Intenção de investir da indústria cai a 51,3 pontos, menor nível em seis anos
Indicador da CNI recuou pelo quarto mês seguido em setembro; levantamento ouviu 1.403 empresas e também mostrou produção menor em agosto.

A intenção de investimento da indústria brasileira caiu 1,3 ponto em setembro e chegou a 51,3 pontos, o menor resultado para o indicador desde junho de 2020. O dado foi divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro, pela Confederação Nacional da Indústria. É a quarta queda mensal consecutiva: desde maio, o índice acumulou recuo de 3,5 pontos. A sondagem ouviu 1.403 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro.
O indicador varia de zero a cem e mede a disposição declarada dos empresários para investir nos seis meses seguintes. Quanto maior o resultado, mais difundida é a intenção. O número não corresponde a uma estimativa de reais aplicados nem garante que os projetos serão executados. Ele funciona como termômetro antecedente e deve ser lido junto com juros, crédito, demanda e utilização das fábricas.
A amostra reuniu 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes empresas. Segundo a CNI, incertezas sobre o ambiente econômico e a proximidade das eleições aumentaram a cautela. O gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, avaliou que a indústria perdeu dinamismo e que a redução dos investimentos pretendidos pode afetar a capacidade produtiva futura.
Produção de agosto ficou abaixo da linha de estabilidade
A mesma pesquisa registrou queda da produção em agosto. O índice de evolução passou de 51 pontos em julho para 46,3 pontos, recuo de 4,7 pontos. Valores abaixo de 50 indicam diminuição em relação ao mês anterior. De acordo com a série da CNI, esse foi o pior resultado para um mês de agosto desde 2015.
A utilização média da capacidade instalada ficou em 69%, dois pontos percentuais abaixo da média histórica de agosto. A distância significa que uma parcela maior de máquinas e instalações permaneceu ociosa. Quando a demanda pode ser atendida com a estrutura disponível, empresas tendem a adiar expansões, embora ainda possam investir em modernização, eficiência e substituição de equipamentos.
O emprego industrial também permaneceu no campo de retração. O índice de evolução do número de empregados marcou 48,2 pontos. Já os estoques ficaram em 49,5 pontos, próximos da estabilidade, enquanto o nível efetivo em relação ao planejado chegou a 50,4. Um número pouco acima de 50 nesse último indicador sugere estoque ligeiramente superior ao desejado.
Expectativas perderam força para os próximos meses
Os quatro indicadores de expectativa recuaram. A previsão de demanda caiu 1,4 ponto, para 51,2; a compra de matérias-primas recuou 0,8, para 50,4. Ambos continuam acima dos 50 pontos e ainda indicam expectativa de crescimento, mas em intensidade menor. A diferença é relevante: queda do índice não significa necessariamente expectativa de contração quando o resultado permanece acima da linha divisória.
As perspectivas para exportações e emprego ficaram abaixo de 50. O indicador de quantidade exportada caiu 0,6 ponto, para 48,9, enquanto o de número de empregados recuou 0,2, para 49,2. Isso mostra predominância de respostas que projetam redução nesses dois itens nos seis meses seguintes. Oscilações cambiais, demanda externa e custo financeiro podem alterar o cenário ao longo do período.
A taxa básica de juros elevada encarece capital de giro e projetos de longo prazo, mas não é o único fator. Setores industriais vivem condições distintas, e a pesquisa agrega ramos e portes diversos. Por isso, a sondagem não permite concluir que toda fábrica reduzirá produção ou cancelará investimentos. Ela capta a direção predominante das respostas na amostra nacional.
Próximos passos
As próximas edições mostrarão se a cautela se prolongará depois das eleições ou se a intenção de investir reagirá. Dados de produção física do IBGE, concessões de crédito e decisões efetivas de aquisição de máquinas ajudarão a testar se a piora da confiança se transformou em menor investimento realizado.
Para empresas e trabalhadores, os sinais mais sensíveis serão encomendas, horas trabalhadas e contratação. Se demanda e utilização da capacidade voltarem a subir, projetos adiados podem ser retomados. Se permanecerem fracas, a combinação de ociosidade e crédito caro tende a limitar novas expansões. O retrato de setembro, portanto, é de cautela crescente — não de paralisação uniforme da indústria.
Em resumo
O indicador chegou a 51,3 pontos em setembro, queda de 1,3 ponto ante agosto.
Desde junho de 2020, segundo a série divulgada pela CNI.
Foram ouvidas 1.403 empresas: 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes.
Indica que a intenção ou expectativa positiva está mais disseminada, mas não representa valor financeiro nem investimento garantido.
O índice de evolução caiu para 46,3 pontos, abaixo da linha de 50 e no pior agosto desde 2015.
A utilização média ficou em 69%, dois pontos abaixo da média histórica de agosto.