Indústria recorre mais a bancos para financiar operações
Participação dos bancos tradicionais no crédito industrial de curto e médio prazo subiu de 61% para 65,3% em um ano.

A indústria brasileira ampliou em 2026 a dependência dos bancos comerciais tradicionais para financiar despesas e operações com prazo de até cinco anos. Entre as empresas que buscaram crédito entre fevereiro e julho, 65,3% apontaram essas instituições como sua principal fonte de recursos.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pela Confederação Nacional da Indústria na Sondagem Especial nº 107 e publicados pelo Poder360. O levantamento ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto e comparou os resultados com a edição anterior, quando a participação dos bancos era de 61%.
No financiamento de longo prazo, acima de cinco anos, os bancos comerciais continuaram na liderança, citados por 49,5% das empresas que buscaram recursos. O percentual, porém, recuou diante dos 51% registrados em 2025, enquanto bancos de desenvolvimento e capital próprio ganharam importância relativa nessa modalidade.
Pequenas empresas enfrentam mais barreiras
O aumento da procura pelos bancos não significa que o dinheiro chegou a todas as empresas. Entre as indústrias que tentaram contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo, 24,7% não conseguiram obter os recursos. Nas operações de longo prazo, a parcela sem sucesso alcançou 37,2%.
As pequenas empresas encontraram os maiores obstáculos. No crédito de curto e médio prazo, 32% das que buscaram financiamento não tiveram êxito, ante 28,4% das médias e 20,3% das grandes. Para prazos superiores a cinco anos, a taxa de insucesso entre as pequenas chegou a 48,2%.
A dificuldade não termina quando o financiamento é aprovado. No grupo de curto e médio prazo, 24,9% das empresas receberam valor menor ou muito menor do que o necessário. Entre as pequenas, o índice chegou a 33,3%. No longo prazo, 34,4% das pequenas obtiveram montante inferior ao solicitado.
A CNI relaciona parte desse resultado à menor capacidade das empresas de pequeno porte para apresentar garantias, comprovar fluxo de pagamento e negociar taxas e prazos. Juros elevados e exigências bancárias também afetam decisões de investimento e a disponibilidade de capital de giro.
Diversificação ainda avança lentamente
O capital próprio foi a segunda fonte mais citada nas operações de curto e médio prazo, com 23,6%, seguido pelos bancos de desenvolvimento, com 18,5%. No longo prazo, os bancos de desenvolvimento ficaram em segundo lugar, com 29,5%, e os recursos próprios apareceram com 23,1%.
Para a CNI, ampliar as alternativas de financiamento ajuda empresas a encontrar combinações adequadas de custo, volume e vencimento. Mercado de capitais, cooperativas, fintechs e programas públicos podem reduzir a concentração, mas ainda têm participação menor do que os grandes bancos na rotina financeira da indústria.
A sondagem mostra ainda que 49,9% das empresas não buscaram contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo no período analisado. No financiamento de longo prazo, a proporção atingiu 54%. O dado pode refletir tanto empresas sem necessidade imediata quanto projetos adiados diante do custo financeiro.
Entre as companhias que renovaram linhas de curto e médio prazo, 24,8% avaliaram que as condições pioraram, enquanto 19,7% perceberam melhora. A maioria, 53,9%, considerou o cenário semelhante ao anterior. O retrato combina maior concentração nos bancos tradicionais com acesso ainda desigual, sobretudo para negócios menores.
Em resumo
Os bancos foram citados por 65,3% das empresas que buscaram crédito de curto e médio prazo, ante 61% em 2025.
A CNI ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto de 2026.
Entre as empresas que buscaram financiamento acima de cinco anos, 37,2% não conseguiram contratar ou renovar a operação.
As pequenas empresas tiveram os maiores índices de insucesso e de aprovação de valores abaixo do necessário.
Capital próprio e bancos de desenvolvimento são as principais alternativas aos bancos comerciais, embora com participação menor.