Justiça · 2026-10-27 · Redação Notícia ES

Itália nega extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes

Réu no STF argumenta que julgamento no Brasil pode não assegurar direitos mínimos de defesa

Itália nega extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes
Itália nega extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes

A Corte de Apelação de Catanzaro, no sul da Itália , negou a extradição para o Brasil de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ainda cabe recurso da decisão à Corte de Cassação,

Ainda cabe recurso da decisão à Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana.

Na sentença de 22 de outubro, à qual a reportagem teve acesso, o tribunal italiano rejeitou o pedido da Justiça brasileira ao acolher o argumento da defesa de que o julgamento no Brasil pode não assegurar os direitos mínimos de defesa.

A negativa por esse motivo está prevista no artigo 5º do tratado sobre o tema assinado entre os dois países, em vigor desde os anos 1990.

Tagliaferro é réu em ação penal no STF (Supremo

Tagliaferro é réu em ação penal no STF (Supremo Tribunal Federal), acusado de ter cometido os crimes de violação do sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

A denúncia leva em conta o vazamento de mensagens de integrantes do gabinete de Moraes ao longo de 2022. As conversas reveladas pela Folha mostraram que o ministro usou o TSE fora do rito para produção de relatórios e abertura de investigações contra bolsonaristas .

Ao negar o pedido de extradição de Tagliaferro, o tribunal italiano citou o caso da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), que teve o primeiro pedido de extradição negado pela Corte de Cassação, última instância.

O pedido se referia à invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes.

Para a corte, Zambelli não foi julgada de maneira imparcial no Brasil pelo acúmulo de papéis de Moraes, que foi pessoa lesada por um dos crimes e atuou como membro do colégio julgador, além de relator do caso.

Na avaliação dos magistrados, a modalidade em que o processo ocorreu no Brasil significou uma "macroscópica violação do direito de defesa".

"Considera-se que os mesmos princípios devam encontrar aplicação no caso em exame [Tagliaferro], no qual concorrem indícios de falta de imparcialidade objetiva inteiramente análogos [ao caso de Zambelli] e, sob alguns aspectos, ainda mais marcados", escreveram os juízes na sentença.

Eles descrevem que Moraes foi relator do inquérito sobre Tagliaferro, comandou a atividade investigativa, adotou medidas cautelares e emitiu o mandado de prisão em que se baseia o pedido de extradição, formulado por Moraes em agosto de 2025.

O ex-assessor afirma que está na Itália desde abril do ano passado. Ele tem cidadania italiana e mora na Calábria, no sul do país.

"A mesma autoridade [Moraes] que figura como sujeito afetado pelas revelações e parte prejudicada pelo crime dirigiu a investigação, avaliou os seus resultados, adotou medidas restritivas, promoveu a execução delas e é chamada a concorrer para o desenvolvimento do procedimento destinado a apurar a responsabilidade do acusado", diz o texto da sentença.

Por fim, os juízes afirmam haver a "existência do risco de comprometimento do direito de defesa", já que a condução do processo contra Tagliaferro está "concentrada inteiramente nas mãos de um magistrado diretamente envolvido como parte lesada nos fatos denunciados".

A sentença que negou a extradição determinou também que os passaportes de Tagliaferro, que aguardava a decisão em liberdade, fossem devolvidos a ele, suspendendo o veto de que ele deixasse o país.

O Ministério Público italiano pode recorrer da decisão. Segundo o ex-assessor, a AGU (Advocacia-Geral da União) não foi parte no processo.

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A Corte de Apelação de Catanzaro, no sul da Itália , negou a extradição para o Brasil de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ainda cabe recurso da decisão à Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana.

Na sentença de 22 de outubro, à qual a reportagem teve acesso, o tribunal italiano rejeitou o pedido da Justiça brasileira ao acolher o argumento da defesa de que o julgamento no Brasil pode não assegurar os direitos mínimos de defesa.

A negativa por esse motivo está prevista no artigo 5º do tratado sobre o tema assinado entre os dois países, em vigor desde os anos 1990.

Tagliaferro é réu em ação penal no STF (Supremo Tribunal Federal), acusado de ter cometido os crimes de violação do sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

Em resumo

O que aconteceu?

A Corte de Apelação de Catanzaro, no sul da Itália , negou a extradição para o Brasil de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ainda cabe recurso da decisão à Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana.

Qual é o ponto principal?

Na sentença de 22 de outubro, à qual a reportagem teve acesso, o tribunal italiano rejeitou o pedido da Justiça brasileira ao acolher o argumento da defesa de que o julgamento no Brasil pode não assegurar os direitos mínimos de defesa. A negativa por esse motivo está prevista no artigo 5º do tratado sobre o tema assinado entre os dois países, em vigor desde

Quais são os dados mais importantes?

Tagliaferro é réu em ação penal no STF (Supremo Tribunal Federal), acusado de ter cometido os crimes de violação do sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

Qual é o contexto?

A denúncia leva em conta o vazamento de mensagens de integrantes do gabinete de Moraes ao longo de 2022. As conversas reveladas pela Folha mostraram que o ministro usou o TSE fora do rito para produção de relatórios e abertura de investigações contra bolsonaristas .

Quais são os próximos desdobramentos?

Ao negar o pedido de extradição de Tagliaferro, o tribunal italiano citou o caso da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), que teve o primeiro pedido de extradição negado pela Corte de Cassação, última instância. O pedido se referia à invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes.

Fontes