Jovens dominam topo da votação, mas Câmara mantém mediana de 49 anos
Nove dos dez deputados federais mais votados têm menos de 40 anos, embora a idade mediana dos 513 eleitos permaneça em 49 anos.

Candidatos com menos de 40 anos ocuparam nove das dez primeiras posições na votação nacional para a Câmara dos Deputados em 2026. O resultado das urnas de 4 de outubro revelou força eleitoral de nomes ligados às redes sociais, mas não reduziu a idade mediana da Casa, que continuará em 49 anos na próxima legislatura.
O recorte foi publicado pela Folha de S.Paulo na noite de domingo (11), com base nos dados abertos da Justiça Eleitoral. A consulta oficial de resultados do Tribunal Superior Eleitoral permite conferir a votação dos candidatos por cargo, estado e partido e serve como fonte adicional para os números individuais.
Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, Lucas Pavanato, de São Paulo, André Fernandes, do Ceará, Erika Hilton, também de São Paulo, e Ana Elisa, de Minas Gerais, aparecem entre os expoentes dessa geração. A exceção no grupo dos dez primeiros é Júlia Zanatta, reeleita por Santa Catarina aos 41 anos.
Renovação concentrada no topo
O desempenho dos campeões de votos não se reproduziu na mesma proporção no conjunto da Câmara. Apenas 23 dos 513 deputados eleitos têm menos de 30 anos, o equivalente a 4,5% das cadeiras. Entre eles, seis pertencem a partidos de esquerda e 17 a legendas de direita, segundo o levantamento.
Em 2022, cinco dos dez candidatos mais votados tinham menos de 40 anos. Quatro anos depois, o número subiu para nove. Nikolas Ferreira, Tabata Amaral e Kim Kataguiri repetiram presença entre os dez primeiros, enquanto outras candidaturas ampliaram o peso político de campanhas construídas com forte presença digital.
As votações também mostram que juventude e campo ideológico não caminham em uma única direção. Entre os dez primeiros, seis são filiados a partidos de direita e quatro a legendas de esquerda. Erika Hilton tornou-se a mulher mais votada para a Câmara, com cerca de 1,6 milhão de votos, e Ana Elisa foi eleita pelo PT mineiro aos 21 anos, com mais de 524 mil votos.
O deputado mais jovem eleito é Alvinho Lira, do PP de Alagoas, com 20 anos. A idade mínima constitucional para o cargo é 21 anos, mas a legislação permite que esse requisito seja completado dentro do prazo aplicável à posse, o que tornou possível o registro da candidatura.
Perfis geracionais convivem
Na outra ponta, quatro eleitos têm 77 anos e serão os integrantes mais velhos da próxima legislatura: Magda Mofatto, Busato, Edinho Araújo e Sergio Zambiasi. Ao todo, 30 deputados escolhidos nas urnas têm mais de 70 anos, sinal de que a renovação de alguns mandatos convive com a permanência de políticos experientes.
A estabilidade da mediana ajuda a dimensionar essa mistura. Metade dos futuros deputados terá 49 anos ou mais, o mesmo patamar observado na eleição de 2022. Nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a mediana permaneceu em 47 anos. No Senado, caiu de 58 para 56 anos em uma eleição que renovou dois terços das cadeiras.
Os dados indicam que a mudança geracional apareceu com mais intensidade na visibilidade e no volume de votos dos primeiros colocados do que na estrutura etária de toda a representação. A nova Câmara reunirá jovens com grande alcance digital, parlamentares de meia-idade e um grupo de eleitos acima dos 70 anos, combinação que deve influenciar linguagem, prioridades e disputas internas a partir de 2027.
Em resumo
Nove dos dez candidatos com maior votação nacional para a Câmara têm menos de 40 anos.
A idade mediana continuará em 49 anos, o mesmo patamar registrado em 2022.
São 23 parlamentares, equivalentes a 4,5% das 513 cadeiras.
Alvinho Lira, do PP de Alagoas, foi eleito aos 20 anos.
A renovação foi mais forte entre os campeões de votos do que no perfil etário do conjunto da Câmara.