Economia · 2026-11-06 · Redação Notícia ES

JPMorgan tem cautela com small caps globais e vê risco ao consumo em 2027

Segundo o banco, a estratégia mais cautelosa adotada entre junho e outubro deste ano se mostrou acertada

JPMorgan tem cautela com small caps globais e vê risco ao consumo em 2027
JPMorgan tem cautela com small caps globais e vê risco ao consumo em 2027

O rali das ações de pequena e média capitalização pode estar longe de um ponto de inflexão, mas investidores ainda não devem aumentar a exposição de forma indiscriminada.

Dados e contexto do setor

Em relatório global sobre o segmento SMid (small e mid caps), o JPMorgan afirma que o principal risco para os mercados em 2027 continua sendo a deterioração das condições do consumidor, cenário que pode pressionar especialmente empresas ligadas ao consumo discricionário e ao setor imobiliário.

Segundo o banco, a estratégia mais cautelosa adotada entre junho e outubro deste ano se mostrou acertada.

Desde então, os índices de small e mid caps caíram na maior parte das regiões do mundo, com exceção de alguns mercados menores, como Reino Unido, Japão e América Latina.

Impactos e informações adicionais

Embora os valuations tenham ficado mais atrativos, os estrategistas avaliam que ainda é cedo para concluir que o segmento entrou em um novo ciclo de alta.

A principal preocupação do JPMorgan é o enfraquecimento do poder de compra das famílias.

Nos Estados Unidos, o crescimento dos salários está cerca de 0,9 ponto percentual abaixo da inflação, algo que, segundo o banco, não acontecia desde a crise financeira global, excluindo o período atípico de 2021 e 2022 marcado pelo choque inflacionário pós-pandemia.

Ao mesmo tempo, a renda disponível das famílias desacelerou de 7,3% em junho de 2023 para apenas 1% atualmente.

Os estrategistas observam que a combinação de inflação ainda elevada, juros altos e perda de confiança dos consumidores já começa a se refletir nos gastos das famílias e tende a se intensificar ao longo de 2027.

Com base nessa avaliação, o banco mantém recomendação underweight para o setor de consumo discricionário e para empresas do segmento imobiliário.

A preocupação levou a instituição a incluir novas posições vendidas em empresas ligadas a hotéis, turismo e lazer em seus portfólios modelo, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

Entre os nomes citados estão Melia Hotels, Apple Hospitality, Park Hotels, Sunstone Hotel e Travel + Leisure, companhias consideradas excessivamente otimistas diante da desaceleração do consumo.

Apesar da cautela de curto prazo, o JPMorgan segue construtivo para o universo de small e mid caps no horizonte mais longo.

O banco argumenta que o desempenho inferior acumulado desde 2021 deixou diversos mercados negociando com descontos historicamente elevados em relação às grandes empresas, especialmente nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa continental.

Apesar do tombo recente, consenso ainda aponta para forte geração de caixa, dividendos elevados e ações descontadas

Na visão dos estrategistas, as small caps ainda oferecem potencial significativo de recuperação depois de anos de fluxo negativo para a classe de ativos.

O relatório destaca que as empresas menores costumam apresentar maior exposição doméstica, menor dependência do comércio internacional e podem ser beneficiadas por tendências como relocalização de cadeias produtivas e adoção de inteligência artificial em setores tradicionais.

Regionalmente, o JPMorgan mantém preferência por mercados desenvolvidos fora do Japão, com destaque para Estados Unidos e Reino Unido.

O banco avalia que as small caps britânicas continuam descontadas após anos de desempenho fraco desde o Brexit, enquanto as empresas americanas combinam crescimento de lucros relativamente sólido e valuations abaixo dos observados nas grandes companhias de tecnologia.

A instituição também chama atenção para a América Latina, que aparece entre as regiões mais baratas quando considerada a relação entre lucros, fluxo de caixa e valor patrimonial.

Ainda assim, os estrategistas observam que os balanços das empresas latino-americanas continuam mais alavancados do que os de mercados desenvolvidos, o que torna a região mais sensível ao ambiente de juros elevados.

Para 2027, o JPMorgan acredita que o mercado continuará oferecendo oportunidades relevantes na seleção de ações, mas alerta que as expectativas de lucro ainda parecem excessivamente otimistas em diversas regiões.

O banco projeta novas revisões para baixo nas estimativas corporativas, principalmente na Europa continental e na Ásia emergente, o que reforça a necessidade de uma abordagem mais seletiva por parte dos investidores.

Em resumo

O que aconteceu?

O rali das ações de pequena e média capitalização pode estar longe de um ponto de inflexão, mas investidores ainda não devem aumentar a exposição de forma indiscriminada.

Qual é o ponto principal?

Segundo o banco, a estratégia mais cautelosa adotada entre junho e outubro deste ano se mostrou acertada. Desde então, os índices de small e mid caps caíram na maior parte das regiões do mundo, com exceção de alguns mercados menores, como Reino Unido, Japão e América Latina.

Quais são os dados mais importantes?

A principal preocupação do JPMorgan é o enfraquecimento do poder de compra das famílias. Nos Estados Unidos, o crescimento dos salários está cerca de 0,9 ponto percentual abaixo da inflação, algo que, segundo o banco, não acontecia desde a crise financeira global, excluindo o período atípico de 2021 e 2022 marcado pelo choque inflacionário pós-pandemia.

Qual é o contexto?

Os estrategistas observam que a combinação de inflação ainda elevada, juros altos e perda de confiança dos consumidores já começa a se refletir nos gastos das famílias e tende a se intensificar ao longo de 2027. Com base nessa avaliação, o banco mantém recomendação underweight para o setor de consumo discricionário e para empresas do segmento imobiliário.

Quais são os próximos desdobramentos?

A preocupação levou a instituição a incluir novas posições vendidas em empresas ligadas a hotéis, turismo e lazer em seus portfólios modelo, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

Fontes