iFood Benefícios compra Caju e aguarda aval regulatório
Acordo reúne plataformas de benefícios com 3 milhões de usuários e mais de 130 mil empresas, mas depende da aprovação do Cade e do Banco Central.

O iFood Benefícios anunciou nesta terça-feira (20) a assinatura de um acordo para comprar a Caju, empresa de tecnologia voltada a benefícios corporativos, despesas e gestão de pessoas. A conclusão da operação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e do Banco Central.
O negócio foi comunicado oficialmente pelo iFood e detalhado em reportagens do InfoMoney, da Folha de S.Paulo e do UOL. As empresas não divulgaram o valor da transação; estimativas publicadas por veículos especializados variam, por isso não devem ser tratadas como preço confirmado.
Até a manifestação dos órgãos reguladores, iFood Benefícios e Caju continuarão operando de forma independente. A análise deverá avaliar efeitos sobre concorrência, meios de pagamento e funcionamento do mercado de vale-alimentação, vale-refeição e outros benefícios flexíveis.
Escala muda disputa setorial
O iFood Benefícios informa ter cerca de 1,7 milhão de usuários e 65 mil empresas clientes. A Caju declara 1,3 milhão de usuários e aproximadamente 70 mil empresas atendidas. Somadas, as bases chegam a 3 milhões de usuários e mais de 130 mil companhias, sem descontar eventuais sobreposições.
O mercado brasileiro de benefícios movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano e atende mais de 22 milhões de trabalhadores vinculados a aproximadamente 470 mil empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador. A escala combinada aproxima a operação de concorrentes tradicionais, embora líderes como Alelo, Edenred, Pluxee e VR mantenham posições relevantes.
A compra ocorre depois de mudanças regulatórias que limitaram taxas cobradas de estabelecimentos e ampliaram a interoperabilidade dos arranjos de pagamento. Essas regras pressionam margens, reduzem barreiras entre redes e estimulam empresas a buscar volume, tecnologia e maior aceitação dos cartões.
Operação aguarda aval regulatório
O Cade poderá impor condições, pedir informações adicionais ou aprovar o acordo sem restrições. O Banco Central examinará aspectos ligados às instituições de pagamento e aos serviços financeiros. Enquanto essas análises não forem concluídas, a assinatura não autoriza integração plena das estruturas.
Os executivos afirmam que a união permitirá ampliar investimentos e combinar produtos. O iFood oferece uma rede ligada ao consumo e à alimentação, enquanto a Caju desenvolveu ferramentas para recursos humanos, despesas corporativas, mobilidade e premiações.
A permanência da marca Caju ainda não foi definida publicamente. A startup tem cerca de 700 funcionários, e seu cofundador, Eduardo Del Giglio, deverá continuar na empresa após a conclusão. Eventuais mudanças de equipe, contratos ou portfólio dependerão do fechamento efetivo do negócio.
Para trabalhadores e empresas clientes, não há alteração imediata anunciada nos cartões, saldos ou canais de atendimento. O fato confirmado nesta terça-feira é a assinatura do acordo; qualquer integração prática ocorrerá somente depois das autorizações e das decisões operacionais das companhias.
Em resumo
A empresa assinou acordo para adquirir a Caju, plataforma de benefícios e gestão corporativa.
Não. A operação depende da aprovação do Cade e do Banco Central.
As empresas não divulgaram oficialmente o preço da transação.
As bases declaradas somam cerca de 3 milhões de usuários.
Não há mudança imediata anunciada para clientes, saldos ou atendimento.