Ibovespa oscila sob pressão do petróleo e do dólar
Bolsa começou a segunda-feira em baixa, enquanto câmbio, inflação projetada e cenário eleitoral ampliaram a cautela.

O Ibovespa começou esta segunda-feira (28) em queda e o dólar voltou a superar R$ 5,20, num pregão marcado pelo avanço do petróleo, pela piora das expectativas de inflação e pela cautela a menos de uma semana do primeiro turno das eleições.
A Veja registrou que, por volta das 10h30, o principal índice da B3 recuava 0,58%, aos 182.415 pontos. O InfoMoney confirmou a pressão sobre os ativos brasileiros e mostrou o contrato de dólar para outubro negociado perto de R$ 5,202 na mesma manhã.
O movimento ocorreu depois de três sessões consecutivas de baixa da Bolsa. Na sexta-feira (25), o índice havia cedido 0,27%, encerrado aos 183.476 pontos e acumulado perda semanal de 0,95%, segundo o acompanhamento do mercado.
A oscilação desta segunda não decorreu de um único fator. O fortalecimento internacional da moeda norte-americana atingiu divisas de países emergentes, enquanto a incerteza sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã elevou as cotações do petróleo e reduziu o apetite por risco.
Petróleo reforça aversão ao risco
O petróleo mais caro produz efeitos diferentes dentro do próprio Ibovespa. A valorização da commodity pode favorecer a receita esperada das petroleiras, que têm peso relevante no índice, mas também aumenta o risco de pressão sobre combustíveis, fretes e custos de produção.
Se a alta persistir, investidores podem revisar para cima as projeções de inflação e juros. Esse canal costuma pesar sobre companhias dependentes de crédito, como varejistas, construtoras e empresas voltadas ao consumo doméstico, porque o custo de financiamento permanece elevado por mais tempo.
Ao mesmo tempo, a procura global por ativos considerados seguros sustentou o dólar. Por isso, a cotação acima de R$ 5,20 não pode ser atribuída apenas ao debate eleitoral brasileiro: a moeda também avançava diante de outras divisas emergentes.
O cenário político, no entanto, acrescenta volatilidade. A proximidade da votação de 4 de outubro aumenta a sensibilidade do mercado a pesquisas e declarações sobre política fiscal, sem que oscilações dentro da margem de erro permitam concluir, isoladamente, uma mudança consolidada na disputa.
Focus amplia cautela doméstica
O Boletim Focus trouxe outra fonte de pressão. A mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, na segunda elevação consecutiva. Para 2027, a estimativa passou de 4,30% para 4,31%, segundo os dados divulgados pelo Banco Central e reproduzidos pela Agência Brasil.
A previsão para a Selic no fim deste ano permaneceu em 13,50%. Como a taxa básica está em 14%, a projeção ainda embute redução de meio ponto percentual até dezembro. A expectativa para o dólar ao final de 2026 ficou em R$ 5,20, enquanto a estimativa de crescimento do PIB recuou para 1,86%.
Esses números não determinam o fechamento do pregão, mas ajudam a explicar a defesa adotada pelos investidores na abertura. Bolsa, câmbio e juros futuros continuariam reagindo ao petróleo, ao ambiente externo e às novas informações domésticas ao longo do dia.
Para o leitor, a fotografia da manhã é de maior cautela, não de colapso: o Ibovespa permaneceu acima de 182 mil pontos, enquanto o dólar testava uma faixa que já vinha sendo acompanhada pelo mercado nas semanas anteriores.
Em resumo
Por volta das 10h30, o índice caía 0,58%, aos 182.415 pontos.
O dólar voltou a superar R$ 5,20, com o contrato para outubro perto de R$ 5,202.
A mediana do Boletim Focus subiu de 4,92% para 4,99%.
O mercado manteve a projeção de 13,50%, ante a taxa atual de 14%.
A commodity pode favorecer petroleiras, mas também elevar custos, inflação e juros, pressionando empresas ligadas ao consumo e ao crédito.