Economia · 2026-10-15 · Redação Notícia ES

Juros, risco fiscal e capital estrangeiro: o que pode mudar o rumo da Bolsa?

Alta dos juros futuros pressiona Magalu e small caps. Analista da Clear explica os impactos do DI e alerta para os riscos fiscais e a volatilidade na Bolsa.

Juros, risco fiscal e capital estrangeiro: o que pode mudar o rumo da Bolsa?
Juros, risco fiscal e capital estrangeiro: o que pode mudar o rumo da Bolsa?

As ações do Magazine Luiza ( MGLU3 ) dispararam 24,18% no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, em 5 de outubro, mas voltaram a sofrer forte pressão nesta semana, com quedas de 7,04% na terça-feira (13) e 4,49% na quarta-feira (14).

Movimento ocorreu em meio à recuperação das taxas

O movimento ocorreu em meio à recuperação das taxas dos juros futuros, após o recuo registrado na semana passada, e evidencia a sensibilidade de empresas ligadas ao consumo e das chamadas small caps às mudanças nas expectativas econômicas.

A pressão também apareceu na curva de juros. Na quarta-feira (14), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 passou de 12,696% para 12,735% , enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 12,473% para 12,540% .

No mesmo pregão, o Ibovespa recuou 0,18%, aos 206.505 pontos , afastando-se da máxima histórica de 209.713 pontos , registrada na última sexta-feira (9).

Para Rafael Perretti, economista e analista da Clear Investimentos

Para Rafael Perretti, economista e analista da Clear Investimentos , a perspectiva de novos cortes da Selic e a entrada de capital estrangeiro ajudam a explicar a recuperação recente das ações brasileiras, especialmente entre as companhias de menor capitalização.

“A gente abriu espaço para cortes de juros no nosso país, o que é extremamente favorável para as empresas cíclicas, principalmente as small caps”, afirma Perretti.

O especialista, entretanto, ressalta que o mesmo ambiente que favorece valorizações expressivas também pode ampliar as perdas caso as expectativas para os juros e as contas públicas se deteriorem.

Os contratos de DI negociados na B3 refletem as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos anos, incorporando também prêmios de risco relacionados à inflação, ao cenário fiscal e às condições econômicas.

Quando essas taxas recuam, a perspectiva de financiamento mais barato tende a beneficiar empresas dependentes de crédito, consumo e expansão de suas operações.

Juros menores também elevam o valor presente dos fluxos de caixa projetados, o que pode tornar determinadas ações mais atraentes.

Esse efeito costuma ser mais intenso entre empresas cíclicas, como varejistas, construtoras e companhias com maior exposição à economia doméstica.

O movimento contrário também ocorre. Quando os DIs sobem, as expectativas de custos financeiros mais elevados e a maior taxa utilizada para descontar resultados futuros podem pressionar as avaliações dessas empresas.

A reação, porém, não é uniforme. Endividamento, perspectivas de lucro, características de cada setor e notícias específicas das companhias também influenciam os preços, de modo que os movimentos dos juros e das ações não representam uma relação automática de causa e efeito.

Um dos principais argumentos apresentados por Perretti é a revisão das expectativas para a taxa básica de juros.

Há cerca de um mês, a mediana das projeções do Boletim Focus indicava uma Selic de 13,75% ao ano no encerramento de 2026. Posteriormente, a estimativa recuou para 13,50% , até alcançar 13,25% no levantamento divulgado pelo Banco Central na terça-feira (13).

Com a taxa básica atualmente em 13,75% , o mercado passou a projetar uma redução acumulada de 0,50 ponto percentual até dezembro, equivalente a dois cortes de 0,25 ponto, caso essa expectativa se confirme.

A revisão reforça a perspectiva de condições financeiras menos restritivas, embora a trajetória dos juros ainda dependa do comportamento da inflação e das expectativas fiscais.

No mesmo Focus, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 5,01% para 5,22% , mostrando que a melhora nas expectativas para a Selic convive com pressões inflacionárias.

Essa combinação ajuda a explicar por que, mesmo diante da perspectiva de novos cortes da taxa básica, os contratos de DI voltaram a subir nas últimas sessões.

Em resumo

O que aconteceu?

As ações do Magazine Luiza ( MGLU3 ) dispararam 24,18% no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, em 5 de outubro, mas voltaram a sofrer forte pressão nesta semana, com quedas de 7,04% na terça-feira (13) e 4,49% na quarta-feira (14). O movimento ocorreu em meio à recuperação das taxas dos juros futuros, após o recuo registrado na semana passada,

Qual é o ponto principal?

A pressão também apareceu na curva de juros. Na quarta-feira (14), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 passou de 12,696% para 12,735% , enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 12,473% para 12,540% . No mesmo pregão, o Ibovespa recuou 0,18%, aos 206.505 pontos , afastando-se da máxima histórica de 209.713 pontos , registrada

Quais são os dados mais importantes?

Para Rafael Perretti, economista e analista da Clear Investimentos , a perspectiva de novos cortes da Selic e a entrada de capital estrangeiro ajudam a explicar a recuperação recente das ações brasileiras, especialmente entre as companhias de menor capitalização.

Qual é o contexto?

“A gente abriu espaço para cortes de juros no nosso país, o que é extremamente favorável para as empresas cíclicas, principalmente as small caps”, afirma Perretti.

Quais são os próximos desdobramentos?

O especialista, entretanto, ressalta que o mesmo ambiente que favorece valorizações expressivas também pode ampliar as perdas caso as expectativas para os juros e as contas públicas se deteriorem.

Fontes