Economia

Índice mostra sobra de 13% a 34% em pequenos negócios

Levantamento compara seis modelos de operação e calcula quanto permanece na empresa depois de custos, impostos e retirada do proprietário.

2026-10-22T11:40:25.000Z · Redação Notícia ES
Índice mostra sobra de 13% a 34% em pequenos negócios

Um pequeno negócio que fatura R$ 35 mil por mês pode conservar entre 13,4% e 33,8% da receita depois de pagar fornecedores, funcionários, impostos, despesas operacionais e a retirada do proprietário. A diferença depende principalmente do modelo de operação, segundo o Índice Quanto Sobra? 2026.

Os dados foram noticiados pela CNN Brasil nesta quinta-feira (22) e constam no material divulgado pela Conta Azul. O estudo compara seis tipos de empresa e usa pesquisas públicas do IBGE, com ano-base 2023, além das regras do Simples Nacional vigentes em 2026.

O índice não trata faturamento como lucro. No cenário mensal de R$ 35 mil, a parcela que permanece na empresa varia de aproximadamente R$ 4.690 a R$ 11.830. Esse dinheiro já considera o pró-labore como despesa e pode financiar reserva de caixa, investimento ou expansão.

Modelo define resultado operacional

Os serviços recorrentes aparecem no topo, com sobra estimada de 33,8%. A categoria reúne atividades como contabilidade, consultoria de gestão, escola de idiomas e desenvolvimento de software, que costumam ter contratos contínuos e menor peso de mercadorias no custo total.

Na outra ponta está o varejo de balcão, com 13,4%. Padarias, mercadinhos, farmácias, lojas de roupas, bares e restaurantes precisam absorver simultaneamente gastos com produtos, equipe, aluguel, perdas de estoque e estrutura de atendimento. A comparação indica uma diferença de cerca de duas vezes e meia entre os extremos.

Os percentuais não funcionam como margem garantida para qualquer empresa. Localização, endividamento, preço pago a fornecedores, produtividade, aluguel e capacidade de formar preço alteram o resultado real. O índice serve como referência setorial para o empresário investigar por que seu desempenho está acima ou abaixo da estimativa.

A Conta Azul informa que a estrutura de custos foi montada a partir das pesquisas anuais de comércio, serviços, indústria e construção do IBGE, além do Cadastro Central de Empresas. A tributação foi calculada conforme a Lei Complementar 123, que instituiu o Simples Nacional.

Operação pesa mais que imposto

No exemplo de R$ 35 mil mensais, a guia do Simples representa entre 6,2% e 9,3% do faturamento. Já mercadorias, folha, encargos e estrutura consomem de 56,9% a 80,4%. O estudo não considera o tributo irrelevante, mas aponta que a rotina operacional ocupa a maior parcela da receita.

O levantamento também estima que crescer em vendas não aumenta automaticamente a proporção retida. Conforme o faturamento sobe, a alíquota efetiva do Simples e os custos da operação podem avançar. Nos serviços recorrentes, a sobra projetada passa de 35% nas menores faixas para 30,9% entre R$ 250 mil e R$ 300 mil mensais.

No varejo, a variação calculada é menor, de 13,7% para 12,6% entre as faixas avaliadas. A receita maior pode elevar o valor absoluto que fica no caixa, mas não necessariamente melhora a eficiência. Por isso, comparar somente vendas sem separar custos e margem pode esconder dificuldades financeiras.

Para aplicar os números, a empresa precisa confrontar sua própria demonstração de resultados com cada grupo de despesa. Renegociar compras, reduzir desperdícios, revisar o preço e organizar o capital de giro pode ter efeito maior do que perseguir faturamento sem controle. A principal utilidade do índice é mostrar onde o dinheiro sai antes de virar resultado.