Investimento em data centers pode chegar a US$ 2,1 trilhões
Projeção do BofA aponta salto até 2028, puxado pela demanda de inteligência artificial, energia e equipamentos de refrigeração.

O investimento mundial em data centers pode superar US$ 1 trilhão em 2026 e alcançar US$ 2,1 trilhões em 2028, segundo projeção do BofA Global Research divulgada nesta sexta-feira (23). A expansão é impulsionada pela corrida por capacidade para inteligência artificial.
Os números foram publicados pelo InfoMoney e também reproduzidos pelo Terra a partir da análise do banco. Estimativas do Goldman Sachs sobre a forte alta do consumo elétrico desses centros reforçam a dimensão física do movimento, que envolve prédios, servidores, refrigeração, redes e geração de energia.
A previsão representa mais que o dobro do patamar esperado para este ano em um intervalo de dois anos. O crescimento não se concentra apenas nas fabricantes de chips: fornecedores de geradores, equipamentos de construção, painéis elétricos, sistemas de resfriamento e componentes de transmissão também entram na cadeia de investimentos.
Modelos de inteligência artificial exigem grande volume de processamento tanto no treinamento quanto no uso diário. À medida que empresas oferecem assistentes, buscas, imagens e serviços corporativos baseados em IA, cresce a necessidade de instalar processadores especializados e manter a infraestrutura funcionando sem interrupção.
IA amplia corrida por capacidade
Os grandes operadores de nuvem disputam terrenos, energia contratada e equipamentos que podem levar meses para serem entregues. O prédio é apenas uma parcela do custo. Servidores, aceleradores, redes de alta velocidade e armazenamento precisam ser comprados e substituídos em ciclos menores que os da infraestrutura imobiliária tradicional.
A cifra do BofA deve ser lida como projeção, não como gasto já contratado. Ela depende do ritmo de adoção da IA, da capacidade das empresas de transformar serviços em receita e da disponibilidade de financiamento. Mudanças tecnológicas que reduzam o custo computacional também podem alterar a trajetória.
Mesmo com essas incertezas, o mercado trabalha com uma necessidade crescente de computação. Empresas de setores como saúde, finanças, indústria e comércio começam a incorporar modelos próprios ou serviços de terceiros, ampliando a demanda para além das plataformas de tecnologia que iniciaram a atual rodada de investimentos.
Energia vira gargalo central
O Goldman Sachs estimou que o consumo global de eletricidade por data centers poderá crescer 165% até 2030 na comparação com 2023. Nos Estados Unidos, a participação desses centros na demanda elétrica pode passar de cerca de 3% em 2022 para aproximadamente 8% no fim da década.
O avanço pressiona redes de transmissão, licenciamento ambiental e oferta de equipamentos. Também aumenta a cobrança por fontes de energia estáveis e por sistemas de resfriamento mais eficientes, já que eletricidade e água podem se tornar limitações decisivas na escolha de novos locais para instalação.
A projeção de US$ 2,1 trilhões resume uma mudança industrial: a inteligência artificial deixou de ser apenas software e passou a exigir uma base pesada de máquinas, energia e obras. O tamanho real do ciclo dependerá de retorno financeiro, eficiência tecnológica e capacidade de construir essa infraestrutura no prazo planejado.