Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Justiça Eleitoral proíbe candidato do PL de usar foto de Bolsonaro em propaganda

Decisão em São Paulo atinge material de Lucas Bove, candidato a deputado estadual, após representação questionar uso da imagem do ex-presidente em bandeiras de campanha.

Justiça Eleitoral proíbe candidato do PL de usar foto de Bolsonaro em propaganda
Justiça Eleitoral proíbe candidato do PL de usar foto de Bolsonaro em propaganda

A Justiça Eleitoral de São Paulo proibiu o candidato a deputado estadual Lucas Bove, do PL, de utilizar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em material de propaganda eleitoral. A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, após representação apresentada contra bandeiras instaladas em Ribeirão Preto.

O material de campanha mostrava Bove ao lado de uma fotografia de Bolsonaro e também incluía imagens do governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição, e de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.

Representação questionou imagem e instalação das bandeiras

A ação foi apresentada pela vereadora e candidata a deputada estadual Duda Hidalgo, do PT. Ela questionou dois aspectos: o uso da imagem do ex-presidente e a forma de instalação de wind banners em áreas públicas.

A Procuradoria Regional Eleitoral acolheu o argumento relacionado à imagem de Bolsonaro, mas não viu irregularidade suficiente na colocação das bandeiras. O parecer citou regras da Lei das Eleições que permitem bandeiras móveis em vias públicas, desde que não atrapalhem o trânsito e sejam retiradas nos horários previstos.

Restrição decorre de decisão judicial contra Bolsonaro

O ponto central não é a regra geral sobre apoio político em campanha. A controvérsia decorre de restrições judiciais específicas impostas a Jair Bolsonaro em processo no Supremo Tribunal Federal. Segundo o parecer da Procuradoria, permitir que sua imagem fosse utilizada em propaganda poderia representar manifestação político-eleitoral por intermédio de terceiro.

Essa interpretação foi adotada pela Justiça no caso de Lucas Bove. A decisão não significa proibição geral e permanente de qualquer referência histórica a Bolsonaro, mas impede o uso eleitoral nas circunstâncias examinadas pelo processo.

Bove criticou a iniciativa e disse que cumpriria decisão

Antes do julgamento, o candidato afirmou que considerava a representação uma tentativa política de limitar a força do bolsonarismo. Também disse que aguardaria a decisão judicial e a cumpriria.

O caso ilustra como decisões cautelares tomadas em processos criminais ou constitucionais podem produzir efeitos na propaganda eleitoral quando envolvem pessoas com grande capacidade de influência política.

Propaganda com apoiadores é prática comum

Candidatos normalmente utilizam fotografias de lideranças nacionais, governadores, prefeitos ou presidenciáveis para demonstrar alinhamento político e facilitar identificação pelo eleitor. Em regra, essa estratégia faz parte da liberdade de propaganda e da comunicação partidária.

A diferença neste caso está na situação jurídica específica de Bolsonaro. A Procuradoria entendeu que as restrições impostas pelo STF impedem que terceiros funcionem como veículo de manifestação eleitoral em nome dele.

Decisão pode gerar novos questionamentos

Como a imagem de Bolsonaro aparece em materiais de diversos candidatos ligados ao PL e a partidos aliados, a decisão pode estimular novas representações eleitorais em outros estados. Cada caso, porém, dependerá do conteúdo, do contexto e das ordens judiciais vigentes.

Também é possível que a defesa busque revisão da decisão nas instâncias eleitorais superiores. Até eventual mudança, o candidato deve retirar ou adaptar o material atingido pela ordem.

Campanha de 2026 amplia disputa judicial sobre redes e propaganda

A eleição de 2026 já registra controvérsias sobre perfis digitais, impulsionamento, uso de imagens e limites de manifestações de apoiadores. A velocidade das campanhas nas redes aumenta a importância de decisões judiciais rápidas, mas também exige cuidado para que restrições sejam proporcionais e fundamentadas.

No caso de Lucas Bove, a decisão cria um precedente relevante para a interpretação das medidas impostas a Bolsonaro durante o período eleitoral. A extensão desse entendimento dependerá dos próximos julgamentos e de eventual manifestação do Tribunal Regional Eleitoral ou do TSE.

Fontes