Economia · 2026-10-30 · Redação Notícia ES

Itaú favorito, Bradesco perde força: a visão do mercado para bancões após a eleição

Juros mais altos e incertezas fiscais reforçam busca por bancos mais defensivos; Itaú continua unanimidade positiva, enquanto Bradesco perde apoio de parte do mercado

Itaú favorito, Bradesco perde força: a visão do mercado para bancões após a eleição
Itaú favorito, Bradesco perde força: a visão do mercado para bancões após a eleição

A forte reprecificação dos ativos brasileiros após as eleições levou diversos analistas a revisarem suas recomendações para o setor financeiro.

Bancos enfrentam novo cenário econômico

Os bancos tradicionais continuam como um dos segmentos mais resilientes da Bolsa em um cenário de juros elevados por mais tempo, com a preferência dos estrategistas passando a se concentrar em instituições com maior previsibilidade de lucros, forte geração de caixa e balanços considerados mais robustos.

O Morgan Stanley, por exemplo, afirmou que passou a favorecer instituições vistas como mais resilientes e destacou Itaú Unibanco ( ITUB4 ), Bradesco ( BBDC4 ) e BTG Pactual ( BPAC11 ) entre suas preferências.

Já o Citi promoveu uma mudança mais ampla em sua cobertura para refletir um cenário de juros altos por mais tempo.

Riscos fiscais influenciam escolhas dos investidores

O banco argumenta que a incerteza fiscal e o aumento dos prêmios de risco tornam mais atrativos os negócios com lucros previsíveis, elevada geração de caixa e menor sensibilidade ao ciclo econômico.

No resultado líquido, a companhia teve lucro de US$ 3,32 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 18%

Nesse processo, o Citi rebaixou Bradesco ( BBDC4 ) e Banco do Brasil ( BBAS3 ), apontando que o ambiente pós-eleição favorece instituições financeiras com menor exposição ao ciclo econômico e menor sensibilidade a mudanças de juros de longo prazo.

Enquanto há divergências em alguns nomes, o Itaú Unibanco continua sendo o banco preferido dos analistas.

UBS BB, JPMorgan e outras instituições compartilham essa visão e enxergam o banco como o mais preparado para atravessar um ambiente de desaceleração econômica e juros elevados sem comprometer a rentabilidade.

O grande ponto de inflexão do setor nos últimos dias foi a mudança de percepção em relação ao Bradesco, que passou a ser visto com maior pessimismo.

Primeiro, o Itaú BBA rebaixou a recomendação de compra para market perform (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra) e reduziu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20.

A instituição argumentou que a combinação de atividade econômica mais fraca, crescimento mais lento da carteira de crédito e aumento das provisões deve limitar a expansão da rentabilidade em 2027.

Pouco depois, o JPMorgan também rebaixou o papel, cortando sua recomendação para neutra e reduzindo o preço-alvo para R$ 18.

O banco passou a enxergar um cenário de maior deterioração da qualidade dos ativos, menor crescimento das receitas e pressão adicional sobre o retorno sobre patrimônio.

Na avaliação do Citi, o setor bancário brasileiro voltou, em termos de valuation, a níveis semelhantes aos observados antes do rali eleitoral.

A diferença é que o ambiente macroeconômico agora é consideravelmente mais desafiador, com juros mais altos, maior prêmio de risco, dólar mais forte e expectativas mais fracas para a atividade econômica em 2027.

Segundo o banco, esse novo cenário afeta os bancos de maneiras diferentes, já que instituições mais sensíveis ao ciclo econômico tendem a enfrentar uma combinação desfavorável de crescimento menor da carteira de crédito, aumento do custo de risco e pressão sobre a rentabilidade.

Por isso, o Citi passou a privilegiar modelos de negócios com maior previsibilidade de receitas e menor dependência da expansão do crédito.

O banco avalia que o Itaú Unibanco continua sendo o nome mais bem posicionado do setor.

A tese combina forte geração de capital, elevada rentabilidade, disciplina na concessão de crédito e capacidade de ganhar participação de mercado em momentos de maior estresse econômico.

Em um cenário de desaceleração, o Citi acredita que instituições líderes e com balanços mais robustos tendem a ampliar sua vantagem competitiva.

O relatório também mostra uma postura mais cautelosa com o Banco do Brasil ( BBAS3 ).

Embora as ações continuem negociando a múltiplos baixos e ofereçam dividendos elevados, os analistas enxergam maior incerteza em relação à evolução da carteira do agronegócio, à qualidade dos ativos e à capacidade de sustentar os níveis atuais de rentabilidade em um ambiente macroeconômico mais difícil.

Já o Bradesco ( BBDC4 ), que chegou a aparecer entre os beneficiários de um cenário de juros mais altos após as eleições, perdeu espaço nas preferências do Citi.

A instituição entende que a recuperação operacional do banco continua em andamento, mas que o ambiente mais adverso para crédito e inadimplência tornou o processo de retomada dos lucros mais complexo.

A visão conversa com os recentes rebaixamentos promovidos por Itaú BBA e JPMorgan, que passaram a enxergar menor potencial de alta para as ações.

Outro ponto destacado pelo Citi é que o mercado pode ter se tornado excessivamente otimista com a capacidade dos bancos de se beneficiarem de juros elevados.

Embora taxas mais altas normalmente favoreçam margens financeiras, os analistas observam que o efeito positivo pode ser parcialmente anulado por uma demanda menor por crédito, crescimento econômico mais fraco e aumento das provisões para perdas.

Por isso, a principal mensagem do banco é que os investidores devem priorizar qualidade e previsibilidade.

Em vez de buscar apenas ações baratas, o Citi recomenda focar em instituições capazes de preservar rentabilidade mesmo em um cenário de crescimento mais lento, o que explica a preferência por nomes como Itaú e por empresas financeiras mais defensivas, como seguradoras.

Em resumo

O que aconteceu?

A forte reprecificação dos ativos brasileiros após as eleições levou diversos analistas a revisarem suas recomendações para o setor financeiro. Os bancos tradicionais continuam como um dos segmentos mais resilientes da Bolsa em um cenário de juros elevados por mais tempo, com a preferência dos estrategistas passando a se concentrar em instituições com maior

Qual é o ponto principal?

O Morgan Stanley, por exemplo, afirmou que passou a favorecer instituições vistas como mais resilientes e destacou Itaú Unibanco ( ITUB4 ), Bradesco ( BBDC4 ) e BTG Pactual ( BPAC11 ) entre suas preferências.

Quais são os dados mais importantes?

Já o Citi promoveu uma mudança mais ampla em sua cobertura para refletir um cenário de juros altos por mais tempo. O banco argumenta que a incerteza fiscal e o aumento dos prêmios de risco tornam mais atrativos os negócios com lucros previsíveis, elevada geração de caixa e menor sensibilidade ao ciclo econômico.

Qual é o contexto?

No resultado líquido, a companhia teve lucro de US$ 3,32 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 18%

Quais são os próximos desdobramentos?

Nesse processo, o Citi rebaixou Bradesco ( BBDC4 ) e Banco do Brasil ( BBAS3 ), apontando que o ambiente pós-eleição favorece instituições financeiras com menor exposição ao ciclo econômico e menor sensibilidade a mudanças de juros de longo prazo.

Fontes