Justiça · 2026-10-09 · Redação Notícia ES

Jarbas nega participação em aporte ao Instituto Iter

Ex-chefe do Ministério Público mineiro afirma que não participou da operação de R$ 5 milhões ligada ao instituto fundado pelo ministro André Mendonça.

Jarbas nega participação em aporte ao Instituto Iter
Jarbas nega participação em aporte ao Instituto Iter

O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Junior negou, nesta sexta-feira (9), ter participado da negociação de um aporte de R$ 5 milhões no Instituto Iter, entidade fundada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. A negativa responde a comentários que passaram a associá-lo à operação por sua proximidade com pessoas citadas em mensagens do caso Banco Master.

A Folha de S.Paulo publicou a declaração de Jarbas e a versão do Iter, enquanto reportagem do UOL sobre mensagens apreendidas pela Polícia Federal confirmou que o nome dele apareceu em conversas sobre um convite dirigido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os registros consultados não demonstram que Jarbas tenha negociado ou recebido valores.

À Folha, Jarbas disse desconhecer o suposto aporte de Vorcaro e classificou como injusta a tentativa de envolvê-lo. O Instituto Iter também afirmou que o ex-chefe do Ministério Público mineiro não participou da construção, negociação ou assinatura do contrato questionado.

Negativa alcança contrato milionário

Segundo o Iter, os R$ 5 milhões foram fornecidos pela Cedro Participações, do empresário Lucas Pedro Kallas, por meio de um contrato de mútuo conversível assinado em abril de 2024. Nesse tipo de operação, o dinheiro pode ser devolvido ou transformado em participação na empresa, conforme as regras previstas no instrumento.

A instituição declarou que o contrato foi lançado em balanço e informado aos órgãos competentes. Também negou relação financeira ou contratual com Vorcaro. A apuração original registra que Kallas havia mantido negócios com o ex-controlador do Banco Master, vínculo que alimentou suspeitas e comentários nas redes, mas não basta para atribuir ao banqueiro a origem do investimento.

Jarbas reconheceu que manteve uma relação acadêmica com o instituto. Ele disse ter ajudado a organizar cursos em Minas Gerais conforme demandas locais, mas negou função empresarial ou participação em negócios jurídicos. Em publicação de abril de 2025, chegou a se apresentar como representante do Iter no estado; depois explicou que a expressão se referia apenas ao trabalho acadêmico.

Mensagens sustentam apuração judicial

O contexto mais amplo envolve diálogos extraídos do telefone de Vorcaro pela Polícia Federal. Em maio de 2025, o advogado Ciro Soares, primo de Jarbas, convidou o banqueiro para um evento do Iter em Belo Horizonte e depois comunicou que ele não deveria comparecer. Em uma das mensagens divulgadas pelo UOL, Ciro afirmou que ele e Jarbas não viam problema na presença do empresário.

Esses diálogos confirmam que o nome de Jarbas circulou no entorno de convites e contatos, mas não comprovam sua atuação no aporte de R$ 5 milhões. A distinção é central: uma referência em conversa privada pode orientar diligências, porém não substitui documento bancário, contrato ou prova de participação direta.

A assessoria do Supremo informou à Folha que Mendonça não costuma tratar de assuntos administrativos do Iter. O instituto, por sua vez, disse que o ministro não era relator do inquérito relacionado ao Banco Master quando o contrato foi firmado. Até agora, as versões publicadas mantêm dois pontos separados: a existência do mútuo feito pela Cedro e a negativa de que Jarbas ou Vorcaro tenham participado da operação.

Em resumo

O que Jarbas Soares negou?

Ele negou ter participado da negociação ou da assinatura do aporte de R$ 5 milhões no Instituto Iter.

Quem fez o aporte segundo o Iter?

O instituto afirma que o recurso veio da Cedro Participações por contrato de mútuo conversível.

Daniel Vorcaro investiu no Iter?

O Iter nega qualquer investimento ou relação contratual e financeira com o ex-banqueiro.

Por que Jarbas foi citado?

Seu nome apareceu em mensagens sobre um convite a Vorcaro e ele é primo do advogado Ciro Soares.

As mensagens provam participação no contrato?

Não. Os diálogos divulgados não mostram Jarbas negociando, assinando ou recebendo valores do aporte.

Fontes