Japão envia sonda para buscar amostras de Fobos
A missão MMX partiu nesta terça-feira (20) em um foguete H3 e pretende trazer à Terra material da maior lua de Marte em 2031.

O Japão lançou nesta terça-feira (20) a sonda Martian Moons eXploration, a MMX, com a meta de pousar em Fobos, recolher amostras e devolvê-las à Terra. O veículo deixou o Centro Espacial de Tanegashima às 4h41 no horário japonês, a bordo do décimo voo do foguete H3.
A partida foi relatada pelo Metrópoles a partir da transmissão da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, a Jaxa, e confirmada pela própria agência e pelo Centro Aeroespacial Alemão, o DLR. Cerca de uma hora depois da decolagem, a separação da sonda do estágio superior foi declarada bem-sucedida.
O lançamento abre uma viagem de aproximadamente um ano até a região de Marte. O plano divulgado pela Jaxa prevê que a MMX entre em uma órbita de acompanhamento de Fobos, faça observações detalhadas da superfície e prepare duas tentativas de contato com o solo da lua marciana.
Missão mira origem marciana
Fobos é a maior das duas luas de Marte e tem formato irregular. A dúvida central é se ela surgiu de material lançado por um grande impacto no planeta ou se era um asteroide capturado pela gravidade marciana. A composição das rochas poderá ajudar os cientistas a distinguir essas hipóteses.
A Jaxa pretende recolher pelo menos 10 gramas de material em dois locais. Embora o volume pareça pequeno, a amostra poderá preservar minerais e compostos capazes de revelar como o sistema de Marte evoluiu e de que maneira água e matéria orgânica circularam na parte interna do Sistema Solar.
A MMX também estudará Deimos, a segunda lua marciana, antes de iniciar o caminho de volta. Os instrumentos foram planejados para medir topografia, composição, estrutura interna e gravidade, reunindo dados que serão comparados com o material analisado em laboratórios terrestres.
Parte do trabalho em Fobos caberá ao pequeno rover Idefix, desenvolvido por equipes da França e da Alemanha. Segundo o DLR, ele deverá ser liberado de uma altura entre 40 e 100 metros, em torno da virada de 2028 para 2029, para testar o deslocamento na gravidade muito baixa da lua.
Retorno está previsto para 2031
O cronograma atual reserva o período entre 2027 e 2030 para as observações e a coleta. A saída da região de Marte está prevista para 2030, e a cápsula com as amostras deverá chegar à Terra no ano seguinte, com recuperação planejada em uma área controlada na Austrália.
Se todas as etapas forem concluídas, será a primeira missão a trazer material diretamente da região de Marte. O feito ampliará a experiência obtida pelo Japão nas missões Hayabusa e Hayabusa2, que devolveram à Terra fragmentos de asteroides.
A operação também serve como teste de navegação, comunicação e pouso para viagens de ida e volta ao espaço profundo. Essas tecnologias exigem precisão porque os comandos enviados da Terra levam tempo para chegar e porque Fobos oferece pouca gravidade para estabilizar uma nave.
O sucesso do lançamento resolve apenas a primeira etapa de uma campanha que se estenderá por cinco anos. A partir de agora, as equipes acompanharão a trajetória, farão correções de rota e verificarão os sistemas antes da chegada à vizinhança marciana.
Em resumo
A sonda MMX, enviada em um foguete H3 para estudar as luas de Marte e recolher material de Fobos.
A decolagem ocorreu em 20 de outubro de 2026, às 4h41 no horário do Japão, a partir de Tanegashima.
Analisar amostras de Fobos para investigar a origem das luas marcianas e a evolução da região de Marte.
A Jaxa planeja trazer pelo menos 10 gramas, obtidos em duas operações na superfície.
A recuperação das amostras na Terra está planejada para 2031, após a partida da região de Marte em 2030.