Justiça · 2026-09-26 · Redação Notícia ES

Justiça mantém prisão e torna PM réu por duplo homicídio em Cariacica

Denúncia do Ministério Público foi recebida contra cabo acusado pelas mortes de Daniele Toneto e Francisca Chaguiana; defesa ainda falará no processo.

Justiça mantém prisão e torna PM réu por duplo homicídio em Cariacica
Justiça mantém prisão e torna PM réu por duplo homicídio em Cariacica

A Justiça do Espírito Santo recebeu a denúncia contra o cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale pelas mortes de Daniele Toneto Rocha, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31. A decisão, divulgada nesta sexta-feira (25), transformou o militar em réu por dois homicídios qualificados e manteve sua prisão preventiva.

A informação foi publicada por A Gazeta e confirmada em reportagem específica da Folha Vitória, que registrou o recebimento da acusação apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo. Os dois veículos também informaram que o caso tramita na Justiça comum e que a defesa do policial declarou ainda não ter sido intimada oficialmente, prometendo se manifestar nos autos.

O recebimento da denúncia abre a ação penal, mas não equivale a condenação. A partir dessa fase, acusação e defesa poderão apresentar provas, requerer diligências e ouvir testemunhas. Como a imputação envolve crimes dolosos contra a vida, o juízo deverá decidir mais adiante se existem elementos para levar o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Acusação aponta qualificadoras

Segundo a denúncia descrita pelas reportagens, o MPES atribui ao cabo motivo fútil, perigo comum e uso de recurso que teria dificultado a defesa das vítimas. A Promotoria também sustenta que houve abuso de poder, porque o militar teria utilizado a autoridade da função, uma viatura e armamento da corporação durante a ocorrência.

Daniele e Francisca foram mortas em 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. Elas eram casadas e moravam no mesmo prédio da ex-companheira do policial. Antes dos disparos, houve uma discussão entre as moradoras; câmeras de segurança registraram a chegada das viaturas e a sequência que passou a integrar a investigação.

Os relatos sobre o conflito anterior não substituem a apuração judicial nem autorizam antecipar culpa. A família de Francisca contesta a versão apresentada pela ex-companheira do cabo sobre as ameaças que teriam precedido a ocorrência. Esse contraste será submetido ao contraditório, junto com as imagens, depoimentos e demais elementos reunidos no processo.

Processos seguem separados

O processo pelos homicídios foi remetido à Justiça comum. Em uma ação distinta, sete policiais que participaram da ocorrência tornaram-se réus na Justiça Militar por possíveis irregularidades funcionais. Eles não são acusados de executar as duas mulheres, e suas responsabilidades serão examinadas separadamente.

Luiz Gustavo permanece no Presídio Militar desde abril. A Folha Vitória informou ainda que existe um processo administrativo demissionário na Polícia Militar. Essa apuração disciplinar tem finalidade diferente da ação penal: uma examina a permanência do servidor na corporação, enquanto a outra trata das acusações criminais e pode resultar em julgamento pelo júri.

O militar já respondia a outro processo relacionado à morte da mulher trans conhecida como Lara Croft, ocorrida em Cariacica em 2022. Esse caso anterior também é independente e não pode ser usado como prova automática de culpa na ação aberta agora. Cada processo precisa ser decidido com base no próprio conjunto de provas.

A próxima etapa é a citação formal do réu e a apresentação da resposta da defesa, caso esses atos ainda não tenham sido concluídos. Depois virá a instrução, com análise do material reunido e dos argumentos das partes. Só ao final dessa fase a Justiça decidirá se o cabo será pronunciado e levado ao Tribunal do Júri pelas mortes de Daniele e Francisca.

Em resumo

Por que o cabo da PM virou réu?

A Justiça recebeu a denúncia do MPES que o acusa de dois homicídios qualificados pelas mortes de Daniele Toneto e Francisca Chaguiana.

O recebimento da denúncia significa condenação?

Não. A decisão abre a ação penal e permite a produção de provas e o exercício da defesa.

O policial continuará preso?

Sim. A prisão preventiva foi mantida, segundo as reportagens que confirmaram a decisão.

Quem julgará o caso?

O processo tramita na Justiça comum e poderá chegar ao Tribunal do Júri se houver decisão de pronúncia.

Os outros policiais respondem pelas mortes?

Não. Sete militares são réus em processo separado na Justiça Militar por possíveis irregularidades funcionais durante a ocorrência.

Fontes