Justiça · 2026-10-11 · Redação Notícia ES

Lei da Dosimetria entra no cálculo sobre revisão de Bolsonaro

Ministros avaliam a lei como via para discutir penas, enquanto a revisão criminal ficará para depois do segundo turno.

Lei da Dosimetria entra no cálculo sobre revisão de Bolsonaro
Lei da Dosimetria entra no cálculo sobre revisão de Bolsonaro

Uma ala do Supremo Tribunal Federal avalia que o julgamento da Lei da Dosimetria pode oferecer uma via jurídica distinta da anulação da condenação de Jair Bolsonaro. As duas discussões têm efeitos possíveis sobre a pena, mas seguem processos e fundamentos diferentes.

O g1 informou neste domingo, 11 de outubro, que ministros defendem analisar as ações sobre a lei depois das eleições. A Agência Brasil confirmou que a revisão criminal apresentada pela defesa de Bolsonaro também não será julgada antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A revisão criminal pede que o STF reexamine uma condenação já definitiva. Segundo a nota do gabinete do relator, ministro Kassio Nunes Marques, o processo ainda depende de manifestação da Procuradoria-Geral da República e será levado ao plenário. A data caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin.

Caminhos jurídicos têm efeitos distintos

Na revisão, a defesa sustenta cerceamento e questiona a competência da Primeira Turma para julgar o caso. Também solicita a suspensão do cumprimento da pena enquanto o pedido não é analisado. O acolhimento dessa tese exigiria que o plenário revisitasse fundamentos da condenação e os limites processuais para desconstituí-la.

A Lei da Dosimetria atua em outro plano. A norma alterou critérios ligados à execução e ao cálculo das penas por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Se for considerada constitucional e aplicável ao caso, pode modificar o tempo de cumprimento sem necessariamente invalidar o julgamento que produziu a condenação.

A eficácia da lei está suspensa por decisão cautelar e depende de pronunciamento definitivo do plenário. Por isso, avaliações atribuídas a ministros não equivalem a voto nem formam decisão antecipada. O resultado só existirá depois da inclusão em pauta, da manifestação das partes e do julgamento colegiado.

Plenário decidirá depois das urnas

O adiamento busca evitar que uma decisão com impacto direto sobre um candidato e seu grupo político interfira no segundo turno. Essa cautela de calendário não resolve o mérito e tampouco elimina a cobrança por fundamentação igual para casos comparáveis. Apenas desloca a deliberação para depois da votação popular.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A defesa pretende anular ou suspender essa condenação; a discussão sobre dosimetria, por sua vez, pode alcançar também aliados e outros condenados.

Os próximos movimentos serão a manifestação da PGR, a definição de pauta por Fachin e o julgamento das ações que questionam a lei. Até lá, é impreciso afirmar que a pena será reduzida ou que a condenação será anulada. Há alternativas em debate, mas qualquer efeito concreto depende de maioria formal no plenário do STF.

Em resumo

O que o STF deve julgar?

A Corte analisará a revisão criminal de Bolsonaro e, em processos próprios, a constitucionalidade da Lei da Dosimetria.

Os dois caminhos são iguais?

Não. A revisão questiona a condenação; a lei pode alterar o cálculo ou a execução da pena sem anulá-la.

Quando a revisão será julgada?

O gabinete do relator informou que o julgamento ficará para depois do segundo turno de 25 de outubro.

Quem marcará a data?

A definição da pauta caberá ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Já existe decisão para reduzir a pena?

Não. Qualquer efeito depende da manifestação da PGR e de julgamento formal pelo plenário.

Fontes