Política Nacional · 2026-10-09 · Redação Notícia ES

Kassab defende estabilidade institucional após eleição

Presidente do PSD afirma que disputa eleitoral não deve transformar impeachment em bandeira e cobra fiscalização, transparência e equilíbrio fiscal

Kassab defende estabilidade institucional após eleição
Kassab defende estabilidade institucional após eleição

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, defendeu nesta sexta-feira (9) que o país preserve a estabilidade institucional depois da eleição presidencial. Ao comentar a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, ele disse esperar que o resultado das urnas não provoque uma crise entre os Poderes.

Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo, Kassab afirmou que impeachment não deve ser apresentado como bandeira de campanha. Para ele, a atuação adequada passa por fiscalização, investigação, transparência e respeito às atribuições constitucionais de cada instituição.

A declaração foi feita em um momento no qual o PSD mantém integrantes próximos tanto da candidatura governista quanto da oposição. Kassab reiterou que a sigla adotou posição de independência e permitiu que seus filiados escolhessem entre apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro no segundo turno.

O dirigente procurou separar essa liberdade eleitoral do comportamento partidário no Congresso. Segundo ele, o PSD deve apoiar projetos considerados positivos para o país, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto. A orientação também evita que uma divergência na campanha seja tratada automaticamente como rompimento institucional.

Estabilidade orienta posição partidária

Kassab sustentou que o debate sobre mudanças no Supremo Tribunal Federal e em outras instituições precisa ocorrer no ambiente legislativo, sem ser convertido em instrumento de confronto eleitoral. Em manifestação anterior divulgada pelo próprio PSD, ele já havia defendido que eventuais reformas fossem discutidas depois da eleição, quando a pressão da campanha estivesse reduzida.

A posição não elimina a cobrança por controles. O presidente do PSD associou a normalidade democrática à capacidade de investigar irregularidades, exigir informações e dar publicidade às decisões. A distinção feita por ele está entre exercer fiscalização institucional e antecipar uma tentativa de afastamento como promessa eleitoral.

O partido atravessou as eleições parlamentares com uma bancada de 43 deputados federais, cinco senadores eleitos e quatro governos estaduais, de acordo com os números apresentados por Kassab. O resultado consolidou presença relevante da legenda, embora tenha ficado abaixo da meta partidária de ampliar com mais força a representação na Câmara.

Reportagem do UOL sobre a composição do novo Congresso mostrou que o PSD deu liberdade formal aos seus integrantes no segundo turno. A autonomia abriga posições distintas dentro da sigla e ajuda a explicar por que governadores e lideranças regionais podem seguir caminhos diferentes sem que o diretório nacional assuma uma candidatura única.

PSD preserva autonomia eleitoral

A escolha de não declarar apoio nacional também dá ao PSD margem para dialogar com o próximo governo. Kassab disse que o partido continuará votando a favor de propostas que julgar adequadas, mas preservará independência para contestar medidas que considere equivocadas.

No campo econômico, o dirigente afirmou que um ajuste fiscal não deve começar por aposentados e pensionistas. Ele defendeu equilíbrio das contas públicas, porém rejeitou transferir o custo inicial para grupos mais vulneráveis. A fala delimita uma condição política para futuras negociações orçamentárias.

Kassab também voltou a defender o fim da reeleição para cargos do Executivo e a adoção do voto distrital misto. Essas propostas dependem de mudança legislativa e não integram automaticamente a agenda do próximo governo. Ainda assim, indicam os temas institucionais que o PSD pretende levar ao Congresso.

A mensagem central do dirigente foi que o resultado eleitoral deve ser absorvido pelas regras democráticas. Com vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro, a atuação do PSD, segundo ele, será orientada pela análise de projetos, pela fiscalização e pela tentativa de impedir que divergências políticas se transformem em paralisia entre os Poderes.

Em resumo

O que Kassab disse sobre o resultado eleitoral?

Ele defendeu que o resultado seja respeitado e que não provoque uma crise entre os Poderes.

O PSD apoiou algum candidato no segundo turno?

Não. A direção nacional declarou independência e liberou os filiados para apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro.

Kassab defendeu impeachment como promessa de campanha?

Não. Ele afirmou que impeachment não deve ser bandeira eleitoral e priorizou fiscalização, investigação e transparência.

Como o PSD pretende atuar no Congresso?

A sigla diz que apoiará projetos considerados bons para o país e manterá independência para contestar outras propostas.

Quais mudanças políticas Kassab propôs?

Ele defendeu o fim da reeleição para o Executivo e a adoção do voto distrital misto.

Fontes