Juiz impõe limites a buscas do governo Trump na casa de deputada democrata
Decisão de tribunal norte-americano visa proteger trabalho legislativo da deputada democrata Ilhan Omar, de origem somali e islâmica, em meio as investigações sobre fraude imigratória

A administração Trump pressionou, nos últimos dias, por uma busca incomumente agressiva na residência da deputada Ilhan Omar, no âmbito de uma investigação sobre fraude imigratória que tem como alvo a parlamentar, possíveis declarações falsas em documentos governamentais e uma eventual conspiração, segundo várias pessoas a par do caso.
Promotores, contudo, tiveram primeiro de lidar com um juiz
Os promotores, contudo, tiveram primeiro de lidar com um juiz federal — em um processo de negociação prolongado que não havia sido noticiado anteriormente.
O juiz Matthew Sharbaugh, do Tribunal Distrital do Distrito de Colúmbia, acabou impondo limites à forma como o Departamento de Justiça poderia acessar os documentos de Omar durante a busca realizada na segunda-feira (12) — condição para que ele aprovasse o mandado —, levando em conta o cargo de Omar como membro do Congresso e as proteções constitucionais a ela inerentes, informaram à CNN várias pessoas familiarizadas com o caso.
As apurações dos investigadores, que motivaram a busca, incluem a possibilidade de que Omar ou seu pai — já falecido — tenham mentido sobre a idade dela por ocasião da obtenção da cidadania, em 2000, alegando que ela era menor de idade quando, na verdade, já era adulta.
Omar emigrou para os Estados Unidos como refugiada somali
Omar emigrou para os Estados Unidos como refugiada somali por volta dos 12 anos de idade e tornou-se cidadã americana no ano 2000, segundo pessoas a par da situação da deputada.
Uma fonte informou à CNN que o governo poderia tentar ampliar a investigação para um caso de conspiração mais abrangente, buscando apurar se houve, ao longo de anos, um ato de falsificação deliberada de informações por parte de um grupo maior de indivíduos.
Omar tem sido alvo de investigações criminais há anos — inclusive antes de Trump assumir o cargo, no ano passado.
No entanto, o governo Trump intensificou as ações, sob a alegação de que ela teria repetido declarações falsas ao preencher documentos oficiais — como um passaporte — nos últimos anos.
Segundo as fontes, foi isso que motivou a busca realizada na segunda-feira.
A operação de busca em sua residência em Washington, D.C., foi bastante atípica devido ao momento em que ocorreu — menos de um mês antes do encerramento da votação nas eleições —, justamente quando Omar concorre à reeleição pelo Partido Democrata , no estado de Minnesota.
A ofensiva federal deste mês também se mostrou atípica por tentar obter acesso aos registros de um membro do Congresso — um tipo de trabalho de investigação criminal que, neste ano, os republicanos transformaram em um foco de polêmica política envolvendo administrações anteriores.
Como parte da retomada das investigações, pelo menos uma dúzia de intimações foram expedidas, a partir da última sexta-feira (9), a testemunhas — em sua maioria, familiares —, segundo pessoas a par do caso.
Os registros e arquivos governamentais na Somália são notoriamente pouco confiáveis e de difícil acesso, devido a anos de conflito e à falta de integração entre os órgãos do governo.
Investigadores estão apurando uma alegação sem comprovação de que seu agora ex-marido, Ahmed Nur Said Elmi, seria seu irmão — e que o casamento teria ocorrido para que ele obtivesse a cidadania —, uma alegação que tem sido repetida por Trump e que Omar classificou como “mentiras preconceituosas”.
Mesmo que as alegações fossem comprovadas, o prazo prescricional para qualquer crime já teria expirado há muito tempo, e não está claro que papel isso desempenharia na investigação, informaram fontes à CNN .
Nenhuma acusação foi formalizada pelos investigadores da era Biden , e o caso envolvendo Omar não avançou tanto quanto o progresso alcançado pelos atuais investigadores da era Trump, disseram várias pessoas a par da investigação.
Em resumo
A administração Trump pressionou, nos últimos dias, por uma busca incomumente agressiva na residência da deputada Ilhan Omar, no âmbito de uma investigação sobre fraude imigratória que tem como alvo a parlamentar, possíveis declarações falsas em documentos governamentais e uma eventual conspiração, segundo várias pessoas a par do caso.
Os promotores, contudo, tiveram primeiro de lidar com um juiz federal — em um processo de negociação prolongado que não havia sido noticiado anteriormente.
O juiz Matthew Sharbaugh, do Tribunal Distrital do Distrito de Colúmbia, acabou impondo limites à forma como o Departamento de Justiça poderia acessar os documentos de Omar durante a busca realizada na segunda-feira (12) — condição para que ele aprovasse o mandado —, levando em conta o cargo de Omar como membro do Congresso e as proteções constitucionais a e
As apurações dos investigadores, que motivaram a busca, incluem a possibilidade de que Omar ou seu pai — já falecido — tenham mentido sobre a idade dela por ocasião da obtenção da cidadania, em 2000, alegando que ela era menor de idade quando, na verdade, já era adulta.
Omar emigrou para os Estados Unidos como refugiada somali por volta dos 12 anos de idade e tornou-se cidadã americana no ano 2000, segundo pessoas a par da situação da deputada.