Investidores da Apex organizam associação em meio a crise com passivo próximo de R$ 1 bilhão
Grupo com cerca de 150 credores discute atuação coletiva para negociar com Apex Partners e Rhino Securitizadora; auditoria ainda pode alterar dimensão final das dívidas.

Investidores e credores ligados à Apex Partners e à Rhino Securitizadora começaram a se organizar formalmente para enfrentar a crise financeira do grupo capixaba. Um fórum realizado em Vitória reuniu participantes interessados em criar uma associação capaz de representá-los em negociações e eventuais processos judiciais.
Segundo A Gazeta, o grupo já se aproximava de 150 pessoas cadastradas. A iniciativa surge diante da incerteza sobre a recuperação dos recursos investidos e sobre o tamanho definitivo das dívidas da Apex.
Passivo preliminar chega perto de R$ 1 bilhão
Dados apresentados na medida cautelar envolvendo o grupo apontam endividamento próximo de R$ 1 bilhão até 30 de junho de 2026. O valor, porém, ainda deverá passar por auditoria.
O levantamento preliminar citado por A Gazeta inclui aproximadamente R$ 452,1 milhões em debêntures, R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback, R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias e R$ 35,2 milhões em tributos em atraso.
O Ministério Público do Espírito Santo já se manifestou no processo e apontou questões que precisam ser esclarecidas, inclusive diferenças nos valores apresentados. A ação envolve dezenas de sociedades empresariais ligadas ao conglomerado.
Associação pode ampliar poder de negociação
A organização coletiva é vista pelos investidores como forma de reduzir dispersão e aumentar capacidade de negociação. Uma associação pode contratar assessoria jurídica e financeira comum, centralizar informações e representar grupos de credores em negociações.
O cenário ainda depende da definição sobre eventual recuperação judicial. Caso o pedido seja apresentado, os credores serão classificados de acordo com a natureza de seus créditos e participarão das etapas previstas na legislação de recuperação de empresas.
A crise da Apex também teve reflexos em ativos ligados ao grupo. Em agosto, veículos especializados noticiaram a venda de participação relevante em ações da CVC, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela gestora.
Para os investidores, a principal demanda agora é transparência sobre ativos, passivos e capacidade real de pagamento. A auditoria será essencial para estabelecer uma fotografia mais precisa da situação financeira.
Fontes consultadas: A Gazeta, manifestações do MPES reproduzidas no processo e reportagens sobre movimentações financeiras da Apex.