Inadimplência dos aluguéis recua à mínima da série
Taxa nacional caiu para 2,93% em setembro, mas contratos baratos e algumas regiões seguem com atraso acima da média.

A parcela de aluguéis com atraso prolongado caiu para 2,93% no Brasil em setembro de 2026, o menor resultado desde o início da série, em abril de 2023. O índice recuou 0,18 ponto percentual em um mês e 0,87 ponto na comparação com setembro do ano passado.
Os dados foram divulgados pelo Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica e publicados nesta quarta-feira (21) pelo InfoMoney. Levantamentos reproduzidos pela Forbes e pelo portal Portas confirmam o patamar de 2,93% e informam que a amostra reúne dados anonimizados de mais de 1 milhão de locatários.
A melhora do indicador nacional não alcançou todos os segmentos na mesma intensidade. Os contratos de menor valor continuam concentrando atrasos bem superiores à média, sinal de que famílias e pequenos negócios com orçamento mais apertado permanecem mais expostos a oscilações de renda.
Contratos baratos concentram atrasos
Nos imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, a taxa ficou em 7,41% em setembro, apesar da queda ante os 7,65% de agosto. Entre os imóveis residenciais da mesma faixa, o resultado passou de 6,13% para 5,99%. Nos dois casos, a inadimplência ainda supera o dobro da média nacional.
O menor índice residencial apareceu nos contratos entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 1,72%. No comércio, a mesma faixa registrou 3,28%. Na ponta mais cara do mercado, os imóveis residenciais acima de R$ 13 mil tiveram taxa de 5,75%, o que mostra que o risco não diminui de forma linear à medida que o valor do aluguel aumenta.
Também há diferença por tipo de imóvel. A inadimplência comercial caiu de 4,22% para 4,11%, mas permaneceu acima das casas, com 3,23%, e dos apartamentos, com 2,12%. O indicador considera atrasos superiores a 60 dias ou pagamentos realizados depois desse prazo.
Regiões mostram trajetórias diferentes
O Nordeste apresentou a maior taxa regional, com 5,08%, seguido pelo Norte, com 4,45%. O Centro-Oeste teve o menor índice, de 2,62%. No Sudeste, a taxa caiu de 2,86% para 2,76%, enquanto Sul, Norte e Nordeste registraram alta na comparação mensal.
O recuo da inadimplência ocorre ao mesmo tempo em que o preço pedido nos novos contratos continua subindo. O Índice FipeZAP apontou avanço de 9,13% nos aluguéis residenciais em 12 meses até setembro, acima da inflação oficial de 4,58% no período. Os indicadores medem fenômenos diferentes: um acompanha boletos pagos; o outro, preços anunciados.
Para proprietários e imobiliárias, o resultado reduz o risco agregado, mas não elimina a necessidade de avaliar renda, garantia e valor do contrato. Para os inquilinos, a queda sugere maior regularidade nos pagamentos, embora o peso do aluguel continue elevado nos segmentos de menor renda. A próxima leitura mostrará se a mínima de setembro se sustenta diante dos juros altos e dos reajustes contratuais.
Em resumo
A taxa nacional ficou em 2,93%, a menor desde o início da série em abril de 2023.
O recuo foi de 0,18 ponto percentual, ante 3,11% em agosto.
Os aluguéis de até R$ 1 mil registram taxas acima da média, tanto em imóveis residenciais quanto comerciais.
O Nordeste liderou a inadimplência regional, com 5,08% em setembro.
A Superlógica usa dados anonimizados de mais de 1 milhão de locatários e considera atrasos superiores a 60 dias.