema considerado grave piorar. O mercado anda mais ansioso do que criança à espera do Papai Noel no Natal.
O presente esperado é uma rota fiscal convincente capitaneada por uma equipe que passe segurança. Nada disso o governo reeleito deu ou acenou.
O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que pode ser chamado ultimamente de ministro-bombeiro, correu para jogar um pouco de água na fogueira, mas não foi lá muito bem sucedido.
Para ele, a tese tem várias deficiências e não tem nada parecido com isso na mesa do governo atualmente.
Ele afirmou que não há, inclusive, agenda marcada e defendeu um “ajuste gradual” nas contas públicas com já vêm fazendo, segundo ele.
Tem mais desconfiança no cardápio: trata-se das novas indicações para o Banco Central que o presidente Lula terá direito em seu quarto mandato. Durigan afirmou que as nomeações serão feitas com “rigor técnico” e com “diferentes perfis” .
Acontece que a Terra segue girando, os dias se sucedem e o calendário é implacável: o que não se decide hoje só pode ser decidido a partir do dia seguinte e o mercado tem pressa.
O Boletim Focus desta semana, após reeleição e sem definição da nova equipe econômica, elevou projeções para dólar, Selic e inflação .
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, foi taxativo: mesmo com a Fazenda negando a reunião do governo com Lara Resende e qualquer estudo de tabelamento da Selic, o apoio público de nomes próximos ao presidente à proposta já basta para pressionar o câmbio e a parte longa da curva.
“O cenário para novembro ainda recomenda cautela. Juros longos mais elevados, maior custo de capital e um ambiente externo menos favorável devem continuar condicionando o desempenho da Bolsa e as expectativas de lucros das empresas”, afirmaram os analistas Victor Penna e Wesley Bernabé, do BB Investimentos.
Problemas existem no mundo inteiro e no mundo inteiro não será um giro da Terra que cessará, por exemplo, a guerra no Irã. Os persas seguem céticos sobre um acordo com os EUA .
Pelo menos, as principais referências do petróleo internacional recuaram nesta terça-feira , depois de terem despencando na véspera.
Os três índices principais em Nova York terminaram o dia mistos, com Apple sendo a vilã do pregão, mas principalmente com as eleições de meio de mandato ocorrendo nos EUA.
O governo Donald Trump pode perder hoje o controle das duas casas legislativas e seguir seu inferno astral. A apuração pode levar vários dias , mas as projeções não são muito ensolaradas para o atual presidente.
Os astros não se alinharam ainda para os ganhos na Bolsa brasileira, mas novembro tem se vestido, pelo menos por enquanto, como uma cópia de outubro.
As ações mais pesadas do índice recuaram como um meteoro em queda. Vale ( VALE3 ) desceu 2,85% e continua como uma estrela que se apaga.
Em resumo
Índices nos EUA terminam mistos com eleições de meio de mandato no radar
Novembro começou como terminou outubro, com queda ampla do Ibovespa e preocupações renovadas. O primeiro pregão do mês , que chega após o feriado prolongado de Finados, acabou com baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, um recuo de 2.392,88 pontos .
Claro que uma simples rotação da Terra no próprio eixo não faria o Ibovespa renascer, porque os problemas que afligem os investidores continuam exatamente iguais aos da rotação anterior do nosso magnífico planeta.
O mesmo aconteceu com o real: não iria ser de um dia para o outro que as coisas mudariam com relação à recente pressão sobre a moeda nacional. Hoje, o dólar comercial ganhou terreno pela terceira vez seguida : mais 0,79%, a R$ 5,487 . As taxas DIs (juros futuros) também subiram por toda a curva .
A bem da verdade, os problemas não só não sumiram de um mês para outro, como até ganharam amplitude. Uma discussão iniciada pelo economista André Lara Resende e ecoada por setores do PT fizeram o mercado temer um cavalo-de-pau radical na economia.