JPMorgan tem cautela com small caps globais e vê risco ao consumo em 2027
Segundo o banco, a estratégia mais cautelosa adotada entre junho e outubro deste ano se mostrou acertada

O rali das ações de pequena e média capitalização pode estar longe de um ponto de inflexão, mas investidores ainda não devem aumentar a exposição de forma indiscriminada.
Dados e contexto do setor
Em relatório global sobre o segmento SMid (small e mid caps), o JPMorgan afirma que o principal risco para os mercados em 2027 continua sendo a deterioração das condições do consumidor, cenário que pode pressionar especialmente empresas ligadas ao consumo discricionário e ao setor imobiliário.
Segundo o banco, a estratégia mais cautelosa adotada entre junho e outubro deste ano se mostrou acertada.
Desde então, os índices de small e mid caps caíram na maior parte das regiões do mundo, com exceção de alguns mercados menores, como Reino Unido, Japão e América Latina.
Impactos e informações adicionais
Embora os valuations tenham ficado mais atrativos, os estrategistas avaliam que ainda é cedo para concluir que o segmento entrou em um novo ciclo de alta.
A principal preocupação do JPMorgan é o enfraquecimento do poder de compra das famílias.
Nos Estados Unidos, o crescimento dos salários está cerca de 0,9 ponto percentual abaixo da inflação, algo que, segundo o banco, não acontecia desde a crise financeira global, excluindo o período atípico de 2021 e 2022 marcado pelo choque inflacionário pós-pandemia.
Ao mesmo tempo, a renda disponível das famílias desacelerou de 7,3% em junho de 2023 para apenas 1% atualmente.
Os estrategistas observam que a combinação de inflação ainda elevada, juros altos e perda de confiança dos consumidores já começa a se refletir nos gastos das famílias e tende a se intensificar ao longo de 2027.
Com base nessa avaliação, o banco mantém recomendação underweight para o setor de consumo discricionário e para empresas do segmento imobiliário.
A preocupação levou a instituição a incluir novas posições vendidas em empresas ligadas a hotéis, turismo e lazer em seus portfólios modelo, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.
Entre os nomes citados estão Melia Hotels, Apple Hospitality, Park Hotels, Sunstone Hotel e Travel + Leisure, companhias consideradas excessivamente otimistas diante da desaceleração do consumo.
Apesar da cautela de curto prazo, o JPMorgan segue construtivo para o universo de small e mid caps no horizonte mais longo.
O banco argumenta que o desempenho inferior acumulado desde 2021 deixou diversos mercados negociando com descontos historicamente elevados em relação às grandes empresas, especialmente nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa continental.
Apesar do tombo recente, consenso ainda aponta para forte geração de caixa, dividendos elevados e ações descontadas
Na visão dos estrategistas, as small caps ainda oferecem potencial significativo de recuperação depois de anos de fluxo negativo para a classe de ativos.
O relatório destaca que as empresas menores costumam apresentar maior exposição doméstica, menor dependência do comércio internacional e podem ser beneficiadas por tendências como relocalização de cadeias produtivas e adoção de inteligência artificial em setores tradicionais.
Regionalmente, o JPMorgan mantém preferência por mercados desenvolvidos fora do Japão, com destaque para Estados Unidos e Reino Unido.
O banco avalia que as small caps britânicas continuam descontadas após anos de desempenho fraco desde o Brexit, enquanto as empresas americanas combinam crescimento de lucros relativamente sólido e valuations abaixo dos observados nas grandes companhias de tecnologia.
A instituição também chama atenção para a América Latina, que aparece entre as regiões mais baratas quando considerada a relação entre lucros, fluxo de caixa e valor patrimonial.
Ainda assim, os estrategistas observam que os balanços das empresas latino-americanas continuam mais alavancados do que os de mercados desenvolvidos, o que torna a região mais sensível ao ambiente de juros elevados.
Para 2027, o JPMorgan acredita que o mercado continuará oferecendo oportunidades relevantes na seleção de ações, mas alerta que as expectativas de lucro ainda parecem excessivamente otimistas em diversas regiões.
O banco projeta novas revisões para baixo nas estimativas corporativas, principalmente na Europa continental e na Ásia emergente, o que reforça a necessidade de uma abordagem mais seletiva por parte dos investidores.
Em resumo
O rali das ações de pequena e média capitalização pode estar longe de um ponto de inflexão, mas investidores ainda não devem aumentar a exposição de forma indiscriminada.
Segundo o banco, a estratégia mais cautelosa adotada entre junho e outubro deste ano se mostrou acertada. Desde então, os índices de small e mid caps caíram na maior parte das regiões do mundo, com exceção de alguns mercados menores, como Reino Unido, Japão e América Latina.
A principal preocupação do JPMorgan é o enfraquecimento do poder de compra das famílias. Nos Estados Unidos, o crescimento dos salários está cerca de 0,9 ponto percentual abaixo da inflação, algo que, segundo o banco, não acontecia desde a crise financeira global, excluindo o período atípico de 2021 e 2022 marcado pelo choque inflacionário pós-pandemia.
Os estrategistas observam que a combinação de inflação ainda elevada, juros altos e perda de confiança dos consumidores já começa a se refletir nos gastos das famílias e tende a se intensificar ao longo de 2027. Com base nessa avaliação, o banco mantém recomendação underweight para o setor de consumo discricionário e para empresas do segmento imobiliário.
A preocupação levou a instituição a incluir novas posições vendidas em empresas ligadas a hotéis, turismo e lazer em seus portfólios modelo, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.