Inflação cai, mas pobreza volta a subir na Argentina
Inflação anual recuou para 33,4%, enquanto a parcela de argentinos abaixo da linha de pobreza subiu a 32,3% no primeiro semestre.

A Argentina chegou a outubro com inflação mais baixa e contas públicas estabilizadas, mas sem converter toda a melhora macroeconômica em alívio social. A pobreza voltou a subir no primeiro semestre de 2026, enquanto o desemprego e a informalidade mantiveram pressão sobre a renda das famílias.
O InfoMoney informou nesta segunda-feira (19) que a inflação ao consumidor foi de 1,9% em setembro, ante 1,7% em agosto, e acumulou 33,4% em doze meses. O levantamento reuniu indicadores oficiais para avaliar a economia sob o governo de Javier Milei.
A Agência Brasil confirmou, com base no instituto argentino de estatísticas, que 32,3% da população dos principais centros urbanos vivia abaixo da linha de pobreza no primeiro semestre. O índice havia caído para 28,2% no fim de 2025, depois de atingir 52,9% na primeira metade de 2024.
Inflação perde força anual
A desaceleração dos preços é o resultado mais visível do programa econômico. A taxa mensal permanece positiva e voltou a acelerar em setembro, mas está muito abaixo dos níveis observados no início do ajuste. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a inflação chegou a 23,6%.
O controle da emissão monetária, a contenção de gastos e a busca por superávit fiscal ajudaram a reduzir a velocidade dos reajustes. Essa combinação aumentou a previsibilidade de preços, embora também tenha restringido a atividade em setores dependentes do consumo interno e do investimento público.
O Fundo Monetário Internacional reduziu para 2,1% a previsão de crescimento argentino em 2026. A revisão mostra que a estabilização nominal não elimina os obstáculos à recuperação, especialmente quando salários, crédito e emprego formal demoram a acompanhar a queda da inflação.
Para as famílias, a inflação menor significa que o dinheiro perde valor mais lentamente, e não que os preços retornaram ao patamar anterior. Depois de uma alta acumulada muito elevada, alimentos, transporte e serviços continuam consumindo parcela relevante dos rendimentos.
Pobreza interrompe trajetória de queda
A indigência, que mede a insuficiência de renda até para uma cesta básica de alimentos, atingiu 7,5% no primeiro semestre. O dado reforça que uma parte expressiva da população ainda enfrenta dificuldade para atender necessidades essenciais, apesar da melhora em relação ao pico de 2024.
O desemprego chegou a 7,9%, e o trabalho informal permaneceu perto de 45% das ocupações. Sem proteção trabalhista e com renda instável, esses trabalhadores sentem com maior intensidade qualquer aumento de preços ou redução da demanda.
Os indicadores formam um quadro misto: o país reduziu a inflação anual e preservou o equilíbrio fiscal, mas voltou a registrar aumento da pobreza. A etapa seguinte do programa econômico será medida pela capacidade de produzir emprego formal, recompor rendimentos e sustentar o crescimento sem perder o controle alcançado sobre os preços.
Em resumo
A inflação ao consumidor foi de 1,9% no mês e acumulou 33,4% em doze meses.
A pobreza atingiu 32,3% da população dos principais centros urbanos no primeiro semestre de 2026.
Sim. Ela havia recuado de 52,9% no primeiro semestre de 2024 para 28,2% no fim de 2025, antes de voltar a subir.
O desemprego alcançou 7,9%, enquanto a informalidade permaneceu perto de 45% das ocupações.
O Fundo Monetário Internacional reduziu a projeção de crescimento da Argentina para 2,1%.