Justiça arquiva apuração de resgate ligada a Marcola
Juiz homologou pedido do MPF por falta de provas contra 16 investigados; quatro advogadas continuam respondendo a ação penal separada.

A Justiça Federal arquivou nesta segunda-feira (19) a parte da Operação Anjos da Guarda que investigava Marcola e outras 15 pessoas por um suposto plano de resgate em presídios federais. A decisão acolheu pedido do Ministério Público Federal baseado na falta de provas suficientes.
O Metrópoles informou que o arquivamento encerra a apuração contra Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, nesse inquérito. A investigação havia sido aberta a partir de suspeitas sobre ações para retirar integrantes do PCC de unidades de segurança máxima.
O UOL confirmou que o juiz Frederico Botelho de Barros Viana homologou o pedido do MPF para 16 dos 20 investigados. Quatro advogadas foram denunciadas por associação à organização criminosa e continuam respondendo a uma ação penal separada.
Operação começou com escutas
A Polícia Federal deflagrou a Operação Anjos da Guarda em agosto de 2022. A apuração usou relatórios do antigo Departamento Penitenciário Nacional produzidos a partir de conversas monitoradas, com autorização judicial, no parlatório da Penitenciária Federal de Porto Velho.
Na época, a hipótese investigada era de que integrantes do PCC planejavam invadir presídios federais de Brasília e Porto Velho. A PF também apurou menções a sequestros de autoridades que seriam usados como forma de pressão pela libertação de presos.
Parte da interpretação das conversas foi posteriormente questionada. Relatórios confundiram o sobrenome do advogado criminalista Alberto Toron com o apelido Tuta, usado por Marcos Roberto de Almeida, apontado como integrante do PCC que estava foragido naquele momento.
Outro diálogo teria associado o nome do advogado Eugênio Malavasi ao mesmo investigado. O escritório citado na conversa, porém, havia sido efetivamente contratado para atuar na defesa da pessoa mencionada, enfraquecendo a leitura de que se tratava de código criminoso.
Arquivamento exclui dezesseis investigados
A defesa de Marcola afirmou que interceptações, quebras de sigilo e outras diligências não produziram elementos mínimos de autoria ou materialidade contra o cliente. O MPF concluiu que não havia justa causa para manter a persecução nesse núcleo, e o juiz homologou a manifestação.
O arquivamento não apaga a existência da operação nem alcança automaticamente todos os acusados. A ação penal contra as quatro advogadas permanece em curso e deverá ser julgada com base nas provas próprias daquele processo, sem antecipação de culpa.
Para Marcola e os outros 15 nomes abrangidos, a decisão encerra a investigação dentro desse inquérito. A medida decorre da insuficiência probatória apontada pelo Ministério Público e não de uma avaliação genérica sobre outros processos ou condenações eventualmente existentes contra os envolvidos.
Em resumo
Foi arquivada a parte da Operação Anjos da Guarda que investigava Marcola e outras 15 pessoas por um suposto plano de resgate.
O Ministério Público Federal apontou falta de elementos mínimos de autoria e materialidade após o esgotamento das diligências.
O pedido de arquivamento alcançou 16 dos 20 investigados, incluindo Marcola.
Não. Quatro advogadas foram denunciadas e continuam respondendo a uma ação penal separada.
A apuração partiu de conversas monitoradas no parlatório da Penitenciária Federal de Porto Velho e de relatórios do antigo Depen.