Justiça Eleitoral proíbe candidato do PL de usar foto de Bolsonaro em propaganda
Decisão em São Paulo atinge material de Lucas Bove, candidato a deputado estadual, após representação questionar uso da imagem do ex-presidente em bandeiras de campanha.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/u/V/qVyQUoSCmAmkkSnkU4Tw/propaganda-candidato-a-deputado-com-foto-de-bolsonaro.jpg)
A Justiça Eleitoral de São Paulo proibiu o candidato a deputado estadual Lucas Bove, do PL, de utilizar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em material de propaganda eleitoral. A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, após representação apresentada contra bandeiras instaladas em Ribeirão Preto.
O material de campanha mostrava Bove ao lado de uma fotografia de Bolsonaro e também incluía imagens do governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição, e de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.
Representação questionou imagem e instalação das bandeiras
A ação foi apresentada pela vereadora e candidata a deputada estadual Duda Hidalgo, do PT. Ela questionou dois aspectos: o uso da imagem do ex-presidente e a forma de instalação de wind banners em áreas públicas.
A Procuradoria Regional Eleitoral acolheu o argumento relacionado à imagem de Bolsonaro, mas não viu irregularidade suficiente na colocação das bandeiras. O parecer citou regras da Lei das Eleições que permitem bandeiras móveis em vias públicas, desde que não atrapalhem o trânsito e sejam retiradas nos horários previstos.
Restrição decorre de decisão judicial contra Bolsonaro
O ponto central não é a regra geral sobre apoio político em campanha. A controvérsia decorre de restrições judiciais específicas impostas a Jair Bolsonaro em processo no Supremo Tribunal Federal. Segundo o parecer da Procuradoria, permitir que sua imagem fosse utilizada em propaganda poderia representar manifestação político-eleitoral por intermédio de terceiro.
Essa interpretação foi adotada pela Justiça no caso de Lucas Bove. A decisão não significa proibição geral e permanente de qualquer referência histórica a Bolsonaro, mas impede o uso eleitoral nas circunstâncias examinadas pelo processo.
Bove criticou a iniciativa e disse que cumpriria decisão
Antes do julgamento, o candidato afirmou que considerava a representação uma tentativa política de limitar a força do bolsonarismo. Também disse que aguardaria a decisão judicial e a cumpriria.
O caso ilustra como decisões cautelares tomadas em processos criminais ou constitucionais podem produzir efeitos na propaganda eleitoral quando envolvem pessoas com grande capacidade de influência política.
Propaganda com apoiadores é prática comum
Candidatos normalmente utilizam fotografias de lideranças nacionais, governadores, prefeitos ou presidenciáveis para demonstrar alinhamento político e facilitar identificação pelo eleitor. Em regra, essa estratégia faz parte da liberdade de propaganda e da comunicação partidária.
A diferença neste caso está na situação jurídica específica de Bolsonaro. A Procuradoria entendeu que as restrições impostas pelo STF impedem que terceiros funcionem como veículo de manifestação eleitoral em nome dele.
Decisão pode gerar novos questionamentos
Como a imagem de Bolsonaro aparece em materiais de diversos candidatos ligados ao PL e a partidos aliados, a decisão pode estimular novas representações eleitorais em outros estados. Cada caso, porém, dependerá do conteúdo, do contexto e das ordens judiciais vigentes.
Também é possível que a defesa busque revisão da decisão nas instâncias eleitorais superiores. Até eventual mudança, o candidato deve retirar ou adaptar o material atingido pela ordem.
Campanha de 2026 amplia disputa judicial sobre redes e propaganda
A eleição de 2026 já registra controvérsias sobre perfis digitais, impulsionamento, uso de imagens e limites de manifestações de apoiadores. A velocidade das campanhas nas redes aumenta a importância de decisões judiciais rápidas, mas também exige cuidado para que restrições sejam proporcionais e fundamentadas.
No caso de Lucas Bove, a decisão cria um precedente relevante para a interpretação das medidas impostas a Bolsonaro durante o período eleitoral. A extensão desse entendimento dependerá dos próximos julgamentos e de eventual manifestação do Tribunal Regional Eleitoral ou do TSE.